
A Polícia Civil informou nesta sexta-feira (26) que abriu um novo inquérito para investigar novas denúncias contra a falsa médica presa em Campinas. Simone Martins Ferreira atuava há pelo menos dois anos na região e foi presa em flagrante nesta semana, enquanto atendia um paciente e usava o documento e registro profissional de uma dermatologista do RJ.
Segundo a polícia, após a prisão várias denúncias chegaram até a corporação e ontem (25) representantes de uma empresa de medicina ocupacional comunicaram que a golpista tinha sido contratada para fazer exames admissionais. De acordo com a investigação, vários funcionários passaram por consulta e Simone emitia os atestados para as admissões. O número de pessoas atendidas ainda está sendo apurado.
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QUEM É
Simone Martins Ferreira, de 44 anos, tem formação em farmácia e usava o nome e registro profissional de Simone Abreu Salles, dermatologista que é formada a atua como professora há 32 anos na Universidade Federal Fluminense. Ela foi presa na última terça-feira (22), após investigações da DIG (Delegacia de Investigações Gerais). Segundo a polícia, a mulher já tinha diversas denúncias e processos de estelionato. Ela chegou a ser presa em agosto do ano passado, na Vila Itapura, pagou fiança e foi liberada – mas continuou se passando por médica.
Simone era sócia de uma empresa de home care registrada em Mato Grosso do Sul. Com o CNPJ, ela atendia doentes em domicílio, prestava serviços e fechava contrato com empresas – atuando também em escolinhas e clube de futebol. Veja relato de vítimas aqui.
Simone cobrava até R$ 800 pela presença pelo acompanhamento de partida de futebol. Ela chegou atender o time de futebol Amparo Athletico Clube, onde fez o acompanhamento de atletas durante jogos. Ela usava uma credencial da Federação Paulista de Futebol.

Segundo a diretoria do clube, quando o jogo era em Amparo, a falsa médica cobrava R$ 700 pela presença na partida. Já quando o jogo era fora, era cobrado R$ 800. Ela ainda cobrava R$ 70 para o exame de eletrocardiograma e R$ 50 pelo atestado médico.
O contrato dela com o clube foi encerrado depois que a equipe perdeu uma partida por W.O – quando acontece a ausência de uma das equipes – por conta do atraso da falsa médica.
A VERDADEIRA E A FALSA
A verdadeira médica, Simone de Abreu Neves Salles, tem mais de 60 anos, é formada pela Universidade Federal Fluminense há cerca de 40 anos e dá aula na mesma universidade de medicina há 32 anos. Ela estava há anos tentando impedir o uso do nome e registro pela golpista.
Já a mulher que usava ilegalmente os dados da dermatologista é Simone Martins Ferreira, de 44 anos. As primeiras letras do nome são as iniciais da assinatura digital da empresa M&S LTDA, com CNPJ ativo, registrado em 2018 na cidade de Cassilândia, no Mato Grosso do Sul. No Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, Simone Martins Ferreira aparece como sócia administradora.
A prisão da falsa médica aconteceu após a polícia acompanhar um atendimento a um paciente. No momento da detenção, ela prescrevia uma receita, usando o nome da médica do RJ para um doente. A investigada também atendia a domicílio, principalmente idosos, prescrevendo receitas e exames.

OUTRO LADO
O advogado de defesa, Hebert Cardoso, informou que a cliente não praticou os crimes citados e que tudo não passa de uma mal-entendido.
“A defesa da Sra. Simone Martins Ferreira, que teve seu nome vinculado a um suspeito de ato ilegal ocorrido em 22/05/2023 vem a público esclarecer que a defendida não praticou os atos a ela imputados. A defesa irá demonstrar o mal-entendido no curso do inquérito policial. Tudo será esclarecido assim que as investigações forem concluídas e todas as provas forem analisadas. Desde já confiamos na Sra. Simone e que no final, sua absoluta inocência será provada para que não pairem dúvidas quanto à regularidade de sua conduta profissional e ética” disse em nota.