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Crise na Polícia Civil em Campinas é foco de reunião

Em Campinas, levantamento mostra que há déficit de coletes a prova de bala, de policiais e até prédios de polícia com problema na estrutura

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Raquel Gallinati, Marcos Alves Ferreira, Aldo Galiano e Cristiane Hillal disutiram a situaçã (Foto: Denny Cesare/Codigo 19)

A crise na Polícia Civil em Campinas foi a pauta principal da reunião do Conseg (Conselho Municipal de Segurança Pública de Campinas) que ocorreu na manhã desta terça-feira (28) em Campinas. Salários irrisórios, déficit de pessoal e de equipamentos - incluindo coletes balísticos e de estrutura dos prédio foram, mais uma vez, debatidos entre autoridades de segurança.  

Na reunião, o conselho apontou diversos problemas estruturais para o funcionamento adequado da Polícia Civil na cidade. Entre eles, o déficit de funcionários, salários baixos e a falta de coletes balísticos aos policiais. "São apenas 13 mil coletes dentro do prazo de validade para 28 mil policiais", apontou a presidente do Sindipesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo), Raquel Gallinati. 

"Hoje os policiais civis trabalham, muitas das vezes, sem estrutura material, de pessoal - pois há um déficit que chega a quase 13 mil policiais [no Estado]. Não existe estrutura por parte do governo para que o policial civil possa cumprir a sua obrigação", disse. Em Campinas, somado, o déficit de pessoal na 1ª e na 2ª Delegacia Seccional chega a 221 funcionários.

O encontrou teve a presença da promotora pública Cristiane Hillal, Alfo Galiano, delegado da 2ª Delegacia Seccional Polícia Civil de Campinas, Marcos Alves Ferreira, presidente do Conseg. 

PROBLEMAS 

O salário do policial civil no Estado de São Paulo também é o menor em relação a demais estados da Federação, segundo a presidente. Em São Paulo, o menor salário de delegado é de R$ 10.184, enquanto no Maranhão, o menor salário para o mesmo cargo é de R$ 22.197, segundo pesquisa comparativa efetuada pelo Sindipesp. "O Estado mais rico é o menos paga os policiais civis", disse Raquel.  

Mas além do déficit de material e pessoal, a falta de investimento e estrutura impede a ação de investigações da Polícia Civil. "A Polícia Civil do Estado de São Paulo está vivendo uma situação totalmente caótica. Não existe investimento por parte do Governo do Estado de São Paulo em estrutura para que a Polícia Civil possa trabalhar em sua potencialidade", explicou a presidente do Sindpesp.  

Ainda segunda ela, essa falta de investimento cria uma sensação de impunidade entre aqueles que cometem crimes. "Não existe a certeza do castigo para aquele que pratica o crime. Por falta de investimento do governo para a Polícia Civil, posso trabalhar de acordo com sua potencialidade. Aqueles que praticam o crime se sentem impunes e passa-se essa sensação de insegurança para a população".  

Ferreira, presidente do Conseg, concorda que a falta de investimento é predatória ao andamento das investigações. "Investir em investigação criminal é fundamental para impedir o funcionamento de quadrilhas. Não dá para falar em segurança pública sem investigação", disse.  

MINISTÉRIO PÚBLICO  

Uma ação assinada por mais de 20 promotores de Justiça foi protocolada no final do ano passado. A ação visa qualificar o serviço de segurança pública. "É urgente que a Polícia Civil seja estruturada de modo a atender a população, cumprindo as expectativas esperadas", explicou a promotora pública Cristiane Hillal.  

"O déficit gera um reflexo não só na população, que sofre com a falta de estrutura, como também os próprios policiais civis que passam por uma situação de extremo estresse", continuou. De acordo com a promotora, aumentou o número de policiais civis afastados por depressão, além do número de policiais que comentem suicídio. "É absolutamente desumano", disse.  

 

O déficit de pessoal na 1ª e na 2ª Delegacia Seccional chega a 221 funcionários (Foto: Denny Cesare/Código19)

DDM  

De acordo com a promotora, é muito importante que existam DDM (Delegacias de Defesa da Mulher) funcionando por 24h, mas isso só tem sentido se for aumentado o número efetivo de policiais. "Não é simplesmente abrir a delegacia para ela funcionar por 24h. É importante que se aumente também o número de delegados, escrivãos e investigadores. Do contrário, efetivamente, não haverá melhora", disse.  

O pedido da promotora é de 50 escrivãos, 91 investigadores, 30 agentes policiais, quatro carcereiros, 12 agentes de telecomuinicação, três auxiliares de papiloscopia e um papiloscopista. "A gente entende que isso é o mínimo para que a Polícia Civil de Campinas possa estar a altura da grande demanda que lhe é cobrada diariamente", disse.  

PARALISAÇÃO  

Na próxima segunda (3), o Sindipesp, em conjunto com a Adpesp (Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo) participará de uma Assembleia Geral Extraordiária em São Paulo, na sede da Adpesp, para discutir as mobilizações contra os baixos salários da categoria.  

"O STF (Superior Tribunal Federal) proíbe greve ao policial civil, mas nada impede que determinadas atitudes sejam feitas para que possamos ter condições de poder exercer nossas atribuições", disse Raquel.

O QUE DIZ A SSP

Por meio de nota a Secretaria de Estado da Segurança Pública informou que estão em andamento concursos para a contratação de 2.750 novos agentes, entre delegados, escrivães e investigadores. A nota ainda afirma que a recomposição do efetivo é uma meta do governo, que abrirá novos concursos conforme a disponibilidade de recursos.

A nota também informa que o Departamento de Administração e Planejamento da Polícia Civil já iniciou um programa para reformas e modernização dos distritos policiais e estão em curso licitações para a compra de 8.239 coletes balísticos, 3.740 pistolas semiautomáticas e 580 carabinas. Mil coletes balísticos, fruto de uma parceria com o Senasp, serão distribuídos aos policiais civis.

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