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Ouro Verde: 4ª fase cumpre mandados em Várzea Paulista

Hoje a investigação apura o desvio de recursos públicos no Hospital de Várzea Paulista, durante a gestão da organização Vitale Saúde

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Operação tem apoio do Baep. Foto: Denny Cesare/Código 19

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público, de Campinas, com apoio do Baep (Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar) deflagrou na manhã desta quarta-feira (5) a 4ª fase da Operação Ouro Verde. A operação ficou conhecida em Campinas devido à investigação de desvios de recursos públicos no Hospital Ouro Verde por meio da organização social Vitale, responsável por administrar o Ouro Verde. Os desvios ultrapassaram os R$ 7 milhões. Em três fases da operação, 18 pessoas foram presas.  

Hoje a investigação apura o desvio de recursos públicos no Hospital de Várzea Paulista, durante a gestão da organização Vitale Saúde, e a corrupção de agentes públicos. Ao todo, estão sendo cumpridos cinco mandados de busca e apreensão nas residências e locais de trabalho dos investigados.  

São alvos desta fase da investigação dois secretários municipais de Várzea Paulista, investigados por terem recebido, mensalmente, propina para permitir que o contrato da Vitale com a Prefeitura da cidade fosse mantido.

Segundo o apurado pelo Gaeco, o dinheiro de corrupção era a moeda de troca para que os empresários por trás da Vitale pudessem desviar verbas do hospital. O caso chama a atenção principalmente pelo estado precário no atendimento à saúde na cidade, segundo o Gaeco.  

A Operação Ouro Verde teve início em novembro de 2017, quando desarticulado esquema criminoso de desvio milionário de dinheiro público do Hospital Ouro Verde de Campinas. Desde então, 18 pessoas foram presas e mais de 40 mandados de busca foram cumpridos com autorização da Justiça.   

RELEMBRE AS FASES 

PRIMEIRA FASE: OURO VERDE

A primeira fase da operação ocorreu em novembro de 2017. Foram 33 mandados de busca e apreensão e seis prisões. A ação foi realizada em Campinas, Bariri, Mogi das Cruzes, Santa Branca, Ubatuba e Várzea Paulista. Naquele momento, o Ministério Público revelou um esquema de fraudes em licitação e desvios de recursos que teriam provocado um prejuízo de R$ 4,5 milhões aos cofres públicos.

A organização social Vitale, responsável por administrar o Ouro Verde, teria usado a entidade para obter vantagens simulando consultorias. Segundo os promotores, há indícios de superfaturamento na compra de medicamentos e prestação de serviços, além de pagamento de propina para agentes públicos. Quando o caso veio à tona, a Prefeitura rompeu o contrato com a Vitale e municipalizou os serviços.

Foram presos Ronaldo Pasquarelli, Paulo Câmara e Daniel Câmara, apontados como donos da Vitale; a presidente da OS, Aparecida de Fátima Bertoncello e os diretores Ronaldo Foloni e Fernando Vitor Torres Nogueira Franco - apontado como lobista. Eles são acusados de fraude à licitação, falsidade ideológica e peculato.

SEGUNDA FASE: CADUCEU

Nesta etapa, em março de 2018, a operação prendeu o ex-diretor de Saúde de Campinas, Anésio Corat Júnior e Ramon Luciano Silva, ex-assessor da Prefeitura. Três réus fecharam acordos de delação premiada e detalharam à Justiça o esquema de pagamento de propina e fraude em documentos que foram entregues para que a Vitale vencesse a licitação.

Segundo informações repassadas pelos delatores, a Prefeitura realizava um repasse mensal de R$ 250 mil para pagar consultorias, mas o dinheiro era dividido em três partes entre a Vitale, Paulo e Daniel Câmara e Ronaldo Pasquarelli, apontados como donos da OS. Outra parte era entregue a lobistas e dividido entre servidores que participavam do esquema.

O nome do secretário de Assuntos Jurídicos, Silvio Bernadin, foi mencionado pelos delatores. Ele teria exigido a contratação de empresas depois que a Viltale assumiu a gestão do hospital.

O nome da operação, "Caduceu", remete ao cetro ladeado por duas serpentes que é usado como símbolo da medicina

TERCEIRA FASE: REAÇÃO

Em novembro de 2018, uma nova operação foi deflagrada. Desta vez, o Gaeco revelou detalhes de um esquema para favorecer Gustavo de Godoy, filho do diretor-presidente do Grupo RAC, Sylvino de Godoy, em um contrato com o Hospital Ouro Verde e a tentativa do empresário de devassar a vida de três vereadores: Tenente Santini (PSD), Marcelo Silva (PSD) e Pedro Tourinho (PT), que são da oposição.

Nas escutas telefônicas, Sylvino pede aos seus subordinados no jornal Correio Popular para levantarem a vida dos vereadores e publicar nos veículos de comunicação do grupo. Ao ser preso o empresário passou mal e está internado no Hospital PUC-Campinas.

O secretário de Assuntos Jurídicos de Campinas, Silvio Bernardin, também foi preso. Ele é acusado de ter exigido da Vitale a contratação de três empresas prestadoras de serviço no Hospital. O secretário pediu exoneração e está preso no presídio militar de Araraquara - ele é advogado e uma lei federal pede que profissionais sejam levados a prisões das Forças Armadas.

Nesta terceira fase, foram cumpridos oito mandados de prisão e 11 de busca e apreensão. Apenas Gustavo Godoy, filho de Sylvino, segue foragido.

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