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Motorista que matou idoso tem prisão preventiva decretada

Leo Luiz Ribeiro atropelou e matou o pedreiro Luiz Ferreira da Costa ontem durante uma manifestação do MST, em Valinhos. Ele avançou com a caminhonete sobre o grupo de manifestantes

| ACidadeON Campinas

 

Homem de 64 anos prestou depoimento ontem acompanhado do filho. Foto: Reprodução EPTV

A Justiça decretou nesta sexta-feira (19) a prisão preventiva de Leo Luiz Ribeiro, de 64 anos, que confessou ter atropelado e matado o pedreiro Luiz Ferreira da Costa, de 72 anos, ontem (18), durante uma manifestação do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), em Valinhos. Leo avançou com a caminhonete sobre o grupo de manifestantes que fechava a estrada que liga Valinhos a Itatiba. Além de Luiz, um cinegrafista também foi atingido e sofreu ferimentos leves.

A decisão da preventiva saiu no final da manhã de hoje durante uma audiência de custódia. Com isso, o acusado continua preso. Ele está na cadeia anexa ao 2º Distrito Policial de Campinas, no São Bernardo.

"Foi uma decisão judicial que optou pela permanência na prisão devido a gravidade do crime e também pela fuga do local do acidente", afirmou o delegado responsável pela investigação do caso, Júlio César Brugnoli.  

Leo é um comerciante conhecido na cidade de Valinhos. Após o atropelamento, ele foi trabalhar normalmente. Sua prisão ocorreu no final do dia, quando ele voltou para casa, em Itatiba. Os policiais o aguardavam no local.
 
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Segundo o delegado, o acusado afirmou que não percebeu que havia atropelado alguém e nem a gravidade da ação. Ele disse também que fugiu do local porque o grupo começou a atirar pedras no veículo e bater com pedaços de pau. Ele alegou sentir medo.

A polícia chegou até o acusado após levantar informações da placa da caminhonete utilizando imagens de uma câmera de um ônibus que estava parado no local do atropelamento e também de câmeras de segurança de condomínios vizinhos ao local da ocorrência. "Chegamos até o acusado após um levantamento sobre a caminhonete. Pedimos ajuda para a Guarda Municipal de Itatiba, identificamos o carro, aguardamos ele voltar para casa. Chegando lá, ele recebeu a voz de prisão. Ele afirmou que fugiu por medo e que não tinha reparado o atropelamento", afirmou o delegado.

A caminhonete também está apreendida. "É uma situação complicada, é a vida de um ser humano que se perdeu. O laudo da perícia fica pronto em 30 dias e o processo segue normalmente. Vamos continuar ouvindo mais pessoas. Mas temos a filmagem e a própria confissão do réu. Ao meu entender é um caso bem esclarecido e segue o andamento normal. Agora é a parte da Justiça porque o trabalho de polícia já foi feito", finalizou.  

Leo vai responder por homicídio doloso, lesão corporal dolosa e também fuga do local de acidente. (Com informações de Graziela Fávaro/EPTV) 



ENTENDA  

O atropelamento ocorreu na manhã desta quinta-feira na estrada que liga Valinhos a Itatiba. Um grupo de 200 integrantes do MST que moram na ocupação "Acampamento Marielle Vive" localizada às margens da rodovia fazia uma manifestação onde pediam acesso à água para a Prefeitura da cidade. Por volta das 8h, resolveram fechar a passagem dos veículos.  

O motorista da caminhonete acabou avançando sobre os manifestantes, matando, ainda no local, o pedreiro Luiz Ferreira e atropelando também o cinegrafista Carlos Felipe Tavares, de 59 anos, que fazia filmagens do ato. "Eu tava super tranquilo filmando, com a câmera na mão, sem nenhum problema, e quando vejo, levo uma pancada inesperada", afirmou. Ele teve ferimentos na cabeça, braço e na perna.  

A polícia chegou até o acusado com a ajuda da câmera de monitoramento de um ônibus que estava estacionado no local. Com isso foi possível identificar a caminhonete e encontrar o motorista em Itatiba.  

O MST contesta a versão do acusado. "Nem foi possível isso. A informação é que ele simplesmente avançou, passou por cima desse senhor e fugiu", disse Nilcio Costa, advogado do MST. Uma testemunha do atropelamento disse que foi intencional. "Na hora que parou os carros dos dois lados, que fomos avançar, a pessoa saiu lá do fundo, na contramão, passou na segunda faixa aí, atropelando as pessoas que estavam começando a sair da calçada pra atravessar a rua. Foi muito rápido também porque, do jeito que parou, ele veio. Do jeito que ele veio, ele nem sinalizou. Ele fez um strike aí no meio da galera", afirmou.  

O pedreiro morto será enterrado às 15h30 desta sexta-feira em Hortolândia.  


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