
O prefeito de Campinas, Dário Saadi (Republicanos), decretou situação de emergência na cidade por conta da devastação provocada pelos fortes temporais registrados nesta semana. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (20), após uma nova reunião de emergência convocada com representantes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, CPFL e secretariado.
Na quarta-feira (18), uma força-tarefa já havia sido anunciada após a cidade registrar estragos e dezenas de alagamentos em diversos bairros – veja mais abaixo.
Somente ontem, foram 125,4 milímetros em um único dia – o maior volume de chuva registrado no Brasil. O alto índice de chuva em um período curto de tempo causou novos alagamentos, enxurradas, quedas de quatro pontes em bairros e muitos estragos, além de arrastar veículos.
A tempestade de ontem foi a terceira mais intensa que a cidade já teve em toda sua história, de acordo com o Cepagri, da Unicamp. Durante a semana, equipes da Prefeitura e das equipes da Defesa foram reforçadas para atender as ocorrências em diversas regiões de Campinas.
O decreto de situação de emergência deve ser publicado em edição extraordinária amanhã, ou segunda-feira, dia 23 de janeiro. Com o decreto, será possível a liberação de mais recursos para atender as ocorrências das chuvas.
“Desde de cedo, estou pessoalmente visitando os locais afetados. Na reunião, fizemos um balanço dos estragos. Em primeiro lugar, drecetamos situação de emergência. Após a publicação, o decreto nos permite fazer remanejamentos da verba da Prefeitura. Decidimos também contratar ,de forma emergencial, as obras da ponte entre os bairros Bandeiras e Icaraí e a ponte do Itajaí. Além disso, mais duas ponte no Parque Brasília também serão avaliadas”, disse o prefeito.

Dário Saadi também falou sobre a situação dos córregos de Campinas. “Foi discutida a limpeza, o dessassoreamento e o alargamentro da calha dos córregos. Nas situações de emergência, essas obras também serão feitas. Mas todos os trabalhos terão critério. Aquelas que precisarem serão enquadradas como emergenciais”.
O prefeito atualizou ainda o número de queda de árvores, que já passaram de mais de 330. “Além das pontes, que impedem circulação, nós tivemos muitas situações de muros de contenção que ficam nas encostas de taludes e riachos. Nós tivemos muitos afundamerntos de galerias. Campinas é uma cidade antiga e por isso sofre com isso. E também temos quedas de árvores. Foram mais de 330 quedas”
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POR QUE TANTA CHUVA?
A meteorologista do Cepagri Ana Ávila explicou que as condições meteorológicas típicas do Verão favoreceram a ocorrência do temporal entre o fim da tarde e a noite de ontem. De acordo com ela, as nuvens carregadas que causaram a situação extrema registrada nesta quinta-feira se formam de forma muito rápida por conta da grande umidade e do forte calor registrado ao longo do dia.
“É como se a gente tivesse um aspirador de pó sugando essas nuvens em altos níveis na atmosfera. Esse calor e essa umidade sobem muito rapidamente e isso proporciona a formação dessas nuvens com potencial para chuvas intensas. O que chama a atenção é que o volume ocorre em um curto período. E 100 milímetros de chuva significam 100 litros de água por metro quadrado”, afirma.