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CampinasCotidianoReclamações contra Hapvida disparam na região e pacientes enfrentam atrasos, negativas e cortes de tratamento

Reclamações contra Hapvida disparam na região e pacientes enfrentam atrasos, negativas e cortes de tratamento

Número de queixas no Procon-SP mais que dobrou em 2025, enquanto famílias relatam risco à saúde, interrupção de cuidados e necessidade de recorrer à Justiça para garantir exames e tratamentos

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Os problemas no atendimento da Hapvida na região têm afetado diretamente a vida de quem depende do plano de saúde. Pacientes, inclusive com doenças graves, relatam longas esperas por exames, atrasos em tratamentos essenciais e até cortes abruptos de serviços já garantidos por decisão judicial.

No Procon-SP, o volume de reclamações envolvendo a Hapvida saltou de 410 em 2024 para 863 em 2025, um aumento de 110%. Em muitos casos, segundo o órgão, o plano teria negado atendimentos, forçando pacientes a recorrer à Justiça para ter acesso ao que é previsto em contrato.

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A família da pequena Isabela enfrenta dificuldades com o plano há quase uma década. Ela foi diagnosticada com uma síndrome rara aos oito meses de vida e passou dois primeiros anos internada no hospital. Para continuar o tratamento em casa, depende de diversos equipamentos: aspirador de secreção, oxímetros e concentrador de oxigênio, além de acompanhamento multiprofissional.

Por decisão judicial, Isabela recebia atendimento com fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, nutricionista, visitas médicas quinzenais e visitas de enfermagem semanais. Mas todo o progresso foi colocado em risco quando o plano suspendeu os atendimentos sem aviso prévio.

A mãe, Luciana Aguiar Contri, relata:

 “Deram uma alta administrativa. Não veio nenhum médico avaliar minha filha. Simplesmente decidiram que ela estava de alta.”

O pai, Renato Contri, também lembra de episódios críticos:

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“Minha filha dependia de oxigênio contínuo e o plano pediu para eu levá-la até lá. Eu só tinha concentrador. Perguntei: ‘E se ela parar de respirar e morrer?’”

Aumento das reclamações

Em 2021, a Hapvida anunciou a fusão com a Notredame, concluída no ano seguinte. Hoje, é a maior operadora de planos de saúde do país, com quase 16 milhões de beneficiários, segundo dados da própria empresa.

Os números do Procon mostram uma escalada:

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  • 225 reclamações em 2023
  • 410 em 2024
  • 863 em 2025

Entre as principais queixas estão:

  • Risco, dano físico ou mal-estar por falha na prestação de serviço (110 casos)
  • Demandas não respondidas (100)
  • Cobrança indevida (94)
  • Oferta não cumprida ou venda enganosa (63)
  • Cobrança de valores não informados (53)

Segundo o advogado Júlio César Ballerini Silva, o número de ações judiciais também cresceu:

“Triplicou de 2023 para cá. A empresa solicita procedimentos caros e aposta na demora do processo. Faz um cálculo estatístico: se no final pagar 50 mil de indenização, aplica esse valor no banco e deixa render até o julgamento.”

Outro caso grave envolve Nickolas Novais, um jovem que teve sintomas de gripe que evoluíram para o diagnóstico de câncer no sistema linfático. O tratamento precisava ser imediato, mas o plano resistia em autorizar internação, exames e quimioterapia, alegando carência contratual.

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Em julho, a Justiça considerou a recusa abusiva e determinou que a carência não deveria ser aplicada por se tratar de emergência e risco à vida. A decisão obrigou a Hapvida a custear todo o tratamento, sob pena de multa diária de R$ 1 mil, limitada a R$ 45 mil.

Mesmo assim, segundo a mãe, Valdilene Rios Novais, a liberação ocorreu apenas após muita insistência:

“Você tem que insistir o tempo todo, mandando para advogado, juiz… Eles fazem de tudo para você desistir.”

Especialistas orientam pacientes

O advogado Júlio Ballerini orienta quem enfrenta negativa:

  1. Registrar reclamação na ANS, o que pode gerar multa aos diretores da operadora.
  2. Fazer boletim de ocorrência, pois a recusa pode configurar risco à vida.
  3. Acionar o Procon para documentar a recusa.

O que diz a Hapvida

A Hapvida afirmou que segue as normas da ANS e os critérios técnicos do setor para autorizar procedimentos.

Sobre a paciente Isabela, a empresa informou que a equipe médica entendeu que ela já poderia deixar o atendimento domiciliar, com base em parâmetros clínicos, e que o seguimento adequado seria ambulatorial.

Em relação ao paciente Nickolas, a operadora disse que a internação ocorreu durante o período de carência previsto em contrato, mas que, após a liminar, todo o tratamento passou a ser custeado normalmente.

A empresa também disse que os números do Procon-SP não mostram o triplo de reclamações no período citado na reportagem.

*Com informações de Gustavo Biano/EPTV Campinas

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Laura Nardi
Laura Nardi
Repórter Web no ACidade ON Campinas. Graduada em Jornalismo pela PUC-Campinas, tem passagem pelos portais Tudo EP e Jornal de Valinhos. Adentrou no Grupo EP em 2023 e atua nos conteúdos digitais, enfaticamente com a parte textual.

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