O DRS (Departamento Regional de Saúde) de Campinas é a segunda região no estado de São Paulo com o maior número de pacientes à espera de tratamento para câncer. De acordo com a secretaria de estado da Saúde, 264 pacientes aguardavam atendimento até a última quinta-feira (11). O primeiro lugar fica com o DRS da Grande São Paulo, com 864.
Além disso, houve um aumento de 32% na procura desse tipo de tratamento no HC (Hospital de Clínicas) da Unicamp no primeiro semestre deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado.
Para dar conta da demanda, desde março o hospital aumentou de 65 para 152 o número de leitos.
Até agora já foram pelo menos 723 pacientes atendidos no hospital, e a previsão é que até o final do ano será uma média de 42% de aumento comparando com 2023.
A superintendente do HC, Elaine Ataíde, afirma que o câncer é o principal ponto de preocupação este ano no HC. Só no setor de oncologia, o hospital tem mais 200 médicos que fazem em média 50 cirurgias por dia e mais de 1400 quimioterapias por mês. Mas, mesmo assim a demanda continua sendo maior que a oferta. Para quimioterapia, por exemplo, a espera é de até 30 dias.
O HC da Unicamp atende 55 municípios, e a demanda histórica só vem crescendo. Em 2023, registrou 1240 novos casos de câncer, um aumento de 27,5% em relação ao ano anterior, quando foram 969 casos.
Do início do ano até agora foram atendidos pelo menos 723 pacientes, com diagnósticos de cânceres dos tipos mais graves.
No primeiro semestre, o aumento foi de 32% em comparação ao primeiro semestre do ano passado, e a previsão para o final deste ano é que a demanda cresça 42% na comparação com 2023.
Entre os diagnósticos mais comuns estão os cânceres de próstata, pulmão, cabeça e pescoço – que, na maioria dos casos, poderiam ser evitados com exames preventivos.
Esperando pelo tratamento de câncer
O pedreiro Aguiar Ferreira tem 59 anos e foi diagnosticado com câncer de esôfago há cinco meses, mas, de acordo com a filha dele, Alessandra, o pai não conseguiu nenhum tratamento até agora, e a doença só piora.
Os exames, pagos por meio de uma vaquinha, confirmaram a gravidade da doença. “É difícil, é muito difícil”, sussurra o pedreiro, quase sem voz. Ele se alimenta à base de líquidos, por meio de uma sonda.
Ainda de acordo com a filha, ele já emagreceu mais de 20 kg, cada dia está mais debilitado, expelindo sangue pela boca. Ela denunciou a negligencia na ouvidoria do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti – onde o pai espera atendimento.
“Isso aí já é negligência médica. Amanhã, se meu pai morrer, vai ser culpa deles porque eles não fazem nada. Meu pai só passa em consultas normais. Parece até que o que ele tem não é nada”, afirma Alessandra Ferreira.

O outro lado
A Rede Mário Gatti informou que o paciente passou por consultas nos meses de março e abril, e que o médico que o atendeu indicou uma radioterapia, mas que outros casos eram mais urgentes. Informou ainda que ele voltará a ter novas consultas ainda neste mês. Já a superintendente do HC, Elaine Ataíde, garantiu que José será atendido na próxima sexta-feira (19) às 8h30.
A secretaria estadual da Saúde informou que, pela legislação atual, o paciente oncológico deve receber atendimento especializado em 60 dias a contar do início da regulação.
Informou ainda que, neste momento, no estado de São Paulo, todos os pacientes inseridos na cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde) de oncologia estão sendo encaminhados às consultas e tratamentos dentro do prazo legal.
Com informações de Thiago Américo/ EPTV Campinas
Quer ficar ligado em tudo o que rola em Campinas? Siga o perfil do acidade on Campinas no Instagram e também no Facebook.
Receba notícias do acidade on Campinas no WhatsApp e fique por dentro de tudo! Basta acessar o link aqui!
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Campinas e região por meio do WhatsApp do acidade on Campinas: (19) 97159-8294.
LEIA TAMBÉM NO ACIDADE ON PIRACICABA
Lontra de 1 metro é encontrada em bar em Limeira; veja vídeo
Poupatempo Municipal e Centrus mudam de endereço na segunda-feira