Uma sequência de feminicídios registrada entre hoje (22) e a última semana na região de Campinas reforça o alerta para o avanço da violência contra a mulher em 2026. Em Sumaré, Itatiba e Valinhos, três mulheres foram assassinadas em circunstâncias brutais, a maioria dos casos cometidos por companheiros ou ex-companheiros.
Além das mortes, a região também contabiliza diversos episódios recentes de agressões graves, tentativas de homicídio e violência doméstica, revelando um cenário preocupante logo no início do ano.
Sumaré: feminicídio foi gravado por câmera usada para vigiar a vítima

O caso mais recente aconteceu na manhã desta quinta-feira (22), em Sumaré. Yasmim Evely da Silva, de 25 anos, foi espancada e esfaqueada até a morte pelo marido, Diego Molino da Silva, de 29 anos, no Jardim Nova Esperança I.
De acordo com a Polícia Civil, o autor do crime mantinha uma câmera de segurança dentro da residência para vigiar a vítima. O equipamento registrou o assassinato e, segundo os investigadores, era utilizado como forma de controle da rotina da mulher.
Após o crime, Diego fugiu levando o cartão de memória da câmera, que havia desaparecido do imóvel. Ele foi preso poucas horas depois em Hortolândia, enquanto comprava cerveja em um mercado, e confessou o crime.
Segundo a delegada Nathalia Alves Cabral, titular da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Sumaré, o cartão de memória foi encontrado no bolso do suspeito no momento da prisão. As imagens do crime serão anexadas ao inquérito policial.
Yasmim era natural de Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. Ela conheceu Diego em Porto de Galinhas e havia se mudado para Sumaré há cerca de seis meses, para viver com ele.
Ainda segundo a Polícia Civil, embora o relacionamento fosse recente, já havia sinais claros de violência, controle e vigilância constante, o que, conforme testemunhas, teria impactado a saúde emocional da vítima.
Itatiba: homem mata vizinha e tenta matar os próprios filhos

Na quarta-feira (21), um homem de 23 anos foi preso após assassinar uma vizinha em Itatiba e tentar matar os próprios filhos, em um caso que chocou a região.
A prisão aconteceu no bairro Roseira de Cima, em Jaguariúna, após uma perseguição policial que terminou quando o suspeito colidiu o carro contra um muro.
A vítima foi identificada como Maria Concebida Ribeiro da Silva, de 41 anos. Segundo o boletim de ocorrência, o homem invadiu a casa da vizinha da ex-companheira, matou a mulher e furtou o carro da vítima, fugindo em seguida com três crianças: dois filhos biológicos, de 2 e 8 anos, e um bebê de 8 meses, que é enteado.
Em depoimento, o suspeito confessou o assassinato e afirmou que jogou o carro contra o muro com a intenção de matar os filhos e cometer suicídio. As crianças passam bem.
O autor disse ainda que não tinha relação com a vítima e alegou que a mulher teria reclamado de um de seus filhos por causa de bagunça. Ele afirmou que havia feito uso de álcool e cocaína no dia do crime.
À EPTV, o tio da vítima, Silvano Soares Silva, informou que Maria Concebida era natural de Campinas e estava morando em Itatiba por causa do trabalho.
O nome do suspeito não foi divulgado para preservar a identidade das crianças, conforme determina o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).
Valinhos: mulher é morta a tiros na frente dos filhos

Na sexta-feira (16), Letícia Chaves de Oliveira, de 26 anos, foi assassinada a tiros pelo marido, em Valinhos, na frente dos filhos, de 11 e 4 anos.
Segundo o Corpo de Bombeiros, a mulher foi atingida na região do tórax e já estava sem vida quando as equipes chegaram. A perícia apontou que três disparos foram efetuados, mas apenas um atingiu a vítima.
O marido, Maicon César Ferreira, de 35 anos, foi preso. À Polícia Civil, ele alegou que teria efetuado um disparo durante uma discussão e que o tiro teria atingido o braço da esposa.
Familiares disseram à EPTV que não havia histórico de violência, mas relataram que o homem era usuário de drogas e extremamente ciumento. A criança mais velha foi quem ligou para a polícia após o crime.
Feminicídios bateram recorde em 2025
Em 2025, os feminicídios nas regiões de Campinas e Piracicaba superaram, já no dia 11 de dezembro, todo o total registrado em 2024. Foram 29 mulheres assassinadas, contra 28 casos no ano anterior. Somente em dezembro, cinco feminicídios foram confirmados.
Em todo o Brasil, 2025 também registrou um recorde histórico, com 1.470 feminicídios, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número supera os 1.464 casos registrados em 2024, até então a maior marca.
Os dados indicam que, em média, quatro mulheres foram mortas por dia no país no ano passado.
De acordo com o 18º Boletim Sisnov, do Sistema de Notificação de Violência de Campinas, cônjuges e ex-cônjuges são responsáveis por 42% das agressões contra mulheres.
Violência contra a mulher segue alta em 2026
Além dos feminicídios, a região já acumula diversos casos graves de violência contra a mulher em 2026.
Na noite de quarta-feira (21), um homem de 28 anos foi preso em flagrante após esfaquear a ex-companheira e matar o namorado dela, na Vila Proost de Souza, em Campinas. A mulher foi encontrada com facadas no rosto, barriga e braço, enquanto o namorado estava morto nos fundos da casa. A vítima já havia registrado três boletins de ocorrência contra o ex-marido.
No dia 13 de janeiro, um homem de 37 anos foi preso por violência doméstica, cárcere privado e estupro, no Parque Residencial Campo Belo, em Sumaré. A vítima foi encontrada seminua, em estado de choque, e relatou agressões reiteradas e conjunção carnal forçada.
Já no dia 7 de janeiro, uma mulher foi esfaqueada pelo namorado após uma discussão no Jardim Campo Belo II, em Campinas. Ela sofreu cerca de 10 golpes de faca; o relacionamento durava apenas dois meses.
No dia 3 de janeiro, um policial civil de 46 anos foi preso em flagrante após agredir a companheira, de 49 anos, em um condomínio de alto padrão, no Alphaville Campinas. Duas pistolas, munições e documentos funcionais foram apreendidos.
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