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Refizemos a rota de D. Pedro II em sua última visita a Campinas

Imperador que assumiu o trono 13 anos depois da Independência teve agenda cheia na cidade em 1886

| ACidadeON Campinas -

Na Catedral, D. Pedro II assistiu missa e ouviu o mesmo órgão que foi recentemente restaurado (Foto: Luciano Claudino/Código 19) 

No dia 22 de outubro de 1886, desembarcava na Estação Paulista, hoje conhecida como Estação Cultura, o imperador D. Pedro II e a imperatriz Tereza Cristina. O imperador visitou a cidade para inaugurar a linha Campinas a Poços de Caldas da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro. Naquele momento, o país passava pelo desenvolvimento de alguns setores da indústria e ferrovias.

Estima-se que D. Pedro II, que assumiu o trono em 1835 (com apenas cinco anos), tenha visitado Campinas em três oportunidades durante o período imperial - que começou em 1808, com a vinda da corte portuguesa ao Brasil, passando pela Independência, em 1822, data comemorada nesta sexta-feira (7).

As autoridades de Campinas se empenharam em deixar a cidade impecável para a passagem do imperador. As ruas e praças foram enfeitadas, arcos iluminados a gás foram instalados na Rua Constituição, hoje Costa Aguiar, Rua Direita (Barão de Jaguará), Largo da Matriz Velha (do Carmo) e Largo da Matriz Nova (Conceição). Também foram construídos coretos para apresentações musicais.

No livro Crônicas de Campinas, o escritor e historiador Jorge Alves de Lima conta com detalhes como foram os dias da visita do imperador à cidade. D. Pedro ficou hospedado no palacete de Joaquim Egídio de Souza Aranha, então conde de Três Rios. A residência que ficava onde hoje está o edifício Catedral.

Em 22 de outubro, quando o imperador chegou a Campinas, havia mais de 4 mil pessoas na Estação Cultura a sua espera. Ele foi recebido com fogos de artifício, flores e um belo banquete preparado na época pelo restaurante La Ville de Florence, de Dário Pisani. D. Pedro nesse mesmo dia foi até Poços de Caldas num vagão do trem decorado com cadeiras de seda na cor grená e consolo espelhado, estilo Luis XV. O imperador retornou à Campinas e passou mais dois dias na cidade.

O historiador conta em seu livro que D. Pedro não seguiu a agenda oficial na cidade. Resolveu visitar algumas fábricas, igrejas, hospitais e escola. Ouviu peças musicais na Catedral executadas por Antônio Carlos de Sampaio Peixoto, no mesmo órgão que está na igreja hoje e que recentemente foi restaurado.  

Foi nessa visita que conheceu Maria Monteiro, uma jovem cantora lírica na época. Ele se encantou com a apresentação. Mandou Maria para a Itália em 1887. A cantora foi a primeira artista lírica brasileira a fazer sucesso na Europa. Ela faleceu em 1897 e deu nome a uma das mais importantes e conhecidas ruas do Cambuí.

"D. Pedro II possuía intuição apurada para descobrir talentos com pendores intelectuais e artísticos e não media esforços para mandá-los à Europa, como fez com Carlos Gomes, o maior gênio musical do continente americano", relata Alves de Lima.

FÁBRICAS

Acompanhado do Conselheiro Antônio Prado, ministro da Agricultura, do Barão de Parnaíba e do fidalgo marquês de Paranaguá, D. Pedro foi até a Indústria Arens, fabricante de implementos agrícolas onde conversou com 140 operários. Logo após, conheceu a empresa Lidgerwood, onde percorreu oficinas de ferraria, carpintaria, fundição e dialogou com 198 operários. Também conheceu a Mac-Hardy, fabricante de máquinas agrícolas e seus trabalhadores.

ESCOLAS E HOSPITAIS

Antes de sua partida, D. Pedro Fez uma doação do próprio bolso de 1 conto e 900 mil réis entregue ao juiz José Joaquim Baeta Neves, que ficou responsável por distribuir aos hospitais, escolas e aos pobres. Mostrou seu lado caridoso ao fazer uma doação do próprio bolso aos hospitais Beneficência Portuguesa e Santa Casa de Misericórdia, a escolas e aos pobres. 

"D. Pedro II encaminhou-se ao hospital da Sociedade Portuguesa de Beneficência, sendo recebido à entrada pela diretoria e por uma chuva de flores jogadas pela multidão que o aplaudia calorosamente. O imperador visitou todas as dependências do modelar estabelecimento hospitalar e comoveu os doentes pelo interesse em desvelo que demonstrou, principalmente aos desvalidos", relata Alves de Lima.

D. Pedro morreu em Paris, em 1891 e recebeu todas as honrarias de chefe de Estado das autoridades francesas.



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