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Mortes por suicídio triplicam em Campinas desde os anos 90

Compilação de dados foi feito de forma inédita por centro ligado à Faculdade de Medicina da Unicamp

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Unicamp, em Campinas. (Foto: Luciano Claudino/Código19) 

Estudo inédito realizado pelo CCAS (Centro Colaborador em Análise de Situação de Saúde), da FCM (Faculdade de Ciências Médicas) da Unicamp, e divulgado nesta terça-feira (11), revelou que as taxas de morte por suicídio em Campinas mais que triplicaram entre 1990 e 2017, indo de 1,7 para 5,6 pessoas por 100 mil habitantes.

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Enquanto em 2000 os suicídios respondiam por apenas 3,7% dos óbitos por causas externas, em 2017 eles correspondiam por 10,8% dessas mortes. É o primeiro boletim sobre o tema elaborado pelo grupo. Os dados foram obtidos por meio de relatório do Departamento de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Campinas.

O boletim aponta ainda que a taxa de suicídio dos homens é 4,4 vezes superior à das mulheres e que as taxas neste sexo aumentam com a idade até a faixa de 40 a 59 anos, sofrendo uma pequena queda na faixa etária dos 60 anos em diante. Já entre as mulheres, as taxas de suicídio aumentam com a idade, apresentando os maiores valores entre as idosas.

TENTATIVA

Além de dados sobre mortes por suicídio, o boletim também traz informações sobre tentativas de suicídio e sobre a prevalência de alguns indicadores de sofrimento psíquico na população de Campinas. Dados do SISNOV/SINAN revelam que de 2015 a 2017 foram notificadas 868 tentativas de suicídio de moradores da cidade.

A maior taxa de tentativas ocorreu nos adolescentes de 15 a 19 anos, com 59,9 casos por 100 mil habitantes. As taxas de tentativas de suicídio são mais elevadas nas mulheres em todas as faixas de idade, sendo as maiores diferenças entre os sexos observadas nas idades abaixo de 20 anos (94/100 mil habitantes).

"O suicídio é um fenômeno complexo com muitos fatores biológicos, psíquicos, culturais e sociais interagindo. É relacionado com sofrimento psíquico insuportável. A presença de doença mental, em especial de depressão e de abuso de droga e álcool, história de abusos físicos na infância e a presença de um componente de impulsividade e agressividade, são condições comumente associadas ao suicídio, além de possível contribuição genética", explica Marilisa Berti de Azevedo Barros, coordenadora do CCAS e docente do Departamento de Saúde Coletiva da FCM.  

PREVENÇÃO

"Embora o suicídio e o comportamento suicida sejam eventos complexos, existem estratégias de prevenção com eficácias já comprovadas. Entre as medidas recomendadas, é destacada a iniciativa de redução de acesso aos meios, como do acesso a armas de fogo e a substâncias tóxicas. Dada a forte associação do suicídio com transtorno depressivo e outros transtornos psíquicos e considerando que o risco de suicídio é 100 vezes maior nas pessoas que já tentaram se matar, é essencial o acompanhamento cuidadoso desses pacientes pelos serviços de saúde", reforça Marilisa.

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