Após permanecer parado desde o início de 2025, o relógio centenário da Catedral Metropolitana de Campinas voltará a funcionar na próxima segunda-feira (8), Dia da Padroeira Nossa Senhora da Conceição, às 9h. A reinauguração contará com a presença do prefeito Dário Saadi (Republicanos) e do arcebispo Dom João Inácio Müller, marcando o retorno de um dos símbolos históricos mais tradicionais do Centro de Campinas.
Além de retomar a marcação das horas para quem circula pela região central, o relógio passou por uma restauração completa. O mecanismo original foi recuperado, a estrutura da torre recebeu reforços após danos na base de madeira e o sistema de automação dos anos 1980 foi trocado por tecnologia moderna, que volta a sincronizar o toque dos sinos.
Peça histórica parou completamente no começo do ano
Instalado em 1880, o relógio já apresentava falhas desde julho do ano passado e parou de vez no início de 2025, segundo o pároco da Catedral, padre Caio Augusto de Andrade. A restauração começou em junho deste ano e incluiu intervenções no mecanismo, na estrutura da torre e na parte de automação.
Três frentes de recuperação
A obra envolveu três etapas principais, que devolveram ao equipamento a precisão e segurança originais.
1. Mecanismo histórico restaurado
A primeira foi no próprio mecanismo histórico: uma peça do carretel — responsável por permitir que o peso que aciona o relógio fosse enrolado e mantido em movimento — havia quebrado. Como o sistema funciona inteiramente pela força da gravidade, a falha no carretel comprometeu todo o funcionamento.
2. Torre reforçada após danos estruturais
A segunda etapa foi estrutural. A antiga base de madeira que sustentava o relógio estava rachada e infestada por cupins. Para garantir segurança e estabilidade, a equipe reforçou toda a área com vigas e aço, criando uma sustentação capaz de suportar o peso do mecanismo independentemente da madeira original.
3. Automação modernizada
A terceira intervenção modernizou a automação instalada na década de 1980, que já estava obsoleta e apresentava falhas constantes. O sistema foi completamente revisado e substituído por componentes modernos, permitindo que o relógio volte a operar com regularidade, inclusive restabelecendo o toque dos sinos sincronizado com as horas marcadas, como ocorria originalmente.
Veja fotos da reforma:








Ajuda no restauro
Além do trabalho técnico, o processo também contou com a participação de uma bem figura conhecida no entorno da Catedral. O morador em situação de rua, César, que vive em volta do local há anos, auxiliou a equipe na limpeza das engrenagens, remoção de graxa e óleo e na preparação do mecanismo para voltar a funcionar.
“Ele auxiliou o técnico de relógio. Ele trabalhou na limpeza das engrenagens, porque tem muita graxa, muito óleo. Ele ajudou a limpar esses cabos de aço, os pesos, a limpar as engrenagens”,
disse o padre Caio.
Como funciona um relógio de torre a peso
O relógio da Catedral segue o princípio clássico dos “relógios de torre” do século XIX, construídos para marcar a hora de maneira contínua, estável e sem necessidade de energia elétrica. O mecanismo é baseado em três componentes principais:
Sistema a peso
Um grande peso de ferro, preso a um cabo, desce lentamente e fornece força ao mecanismo. À medida que desce, movimenta engrenagens internas. Essa energia é controlada por um escape, peça responsável pelo ritmo do relógio, garantindo que a força seja liberada em cadência regular.
Engrenagens e transmissão de movimento
As engrenagens transformam o movimento do peso no giro contínuo dos ponteiros no mostrador externo. Em muitos modelos, inclusive o da Catedral, o mesmo mecanismo também aciona o toque dos sinos.
Pêndulo regulador
O pêndulo, oscilando constantemente, dita o passo do relógio. Ele funciona como o “coração” do sistema, garantindo marcação precisa do tempo.
Para operar corretamente, mecanismos desse tipo precisam de cuidados constantes, como:
- Lubrificação periódica das engrenagens para evitar desgaste;
- Inspeção do cabo e do carretel, que sustentam o peso responsável pelo movimento;
- Ajuste do pêndulo, essencial para corrigir eventuais adiantamentos ou atrasos;
- Avaliação estrutural da base que sustenta o relógio;
- Limpeza interna para remover poeira ou detritos;
- Revisão do sistema de automação.
No caso da Catedral, a modernização da automação foi decisiva para acabar com as paradas frequentes registradas nos últimos anos, segundo o padre.
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