
A seca deste ano é considerada igual a vivida no momento pré-crise hídrica de 2014, de acordo com um relatório do Consórcio Intermunicipal das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ).
De acordo com órgão, caso o comportamento climático atual se mantenha, o sistema Cantareira deve chegar em dezembro deste ano com apenas 20,2% do volume útil. O dado é semelhante ao verificado em dezembro de 2013, quando o sistema bateu os 21% de reserva.
Na época, isso levou o consórcio a liberar o seu primeiro alerta para a potencial crise hídrica que se confirmou no ano seguinte.
Segundo o órgão, os municípios que serão mais impactados a princípio são os que não possuem uma reserva estratégica, seja de reservatórios municipais ou de rios que são regulados pelo sistema Cantareira.
Ainda segundo o PCJ, na RMC (Região Metropolitana de Campinas) duas cidades já estão fazendo racionamento de água por conta da estiagem. Hoje, o racionamento começou em Valinhos. Já em Santo Antônio de Posse a situação dura há 111 dias.
“Já estamos recomendando que todas as Defesas Civis cadastrem todos os caminhões-pipa possíveis, municipais ou particulares. Isso também vale para reservatórios particulares e empresas que aluguem engate para levar rápido água de um ponto a outro. Além disso, que os laboratórios e companhias de saneamento adquiram cloro e carvão ativado com antecedência, pois a água estará pior. Temos que pensar em tecnologia para equacionar isso. Temos que pensar antes que aconteça”, disse o Secretário Executivo do Consórcio PCJ, Francisco Lahóz.
MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Este ano está sendo marcado por mudanças bruscas em relação ao clima a todo momento. Além do tempo seco extremo, a região também vivenciou o inverno mais rigoroso desse século, sendo que em julho Campinas atingiu 3,5°C e teve a temperatura mais baixa em 21 anos.
A mudança foi demonstrada com os alertas de frio. Segundo a Defesa Civil, em 2020 foram ao todo 40 alertas de baixa temperatura entre maio e setembro. Esse ano, já foram 82.
“Uma das principais consequências das mudanças climáticas são os eventos meteorológicos e climáticos extremos. Esse ano tivemos o evento das geadas, que atingiram o Centro-Sul do país, e agora estamos vivendo uma situação de seca extrema”, comentou Ana Ávila, meteorologista do Cepagri.
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CHUVA E MUDANÇA NO TEMPO
Desde a noite de ontem as condições de tempo começaram a mudar, em função da aproximação de uma frente fria. Os ventos ficaram mais intensos, com velocidades sustentadas em torno de 30 km/h o que deve persistir ao longo do final de semana.
Segundo o Cepagri a tendência para o final de semana é de céu nublado, temperaturas amenas (ente 17 e 25ºC), ventos moderados. A chuva é esperada a partir da tarde de sábado e, principalmente, no domingo.