O Devisa (Departamento de Vigilância em Saúde) de Campinas ainda espera análises para identificar se a cepa do “superfungo” Candida auris, diagnosticado em um recém-nascido da cidade, é do tipo mais resistente a medicamentos. A informação foi confirmada pela infectologista do órgão, Valéria Almeida, que explica que o município aguarda um sequenciamento genético (veja abaixo).
O primeiro caso do fungo em Campinas e do estado de São Paulo foi confirmado nesta quarta-feira (7) pelo Caism (Hospital da Mulher da Unicamp). De acordo com a própria unidade de saúde, o paciente é um bebê internado no local e que “vem apresentando boa evolução clínica”, apesar de “sua prematuridade e baixo peso”, condições “que não estariam diretamente relacionadas à infecção”.
LEIA TAMBÉM
Veja como fica o clima e se chove neste feriado na região
Ladrões furtam notebooks, computadores e televisão de unidade de ensino em Nova Odessa
“Tendo sido realizada uma ampla investigação entre outros pacientes do hospital, nenhuma outra pessoa foi diagnosticada com o referido agente patológico até o presente momento. Novos rastreamentos estão sendo realizados com vistas a confirmar esse resultado”, argumenta ainda o hospital.
Ainda segundo o Caism, a confirmação ocorreu no dia 18 de maio e “desde então, todas as medidas de contenção e de tratamento têm sido tomadas”. Entre elas, o reforço na limpeza do espaço, o uso de materiais exclusivos para o tratamento do infectado e o impedimento de que os mesmos profissionais atendessem outros bebês. Até o momento, não há mais casos suspeitos.
‘SUPERFUNGO’ RESISTENTE
O fungo Candida auris é um microrganismo capaz de resistir aos principais medicamentos antifúngicos. As infecções muitas vezes possuem alta morbidade e mortalidade associadas. O fungo foi relatado pela primeira vez no Japão em 2009. O primeiro caso no Brasil foi identificado em novembro de 2020, em um paciente de 59 anos, internado na UTI de um hospital de Salvador, na Bahia.
Questionada sobre o que se sabe até o momento sobre o bebê infectado, a médica infectologista do Devisa, Valéria Almeida, explica que não é possível confirmar que a cepa identificada em Campinas seja do tipo mais resistente. “A gente está em monitoramento junto ao hospital. O bebê está bem e, pra gente saber qual cepa é, ainda vamos submeter a um sequenciamento genético”, diz.
HOSPITAL ATENDE NORMAL
De acordo com a secretaria municipal de Saúde, a situação não impede o Caism a funcionar e realizando partos. Depois de rastrear e identificar os trabalhadores que tiveram contato com o bebê, porém, as medidas para evitar novos casos incluem a adoção e o reforço das seguintes medidas dentro da unidade:
- Limpeza e desinfecção do local de internação e dos equipamentos médico-hospitalares com produto à base de peróxido de hidrogênio
- Reforço da orientação das equipes assistenciais quanto às técnicas adequadas de
higienização das mãos e de paramentação (uso de luvas, toucas, aventais, etc.) - Realização de limpeza concorrente do local de internação no mínimo a cada 3 horas. Ao contrário da limpeza terminal, que ocorre após a alta do paciente ou a sua transferência para outra área, a limpeza concorrente é realizada durante a permanência do paciente no ambiente de cuidados de saúde
- Designação de artigos e produtos para saúde exclusivos para o paciente durante o período de internação
- Redução do número de visitas ao caso fonte. Seus visitantes têm recebido reforço das orientações sobre higiene das mãos, uso de avental e luvas. As coletas de leite deverão ocorrer na mesma sala onde o neonato estiver internado, com a supervisão e orientação da equipe de enfermagem. A movimentação dos pais dentro do hospital deve ser a mínima e indispensável.
LEIA MAIS