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CampinasCotidianoTaxa de fecundidade atinge nível mais baixo da história e idade média para ter filhos aumenta

Taxa de fecundidade atinge nível mais baixo da história e idade média para ter filhos aumenta

Proporção de mulheres sem filhos aos 50 anos subiu de 13% para 18%, segundo o IBGE

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A taxa de fecundidade no Brasil atingiu, em 2022, o menor nível já registrado, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (27) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O levantamento confirma uma tendência que vinha sendo apontada por outras estatísticas reprodutivas: mulheres estão tendo filhos cada vez mais tarde — e, em alguns casos, optando por não ter.

Em São Paulo, a idade média de fecundidade passou de 27 anos, em 2010, para quase 29 anos, em 2022. A mudança é ainda mais acentuada entre mulheres com menos escolaridade: aquelas sem instrução formal ou com ensino fundamental incompleto tinham, em média, 25 anos quando se tornavam mães em 2010; em 2022, a média subiu para 27 anos. Entre mulheres com ensino superior completo, no entanto, a variação foi mínima, de 31,2 para 31,3 anos no mesmo intervalo.

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Não ter filhos

A pesquisa também mostra que cresceu o número de brasileiras que encerram a vida reprodutiva sem ter filhos. Entre as mulheres com idade entre 50 e 59 anos, a proporção das que não tiveram filhos subiu de 13%, em 2010, para 18% em 2022.

Essas mudanças refletem o envelhecimento da curva de fecundidade, que em 2010 se concentrava na faixa dos 20 a 24 anos e, em 2022, migrou para o grupo dos 25 a 29 anos. O fenômeno atinge inclusive os segmentos que historicamente apresentavam taxas mais altas de natalidade, como as mulheres mais jovens e com menos escolaridade.

O que explica?


Entre os fatores que explicam o adiamento da maternidade estão o aumento da escolaridade feminina, a busca por maior inserção no mercado de trabalho e os planos de carreira. Nos últimos anos, no entanto, o contexto de incertezas econômicas e sociais também tem influenciado a decisão de adiar — ou até evitar — a gravidez. Preocupações com instabilidade financeira, mudanças climáticas e conflitos internacionais têm levado muitos casais a rever seus projetos reprodutivos, em um movimento semelhante ao observado em países europeus.

“Parte da explicação pode ser dada a questão de escolarização, ampliação da escolarização em diferentes grupos, camadas sociais, começaram a investir em educação. Então, parte do processo a gente pode atrelar a isso, pensando em carreira. Uma discussão mais recente está atrelada à questão de incertezas, que veio junto da pandemia. Incertezas futuras econômicas, estabilidade global geopolítica e questões climáticas que é o que a gente está observando atualmente”,

explica Everton de Lima, demógrafo e professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e pesquisador do Núcleo de Estudo de População Elza Berquó (Nepo-Unicamp).

Escolhas

A analista de comércio exterior, Julia Evelin, tem 52 anos e não teve filhos. “Foi naturalmente, teve um momento da minha vida que eu tive um relacionamento com uma pessoa que eu admirava muito, acreditava que seria um bom pai, mas não aconteceu”.

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Ela conta que já morou em vários lugares por causa do trabalho e também cita a falta de companheirismo.

“Mudei de estado, morei em outro país também e foi acontecendo. Quando eu vi, já estava com 40 anos e não tive filhos. Relacionamento também está muito difícil, os homens hoje acima dos 40 anos não estão tão comprometidos com a família”,

ressalta.

Sem esquecer outras dificuldades. “Sem falar que tá tudo muito caro, né? Hoje, por um filho no mundo é uma responsabilidade imensa. Você tem que trabalhar mais, estar mais ausente da educação dele, porque você tem que trabalhar para pagar uma boa escola, dar um esporte, um idioma. Não me afeta emocionalmente o fato de eu não ter filhos, até por eu ter muitos sobrinhos e sobrinhos netos. Levo numa boa”, afirma.

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Aos 25 anos, a analista fiscal Gabriela Padovani chegou à conclusão que era hora de ser mãe. Ela conta que conversou com o marido e engravidou rápido. “Porque já estávamos casados há dois anos e somos novos. Pensamos que quando tem amor, né? A gente já está trabalhando mesmo, não tem problema, resolvemos parar de tentar não ter filhos. Tomamos essa decisão em novembro e quando foi em maio, descobri que já estava grávida dela”, conta.

Pra ela, a escolha trouxe muita felicidade. “Encheu nossa casa de amor, de alegria, a nossa e das pessoas que estão à nossa volta. Ela é tudo pra gente hoje”.

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Giovanna Peterlevitz
Giovanna Peterlevitz
Repórter no ACidade On Campinas. Tem experiência na cobertura de grandes factuais nacionais e internacionais, nas diversas áreas de jornalismo. Já atuou em direção de imagens, edição de vídeo, produção, reportagem, redação e edição de textos e também na apresentação de telejornais e programas de entrevista.

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