Três cursos de Medicina da região de Campinas foram mal avaliados no Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), prova que mede o desempenho dos estudantes e a qualidade do ensino. Tanto a Faculdade São Leopoldo Mandic, de Campinas, quanto a Anhembi Morumbi Piracicaba obtiveram nota 2. Já a Faculdade Municipal Professor Franco Montoro de Mogi Guaçu foi avaliada com a nota 1. Em nota, a Faculdade São Leopoldo Mandic contestou a metodologia aplicada pelo MEC (Ministério da Educação) e apontou supostos erros nos cálculos. (Veja mais abaixo)
Os três cursos estarão sujeitos a punições com restrição no Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e suspensão da abertura de novas vagas, uma vez que as notas 1 e 2 são apontadas como insatisfatórias pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).
Considerada para compor o conceito Enade, a nota do Enamed vai de 1 a 5. Segundo o MEC (Ministério da Educação), 351 cursos em todo Brasil foram avaliados, incluindo universidades públicas, privadas (com e sem fins lucrativos) e especiais. Deste total, 99 cursos poderão sofrer punições da pasta e oito terão o vestibular suspenso.
Além disso, outros 13 cursos terão redução de 50% das vagas e 33 terão redução de 25% das vagas. Veja a distribuição dos cursos, segundo o MEC:
- Conceito 1: 7,1% dos cursos
- Conceito 2: 23,6% dos cursos
- Conceito 3: 22,7% dos cursos
- Conceito 4: 33% dos cursos
- Conceito 5: 13,6% dos cursos
Posicionamento
Procurada, a Faculdade Municipal Professor Franco Montoro de Mogi Guaçu, avaliada com nota 1, atribuiu a avaliação à falta de comprometimento dos alunos da instituição e afirmou que a importância do Enamed será destacada desde o início do período letivo de 2026.
“Nosso curso iniciou em 2020, com exatos 28 dias de aula ocorreu o “lock down” da pandemia COVID-19 e, por longos 18 meses tivemos aulas online. Formamos a primeira turma com o curso reconhecido. Infelizmente, alguns alunos não entenderam a importância da prova para a Instituição e não respeitaram nem o tempo mínimo do exame, o que fez com que as notas, no cômputo geral, fossem puxadas para baixo. Muitos alunos obtiveram acima de 75% de aproveitamento, os mais comprometidos e cientes que o nome da Instituição são eles que levam adiante. Este ano, desde o início do ano letivo, já incentivaremos a importância desta prova para o nome da instituição de ensino”,
disse a instituição em nota.
Já a Faculdade São Leopoldo Mandic afirmou que “foram identificadas inconsistências sistêmicas na divulgação pública dos dados pelo Ministério da Educação, com divergências significativas entre as notas publicadas e aquelas disponíveis às próprias instituições na plataforma oficial E-MEC”. Veja na íntegra:
“O Grupo Mandic reafirma seu compromisso histórico com a excelência na formação médica, fruto de investimentos contínuos em infraestrutura de ponta, corpo docente qualificado e uma proposta pedagógica centrada no cuidado integral do paciente. Diante da recente divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (ENAMED), a instituição esclarece que foram identificadas inconsistências sistêmicas na divulgação pública dos dados pelo Ministério da Educação, com divergências significativas entre as notas publicadas e aquelas disponíveis às próprias instituições na plataforma oficial E-MEC. Este cenário afeta diversas instituições de ensino superior em nível nacional, sendo fundamental que a leitura dos resultados se baseie exclusivamente nas informações oficiais de acesso institucional.
diz a nota da Mandic.
Os dados institucionais oficiais apontam desempenho consistente, com destaque para a Faculdade de Medicina do Sertão (Conceito 4) e Campinas (Conceito 3). Sobre o resultado de Araras (Conceito 2), a instituição ressalta que o exame foi aplicado a alunos do 11º período, sem impacto imediato em suas carreiras, o que gerou um baixo engajamento, com apenas 15% de adesão ao Exame Nacional de Residência. A instituição reforça que o desempenho isolado em uma prova não reflete a qualidade de seu projeto pedagógico e defende uma revisão no modelo de avaliação para que os próximos ciclos garantam maior adesão discente e precisão nos resultados”,
Entramos em contato com a Anhembi Morumbi Piracicaba e a matéria será atualizada assim que recebermos um posicionamento.
O que acontecerá com as instituições mal avaliadas?
Os cursos de instituições avaliadas com o conceito 2, como é o caso da Faculdade São Leopoldo Mandic de Campinas e da Anhembi Morumbi Piracicaba, poderão sofrer uma redução nas vagas de ingresso. Já as graduações com nota 1 terão a suspensão total do ingresso de novos estudantes.
Faculdades podem recorrer
A Seres (Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior) vai instaurar um processo administrativo de supervisão de instituições, que por sua vez terão a oportunidade de recorrer e apresentar justificativas ao MEC.
Caso a pasta não aceite as justificativas, as punições passam a valer até a obtenção de uma nova nota no Enamed.
Enamed
Criado pelo MEC em abril de 2025, o Enamed substitui o Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) para Medicina. No ano passado, a avaliação foi aplicada para todos os alunos concluintes, mas também deve ser aplicada no 4º ano do curso a partir de 2026.
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