A votação do projeto que propõe a autarquização da área da saúde da Unicamp (Universidade de Campinas) foi suspensa duas vezes nesta terça-feira (16), após protestos de servidores e estudantes. A proposta estava em análise pelo Consu (Conselho Universitário) e prevê que os hospitais da universidade deixem de integrar a estrutura administrativa e financeira da instituição.
Pelo projeto, a área da saúde passaria a funcionar como uma autarquia, reunindo oito órgãos, entre eles o HC (Hospital de Clínicas) e o Caism (Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher). A nova estrutura seria vinculada à secretaria de Estado da Saúde de São Paulo para fins administrativos e financeiros.
A primeira suspensão ocorreu pela manhã, quando manifestantes contrários à proposta entraram na sala onde o Conselho Universitário se reunia presencialmente. Durante o protesto, participantes reclamaram que as portas da reunião estavam fechadas à comunidade universitária.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp, após a interrupção, a reitoria tentou manter a votação e transferiu a sessão para o prédio da Funcamp (Fundação de Desenvolvimento da Unicamp). Por volta das 15h20, a reunião foi retomada em formato remoto, mas cerca de uma hora e meia depois houve nova suspensão, após a entrada de manifestantes no prédio da fundação.
Ainda de acordo com o sindicato, estudantes relataram dificuldades para acessar o link da votação online, o que motivou pedidos de suspensão definitiva da sessão. A solicitação, segundo a entidade, não foi atendida pela reitoria.
Servidores parados
Desde a segunda-feira (15), cerca de 30% dos servidores da área da saúde estão paralisados em protesto contra a proposta. Trabalhadores temem impactos nas condições de trabalho, na autonomia universitária e no atendimento à população.
Em nota, a reitoria declarou ser “profundamente lamentável que uma universidade da dimensão e da relevância da Unicamp seja submetida a práticas incompatíveis com os princípios democráticos que regem a vida universitária”, em referência às interrupções da sessão.
Segundo o cronograma apresentado pela administração central, a expectativa é que o projeto seja aprovado institucional e legalmente no primeiro semestre de 2026. A reorganização administrativa e financeira ocorreria entre 2026 e 2027, enquanto a expansão e consolidação do modelo estão previstas para o período de 2027 a 2036.
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