
A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) lançou um programa para oferecer bolsas de estudos a alunas mulheres matriculadas em cursos de ciências exatas e tecnológicas. Chamada Women in Stem (sigla em inglês para ciências, tecnologia, engenharia e matemática), a iniciativa vai pagar, por um ano, o valor de R$ 700 mensais a 30 alunas selecionadas.
Nessa primeira etapa de implementação, as estudantes já foram escolhidas, por meio de uma avaliação socioeconômica pelo SAE (Serviço de Apoio ao Estudante). Elas estiveram presentes no lançamento do programa, que ocorreu no começo desse mês, em cerimônia realizada na sala do Conselho Universitário.
O evento também contou com a presença do reitor da Unicamp, Antonio José de Almeida Meirelles, e da coordenadora-geral da Universidade, Maria Luiza Moretti, entre outros convidados.
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PROGRAMA WOMEN IN STEM
Os recursos para o pagamento das bolsas de permanência estudantil são advindos de uma doação realizada pela empresa Qualcomm ao Fundo Patrimonial Lumina, no valor total de US$ 750 mil (cerca de R$ 3,8 milhões). Esse Fundo tem o objetivo de atrair recursos perenes para a Universidade e financiar projetos e iniciativas de ensino, pesquisa, extensão e inovação.
Para o presidente da Qualcomm América Latina, Luiz Tonisi, a iniciativa Women in Stem contribui com o desejo de grandes corporações em promover a equidade de gênero em suas equipes. “As empresas se deparam com o compromisso de promover a ascensão de mulheres em seus quadros de liderança, mas há também um problema na base, no acesso de mulheres às carreiras científicas”, explica.
As jovens contempladas pelo programa também já percebem a desigualdade existente em áreas que ainda apresentam um predomínio masculino:
“Conforme as disciplinas avançam e a dificuldade aumenta, vemos vários alunos homens se destacando e pensamos: ‘Será que essa é uma área para eles, não para mim?’”, questiona Rebeca Santos, estudante do terceiro ano de Engenharia de Telecomunicações.
Apesar de termos visto muitos avanços na participação feminina na graduação e pós-graduação, ainda há barreiras em estágios mais avançados da carreira científica, que fazem com ela diminua muito, segundo a coordenadora do SAE, Mariana Nery. “É muito bom participar do processo de construção de um futuro em que as mulheres não são espectadoras, mas protagonistas”, conclui.
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