
Uma aluna da PUC-Campinas, que preferiu não ser identificada, relatou o desconforto que sentiu após o professor da disciplina de administração estratégica do curso de Relações Internacionais comparar a obrigatoriedade de um trabalho universitário com o estupro. O caso aconteceu na última sexta-feira (12), quando o docente disse que “se o estupro é inevitável, relaxa e goza” – a fala está gravada em vídeo (veja abaixo).
“Os alunos estavam conversando com o docente sobre um projeto educacional, o MONUEM, assim, o docente comparou a obrigatoriedade do projeto educacional ao estupro, se já era obrigatório, igual no estupro – e aí proferiu a fala”, comentou.
Após a fala de apologia ao estupro, alguns alunos teria se levantado e se retirado da sala de aula. “O comentário causou um choque em todos, que por estarem tendo uma conversa nada relacionada ao assunto, se surpreenderam com essa. Diante disso, após alguns minutos depois da fala, quando começaram a compreender o que realmente tinha acontecido, os alunos levantaram e se retiraram da sala”, finaliza a aluna.
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Em nota, a instituição de ensino disse que repudia qualquer tipo de alusão ao crime. Além disso, afirmou que o comentário será investigado. “A PUC-Campinas repudia qualquer tipo de alusão ao estupro que possa amenizar ou incentivar esse tipo de crime. O comentário proferido em sala de aula, na última semana, é alvo de apuração por parte da Instituição”, informou a nota.
Nas redes sociais, a Associação Atlética da Faculdade de Ciências Econômicas, Contábeis e Administrativas publicou uma nota de repúdio na quarta-feira (17). “A Associação Atlética Acadêmica Professor José Geraldo de Souza Carreira repudia qualquer fala ou ação que contribua com a cultura do estupro. A Faceca ressalta a postura de que falas que fazem apologia ou incentivo ao estupro como a citada não devem ser normalizadas, mas sim, combatidas”, diz o comunicado.
A apuração do acidade on Campinas entrou em contato com o professor, mas ele afirmou que não vai se manifestar sobre o ocorrido e que as informações do caso devem ser tratadas diretamente com a PUC-Campinas.
CARTA DE REPÚDIO
Após o ocorrido, o Centro Acadêmico de Relações Internacionais divulgou uma carta de repúdio e solicitou uma resposta por parte da Universidade sobre a fala do professor em sala de aula. Leia a carta na íntegra abaixo:
“O Centro Acadêmico de Relações Internacionais XXVI de Setembro repudia qualquer fala ou ação que contribua com a cultura do estupro. Estupro é configurado como crime pelo Artigo 213 da Constituição Brasileira, e qualquer fala que contribua, atenua ou relativize o assunto deve ser penalizada, uma vez que pode atingir vítimas muitas vezes já debilitadas, alem de incentivar e banalizar o crime.
Sendo assim, o CARI pede uma resposta da Pontifícia Universidade Católica de Campinas a respeito da fala proferida “se o estupro é inevitável, relaxa e goza” em sala de aula por um docente, no dia 12 de Maio de 2023, que gerou grande desconforto e revolta aos alunos presentes. O Centro Acadêmico ressalta a postura de que falas que fazem apologia ou incentivo ao estupro como a citada não devem ser normalizadas, mas sim, combatidas.
Também nos solidarizamos com os indivíduos que se sentiram atingidos com o discurso, dando apoio no que estiver ao nosso alcance.”
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