O Brasil está localizado no hemisfério Sul, local privilegiado para o avistamento de astros e estrelas. Em todo o país, são mais de 20 observatórios astronômicos e planetários à disposição daqueles que querem observar as maravilhas do céu. Mas você sabia que o primeiro observatório municipal brasileiro fica em Campinas?
Inaugurado em 1977 no Pico das Cabras, no distrito de Joaquim Egídio, o Observatório Municipal Jean Nicolini é até hoje destaque no cenário do astroturismo no país. Segundo a Administração do espaço, o planetário recebe cerca de 12 mil visitantes e estudantes por ano.
Ao visitar o observatório, os apaixonados por astronomia podem avistar corpos celestes, ‘super luas’, eclipses e chuvas de meteoros através de quatro telescópios diferentes. Em 2018, moradores da região puderam ver o eclipse lunar mais longo do século, com uma duração total de aproximadamente 1 hora e 43 minutos, com uma vista privilegiada do observatório.
Além de realizar esses eventos especiais quando acontecem fenômenos celestes, o Observatório Municipal também é aberto de terça-feira e domingo, das 17h às 21h, para a apreciação do público, e disponível para passeios escolares sob agendamento. Os valores da entrada variam entre R$ 5 (meia) e R$ 10 (inteira).
Como surgiu o Observatório Municipal de Campinas?
Segundo o técnico em astronomia Rubens Mathias Azevedo, que trabalha há 11 anos no Observatório de Campinas, o espaço foi inaugurado em 1977 como o primeiro observatório municipal do país.
“Na época, ele era chamado de Estação Astronômica de Campinas. Em 1992, foi acrescentado ao nome do Observatório o nome de Jean Nicolini, em memória ao entusiasta da divulgação da ciência astronômica no Brasil e fundador da sociedade civil Observatório do Capricórnio, entidade que utiliza o espaço físico do Observatório Municipal para atuação conjunta”, explicou.
Atualmente, ele é administrado pela Prefeitura de Campinas, por meio da secretaria Municipal de Cultura, e atua com pesquisa e difusão do conhecimento da ciência astronômica.
O local possui quatro telescópios, com características distintas, sendo que o telescópio de 0.5 m é muito utilizado para atividade com público e escolas devido a sua versatilidade no manuseio.

Qual a relação do astrônomo Júlio Lobo com o observatório?
O astrônomo Júlio Lobo, que morreu em maio deste ano em decorrência de um tromboembolismo pulmonar, aos 64 anos, atuou por 47 anos no Observatório Municipal de Campinas.
De acordo com a administração municipal, o astrônomo integrava o grupo de “caçadores de meteoros”, rede de astrônomos amadores e profissionais que estudam os fenômenos estelares.
Ele atuava no Observatório Municipal de Campinas desde os 17 anos, quando começou como estagiário em 1977, ano de inauguração do espaço.
Segundo Rubens, o astrônomo foi peça chave para garantir a visibilidade e manutenção do observatório, sempre lutando pelo espaço da ciência na vida das pessoas.
“Júlio tinha contato com todo o pessoal da astronomia no Brasil inteiro, até fora. Então ele foi uma pessoa muito importante para manter o observatório operando e com visibilidade. Ele fazia muita divulgação e tentava promover eventos lá que davam visibilidade para o observatório”, disse.
Com a missão de popularizar a astronomia e fazer pessoas de todas as cidades se interessarem por ela, Lobo abriu as portas do observatório muitas vezes para que grupos diversos realizassem a observação dos astros. Um caso lembrado pelo técnico de astronomia foi quando o astrônomo propôs o festival “Food Truck nas Estrelas”, em 2015, que unia, ao mesmo tempo, gastronomia e astronomia. O evento atraiu mais de 2,5 mil pessoas e chegou a parar o trânsito na estrada para o observatório, de acordo com Rubens.
“Júlio sempre foi um homem de ideias inovadoras. Uma vez ele resolveu criar o Food Truck nas Estrelas, um festival que misturava gastronomia e astronomia dentro do observatório. Foi um sucesso. Mais de 2.500 compareceram e a estrada ficou com um congestionamento enorme para chegar até aqui”, lembrou.

Luta pelo céu da região
Além de ser dono de ideias geniais, segundo Rubens, Júlio Lobo, também liderou um projeto crucial para combater a poluição luminosa na região, uma batalha que envolveu muitos desafios e confrontos com os moradores locais.
Ele propunha criar uma área de proteção estelar nos distritos de Sousas e Joaquim Egídio. A área teria regras em relação à luminosidade para garantir que as estrelas continuem a ser visualizadas no observatório. Segundo ele, a poluição luminosa da cidade e dos veículos já prejudica as observações. O projeto foi levado à Câmara de Campinas, mas não teve andamento.
“Sua principal missão era garantir ao público a experiência de ver um céu estrelado, algo cada vez mais raro nas grandes cidades. Ele tentava fazer de tudo para que o pessoal não iluminasse a região, porque senão apagaria o céu, que seria o patrimônio do observatório. É um céu escuro para poder mostrar para o público, fazer as observações e mostrar para o público um céu que não se vê nas cidades”, concluiu.

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