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Liberar o FGTS não vai acabar com o setor da construção

De acordo com Francisco de Oliveira Filho, presidente da Habicamp, liberação do FGTS vai fortalecer a economia e o segmento como um todo

| Especial para ACidade ON

Francisco de Oliveira Filho é presidente da Habicamp (Associação Regional da Habitação) de Campinas (Foto: Divulgação)

Nas últimas semanas, temos acompanhando uma grande discussão em torno da liberação de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). De um lado, alguns setores da construção civil defendendo seu uso exclusivamente para novas moradias, especialmente para famílias de baixo poder aquisitivo. De outro, os trabalhadores e milhões de desempregados ávidos para receber este dinheiro, saldar dívidas, sair do sufoco financeiro que atormenta os brasileiros e mesmo usar parte para consumo.

Pelos cálculos do governo federal, a liberação de saques do FGTS deverá injetar R$ 30 bilhões na economia ainda neste ano. Embora o valor seja restrito a R$ 500,00 por pessoa, é importante olhar o quadro como um todo. O volume total vem em um momento importante para a economia brasileira. Com as vendas de alguns produtos praticamente estagnadas, esta quantia vai ajudar a dar um novo fôlego à economia, com mais dinheiro rodando na praça. Isso vai ajudar a dar um respiro aos trabalhadores e desempregados, que vivem dias difíceis e, por outro lado, beneficiar empresas, comércio, serviços e os caixas dos órgãos públicos.

Mas o que todo este quadro tem a ver com o setor da construção civil? Há um pouco de exagero no medo de alguns empresários do setor de que a liberação do FGTS venha a afetar construtoras e lançamentos, devido à queda de crédito destinado ao financiamento imobiliário para empreendimentos de até R$ 1,5 milhão. As medidas anunciadas nesta semana deixaram claro um equilíbrio na divisão de valores.

Segundo o secretário de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, a liberação de recursos de contas ativas não prejudicará o financiamento de linhas de crédito para a área de habitação. Do orçamento de R$ 85,5 bilhões aprovado para 2018 pelo Conselho Curador do FGTS, R$ 69,4 bilhões foram destinados para a área de habitação. A maior parte desse montante teve como destino a habitação popular (R$ 62 bilhões) e R$ 5 bilhões a linha de crédito imobiliário Pró-Cotista.

O próprio governo federal e sua equipe econômica sabem da importância do setor da construção civil para a economia e para a geração de empregos, por se tratar de um setor intensivo e importante na abertura de vagas. Principalmente em um momento com o número de desempregados ultrapassando a casa de 13 milhões de pessoas. Por isso a importância de garantir recursos para obras habitacionais, saneamento e infraestrutura.

Por outro lado, o novo aporte de dinheiro na praça, aliado às reformas estruturantes Previdência, Tributária, Fiscal, dentre outras caminhando para suas aprovações, o que se espera e acreditamos que de fato vai acontecer nos próximos meses, é um quadro que trará maior confiança a população e a retomada forte e sustentável de nossa economia. Tudo isso colocado em prática, teremos novos investimentos produtivos e geração de empregos.

A geração de novos empregos e a retomada da confiança do consumidor beneficiará de forma direta o setor da construção civil. Não somente incorporadoras e construtoras, mas toda a cadeia do setor, como fabricantes de materiais, profissionais de engenharia e arquitetura, prestadores de serviços.

Ou seja, se por um lado há redução de recursos disponíveis no FGTS momentaneamente, que está lá parado, seja dito, a médio e longo prazo este montante será compensado e até aumentado com a própria economia em alta

Novas pessoas sendo contratadas vão aumentar a arrecadação futura, fazendo girar a grande roda da economia brasileira, levando o Brasil a um novo patamar. É isso que precisamos e não ver mais uma década perdida, como tantas outras foram até agora.

Francisco de Oliveira Lima Filho Presidente da Associação das Empresas do Setor Imobiliário e da Habitação de Campinas e Região (Habicamp), entidade que reúne cerca de 50 empresas como construtoras, incorporadoras, fabricantes de materiais e profissionais que atuam em toda a cadeia da construção civil - habicamp.com.br

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