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No divã com a depressão no trabalho

Uma doença que se manifesta de várias maneiras e pode causar diferentes sintomas

| Especial para ACidade ON

Fabiola Lencastre, presidente da Regional Campinas da ABRH-SP (Foto: Divulgação) 

Ao longo dos meus 23 anos de carreira, tive o privilégio de compartilhar experiência com os mais diversos perfis de profissionais. Estamos falando de pessoas que voluntariaram seguir uma escolha de trabalho. Dentro dessa resenha, muitos que intuíram a tão sonhada realização, podemos dizer que o objetivo se concentrava em um trabalho que tivesse significado e que pudesse gerar felicidade.  

Parece que esse tem sido um desafio percorrido pelas gerações, escolhas vocacionadas que o resultado assegure realização profissional. Afinal de contas estamos dedicados por horas a caixa do trabalho...  

Tantas são as confissões sobre esse tema: as expectativas permeiam senso de propósito, conexões sociais, bem-estar, compartilhamento de conhecimento e aprendizado, prosperidade financeira e por aí vai.  

Muitos lutam por um emprego de destaque ou um título sênior, por exemplo.  

E quando as expectativas são frustradas é fácil percebermos uma avalanche de dúvidas e sentimentos involuntariamente saqueando os sonhos e a motivação percorridos na carreira. Sintomas como: humor triste, ansioso ou "vazio" persistente, sentimentos de desesperança, luto ou pessimismo, irritabilidade, sentimentos de culpa, inutilidade ou desamparo, perda de interesse ou prazer pela vida, diminuição da energia, inquietude, dificuldade de concentração, lembrança ou tomada de decisões, dificuldade para dormir, despertar de manhã cedo ou dormir demais.  

São alertas para um quadro de depressão. Essa é uma psicopatologia silenciosa, que pode acometer qualquer pessoa: homens, mulheres, jovens e idosos. Uma doença que se manifesta de várias maneiras e pode causar diferentes sintomas.  

De acordo com estudo epidemiológico a prevalência de depressão ao longo da vida no Brasil está em torno de 15,5%. Segundo a OMS, a prevalência de depressão na rede de atenção primária de saúde é 10,4%, isoladamente ou associada a um transtorno físico.
A OMS ainda nos chama a atenção, a depressão situa-se em 4º lugar entre as principais causas de ônus, respondendo por 4,4% dos ônus acarretados por todas as doenças durante a vida. Ocupa 1º lugar quando considerado o tempo vivido com incapacitação ao longo da vida (11,9%).  

A época comum do aparecimento é o final da 3ª década da vida, mas pode começar em qualquer idade. Estudos mostram prevalência ao longo da vida em até 20% nas mulheres e 12% para os homens.  

Devemos estar atentos as insatisfações e angústias que vão entulhando nossos pensamentos e nos intoxicando diariamente. Pensamentos involuntários que roubam nossa motivação, encobrem nossas realizações e tentam nos convencer que os fracassos são maiores que as conquistas.  

Olhar para os sonhos, muitas vezes desejados ainda na infância, gerar entusiasmo e motivação as rotas do dia, traçar metas factíveis e se aliar a disciplina para realizar, podem ser ingredientes saudáveis nessa jornada em que o dono das rédeas é você.

Fabiola Lencastre é presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos Regional Metropolitana de Campinas (ABRH-RMC), além de especialista em soluções em recursos humanos e seleção de talentos. Fabiola é psicóloga formada pela PUC-Campinas, especializada em Desenvolvimento de Potencial Humano, e pós-graduada em Gestão Empresarial pela Unicamp.

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