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Quando o menos é muito mais

Que tal aproveitar essa época para observar quais brinquedos, de fato, seus filhos brincam?

| Especial para ACidade ON

As psicólogas Priscila Ribeiro Manzoli e Denize Campos Ribeiro (Foto: Divulgação)
 

Na sua infância você tinha muitos brinquedos? Ganhava presente fora de época? Qual foi seu brinquedo inesquecível? E hoje em dia, seus filhos têm muitos brinquedos? Você tem ideia de quantos brinquedos habitam sua casa? A proximidade do Natal e a chegada de novos presentes podem trazer reflexões importantes e até mudanças de atitudes sobre o excesso de brinquedos. Que tal aproveitar essa época para observar quais brinquedos, de fato, seus filhos brincam?  

Um estudo realizado pelo Núcleo de Cultura e pesquisas do brincar da PUC São Paulo apontou que uma grande quantidade de brinquedos pode dificultar o entendimento de limites e colabora para a formação de um adulto consumista. Bem sério isso, não acham?  

Muitos pais que trabalham fora e conseguem ter pouco tempo disponível com os filhos acabam tentando compensar a ausência com presentes. Às vezes chegam a se endividar comprando objetos caros, só para tentar sanar a culpa de não estarem tão presente. Já tiveram a oportunidade de observar que, em muitos casos, esse excesso de brinquedos cria uma satisfação momentânea da criança, mas depois o presente é deixado de lado e ela já escolhe outro desejo para ser atendido? Nos canais infantis elas são bombardeadas a todo instante pelas mais variadas opções.  

Mas, já repararam que o brincar independe de objetos e que também não tem nada a ver com sofisticação de brinquedos? É muito comum ver as crianças transformando o armário da cozinha em verdadeiros parques de diversões. Panelas, tampas, pote plásticos, colheres, caixas vazias ganham vida nas mãos dos pequenos. E uma caixa de papelão pode virar casa, castelo, robô, escudo, espada e, se colocada na grama, um belo escorregador. E o barro? Vira um bolo que é quase uma obra de arte, não é mesmo? E quem nunca fez uma cabaninha com o lençol ou brincou de caverna embaixo na mesa? Se esse não é o seu caso, vale a pena passar, pelo menos uma vez, por essa experiência. Seu filho vai adorar compartilhar esse momento com você!  

A educadora e documentarista Renata Meirelles do programa Território do Brincar (um trabalho de escuta, intercâmbio de saberes, registro e difusão da cultura infantil) passou dois anos viajando pelo Brasil com a família para descobrir do que brincam as crianças brasileiras. A experiência resultou no vídeo e no livro Território do Brincar (vale muito a pena assistir e também ler o livro que pode ser baixado gratuitamente). E nessa trajetória descobriu que quando as crianças estão brincando estão se ajeitando, descobrindo suas verdades. Lindo e real isso, vocês não acham? Descobrir suas verdades brincando... Mas, para isso, elas precisam de tempo, liberdade e ócio. E só para lembrar, esse brincar não tem nada a ver com a quantidade de brinquedos.

Hoje queríamos te convidar ao menos... menos presentes, mais presença; menos brinquedos, mais brincadeiras; menos sapatos, mais pé no chão; menos shopping, mais parquinhos; menos roupas, mais banhos de mangueira; menos bolos prontos, mais bolos feitos com a ajuda dos pequenos (nem que para isso você tenha que acolher as imperfeições de talvez não ficar tão bonito como o comprado) menos culpa, mais amor. Muito amor!

Priscila Ribeiro Manzoli é psicóloga, mãe do Francisco e dos gêmeos João e Pedro e encantada com as dores e as delícias da maternidade. Denize Ribeiro também é psicóloga e com a chegada da filha Elis tornou-se ainda mais empática com os pais e compreendeu melhor a importância de educar com planejamento. Elas acreditam que para formar indivíduos emocionalmente saudáveis e mais conscientes, os pais precisam necessariamente saber como fazer isso e definir um propósito na educação de seus filhos. Desse encontro profissional nasceu o Programa Fortalecendo Laços, com o objetivo mostrar esse caminho para pais e mães, fortalecendo os laços de amor e o vínculo familiar entre eles.

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