Aguarde...

ACidadeON Campinas

docon

Novas tecnologias ajudam em tratamentos na próstata

Homens apresentam problemas a partir dos 50 anos pelo crescimento natural da glândula

| Especial para ACidade ON

Sandro Faria é urologista (Foto: Divulgação)

A próstata, glândula do aparelho genital masculino, situa-se em torno do canal uretral, que leva a urina da bexiga para fora do corpo. Seu crescimento anormal é chamado hiperplasia benigna da próstata. Esta doença atinge todos os homens, em graus variáveis, a partir dos 50 anos. Estão mais suscetíveis os que têm histórico familiar, diabéticos, obesos e fumantes. O crescimento da glândula pressiona a uretra, diminui seu espaço interno e o homem tem dificuldade para urinar.  

Outros sintomas são: jato lento, esforço e urgência para urinar, gotejamento, interrupção da micção, aumento do número de idas à toalete e, nos casos mais graves, incontinência urinária, pela falência da bexiga. Cerca de 70% dos homens com mais de 50 anos têm sintomas importantes da doença e os 30% restantes apenas sintomas leves.  

O tratamento da hiperplasia é feito com remédios ou cirurgia. Dois tipos de medicação agem na próstata. Uma parte deles objetiva relaxar a próstata e evitar que pressione a uretra (alfa bloqueadores), diminuindo os sintomas, enquanto o outro evita que a glândula cresça (bloqueadores da di hidrotestosterona). Os dois grupos são eficazes, mas só o segundo pode, em alguns casos, livrar a próstata do tratamento cirúrgico, infelizmente com algumas repercussões negativas na vida sexual do paciente, como perda da libido.  

Já os métodos cirúrgicos objetivam retirar o núcleo da próstata para diminuir a pressão na uretra e melhorar a condição urinária do paciente. Hoje são ao menos três pouco invasivos. Para próstatas com menos de 60g podemos usar a antiga RTU de próstata (desde 1950), isto é, ressecção transuretral.  

Existe ainda o Green Laser, método desenvolvido pelos norte-americanos e aperfeiçoado em 2012, podendo ser utilizado em próstatas de até 140g com segurança. O laser de 180 watts pode ser usado para tratar casos de todos os portadores de hiperplasia com indicação de cirurgia. Mas se destina em especial aos que não podem fazer a cirurgia tradicional (RTU), que são: aqueles que têm alto risco cirúrgico, os cardiopatas que tomam anticoagulantes e quem sofre de insuficiência renal crônica. O paciente tem alta em até 24 horas.   

O laser, como nas outras cirurgias, remove a parte do núcleo da próstata necessária para se descomprimir a uretra e diminuir os problemas miccionais. Não corta, só vaporiza o tecido, o que é menos agressivo, tendo como vantagem a maior segurança, menor tempo de repouso e de internação e recuperação mais rápida. 

Por último, cirurgia robótica. Existe no Brasil desde 2008 sendo rotineiramente utilizada no tratamento cirúrgico do câncer de próstata. Contudo com a evolução de novos materiais robóticos, passamos a utilizar também no tratamento da hiperplasia prostática benigna. Especialmente em próstatas acima de 120 g, não possuindo limites de volume. Rápida recuperação, internação precoce e alta resolutividade são marcantes no método robótico.  

Importante discutir com seu urologista e buscar o método mais adequado, lembrando que deve ser individualizado. O maior objetivo deve ser sempre cuidar do paciente que apresenta um problema na próstata com equilíbrio entre a resolução, os efeitos colaterais de cada método e preservação da qualidade de vida.  

Sandro Faria é urologista que atende e opera em Campinas no Hospital Vera Cruz e em São Paulo, está entre os três médicos que mais recorrem à cirurgia robótica no Brasil. Tendo mais de 2 mil intervenções feitas com robô na carreira, realizadas em diversas partes do País, Dr. Sandro opera exclusivamente com a ferramenta desde 2010.


Mais do ACidade ON