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Nova geração faz mercado desenvolver apartamentos menores

Geração atual quer menos espaço e mais equipamentos para a prática de lazer com os amigos e prática de atividades físicas

| Especial para ACidade ON

Francisco de Oliveira Lima Filho (Foto: Divulgação)
Os consumidores nascidos nas décadas de 70 até o inicio de 80, que ficaram conhecidos como Geração BBX (1958-1964), Baby Boomers e X (65 a 75), Geração XY (1976-1984) e uma parcel da geração X (início dos anos 90) tinham como desejo morar em apartamentos amplos e espaçosos. A ideia era abrigar a família, composta de vários filhos. Este comportamento levou as construtoras ao desenvolvimento de imóveis com mais de 100 metros quadrados, sucesso durante anos.

Para os nascidos entre 1970 e 1985, imóvel - inclusive maiores - era sinônimo de status, patrimônio, herança, conforto, harmonia no lar; sem dizer que a preferência sempre foi pelos bairros mais valorizados. Além desses atributos, o apartamento Ideal também tinha que oferecer um quarto para empregada.

A partir de 1985, de maneira tímida, com início da chegada da geração Millenials, os padrões começaram a ganhar novos contornos e a exigir mudanças das empresas do setor imobiliário, incluindo Campinas, quando aos projetos.

Apesar de maioria entre as pessoas que buscam comprar um imóvel - são 55%, contra 45% dos Baby Boomers, segundo uma pesquisa de mercado realizado em 2019 pela consultoria Brain -, os nascidos entre 1985 e 1995 abriram mão de apartamentos grandes, espaçosos, com vários cômodos.

Mais focados na carreira, optando por casamentos mais tardios e, consequentemente, com menos filhos que as gerações anteriores, estes consumidores dificilmente criam raízes, daí a preferência por imóveis menores, que ofereçam atrativos como conveniência e serviços.

Os Millenials e gerações seguintes, nascidos na era da informática, também carregaram outra característica, como a diminuição do desejo pela compra de um carro, comum entre suas gerações anteriores. Com isso, imóveis que antes eram colocados no mercado com uma ou duas garagens por unidade, hoje estão desaparecendo. Os carros próprios estão dando lugar ao transporte por aplicativos.

Dois dados recentes corroboram a mudança de comportamento dos novos consumidores de imóveis, com reflexos nos projetos da região. A emissão de Carteira Nacional de Habilitação sofreu uma queda de 30% nos últimos anos. Isso, em grande parte, se deve ao surgimento dos aplicativos de mobilidade. 

E para atende a esta nova demanda, somente na cidade de São Paulo o número de apartamentos sem garagem lançados já soma mais de 12 mil unidades, Também é interessante que 42% das pessoas que buscam imóveis utiliza aplicativo urbano e 20% acredita que poderia se desfazer do carro próprio

De acordo com a pesquisa da empresa Brian, apresentada no final do ano passado, hoje a metragem ideal para quem busca por uma apartamento é de 85% metros quadrados (para 62% dos entrevistados). Além de espaços menores, eles desejam imóveis que ofereçam áreas como: Piscina (63%), Salão de festas (43%), Churrasqueiras (40%), Academia (30%), Playground (28%) e Quadra poliesportiva (23%).

Ou seja. A geração Millenials quer menos espaço e mais equipamentos para a prática de lazer com os amigos e prática de atividades físicas. Em poucos anos, a tendência é de que este imóveis sejam a maioria nas cidades. Adeus aos grandes apartamentos.

Francisco de Oliveira Lima Filho Presidente da Associação das Empresas do Setor Imobiliário e da Habitação de Campinas e Região (Habicamp), entidade que reúne empresas associadas e 60 empresas parceiras como construtoras, incorporadoras, fabricantes de materiais, investidores e profissionais que atuam em toda a cadeia da construção civil. https://habicamp.com.br/

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