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Quando o latrocínio se torna um ato banal

Crime de latrocínio é a forma mais concreta de violência direta ao cidadão

| Especial para ACidade ON

O especialista em segurança Adalberto Santos (Foto: Divulgação)

Os meses de dezembro e janeiro, historicamente sempre apresentam um aumento diante dos outros meses do ano, mas janeiro de 2020, se comparado a janeiro de 2019, trouxe alguns dados muito preocupantes, em especial a uma tipologia de crime que reputo como uma das mais importantes e que sinalizam de forma mais concreta o nível de violência direta ao cidadão. Estamos falando do crime de latrocínio (roubo seguido de morte), onde aquela pessoa honesta, trabalhadora, cumpridora de seus deveres é abordada por um marginal para lhe roubar aquilo que foi conquistado com sacrifício e de forma digna. Pior: numa ação como essa, o marginal lhe tira o que é mais valioso; a vida.  

Faremos uma análise simples embasada nos dados apresentados pela Secretaria De Segurança Pública Do Estado De São Paulo para demonstrar como o mês de janeiro de 2020 se torna um marco desse tipo de crime:  

Em janeiro de 2019 não tivemos nenhum latrocínio, enquanto que em janeiro de 2020 tivemos 5 (cinco) casos, ou seja, uma elevação absurda. Se compararmos com todo o ano de 2019, onde foram registrados 13 latrocínios na nossa região, temos mais um dado preocupante: percebemos que o mês de janeiro de 2020 representa 38,5% de todos os casos de 2019.  

Apesar de termos neste mês de janeiro uma queda nos roubos, mesmo assim o latrocínio aumentou, ou seja, é preciso analisar se o crime de roubo não está se tornando mais violento.  

Sempre quando estudamos os índices de criminalidade e violência precisamos ter uma visão mais ampla e holística sobre o cenário e não nos determos apenas em números para determinar causa e efeito. E com certeza podemos afirmar que uma das maiores características é a impunidade - o que alavanca os crimes mais violentos. Óbvio que as diferenças sociais e econômicas são grandes influenciadoras nos números, porém, quando falamos de crueldade e banalização da vida, sem dúvida alguma isso está ligado muito mais a valores morais e como disse acima, a certeza da impunidade.  

Não resolve termos única e exclusivamente policiais nas ruas, não adianta somente aumentar o efetivo, é preciso uma série de ações nas quais infelizmente não temos visto; como a melhora nos níveis de inteligência policial, maior investimento em tecnologias de ponta, mas acima de tudo, uma justiça menos branda e menos morosa; sem isso, se olharmos pro horizonte, não veremos nem de perto um arco-íris.

Adalberto Santos é especialista em segurança e diretor superintendente da Sigmacon. É consultor, palestrante, analista em segurança empresarial e criminal. Possui pós-graduação de processos empresariais em qualidade, MBA em administração e diversos títulos internacionais na área de segurança

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