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Um símbolo que persiste na cidade das andorinhas

Calçamento de pedras portuguesas com desenho das aves ainda persiste em meio ao avanço e ampliação da cidade

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Diagrama de andorinha é resquício de legislação dos anos 70 (Foto: Denny Cesare/Código 19) 

Na década de 70, para padronizar as calçadas de Campinas, o então prefeito, Lauro Péricles, criou um decreto obrigando que as calçadas da cidade seguissem um padrão: fossem feitas de pedras portuguesas e com o desenho de andorinhas, símbolo da cidade. O tempo passou, a lei caiu, e o concreto ganhou espaço, mas alguns locais ainda preservam essa herança histórica.

O padrão de calçamento de andorinhas perdurou até o início dos anos 2000 e ainda resiste na cidade, mas não há uma lei que proteja esses locais. Segundo o secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, apenas em áreas tombadas os calçamentos com mosaicos portugueses não podem ser substituídos.

"Não tem nada que nos obrigue a manter os ladrilhos de andorinhas, a não ser que sejam áreas tombadas, como a Praça Carlos Gomes. Em 1996, no final do mandato de Magalhães Teixeira, nós fizemos o restauro. Naquela época foi feito porque estava totalmente descaracterizado do seu projeto original, de 1920. Fizemos o projeto baseado em fotos e documentos antigos, assim como o do Largo do Rosário. Como essas duas praças são tombadas, elas não podem ter modificações sem o aval do Conselho do Patrimônio Histórico", disse.

A lei em vigor hoje determina que as calçadas tenham, no mínimo, 1,5 metros de pavimento e o restante com grama ou jardim. O proprietário pode usar mosaico português, ladrilhos, piso intervalado ou concreto. Apesar de ser mais trabalhosa para a instalação e ter um custo também mais elevado diante de outros materiais, a pedra portuguesa, além do charme, também tem sua importância ambiental. Como existem fissuras entre as pedras, a água penetra no solo, o que contribui para evitar enchentes.  



RECORDAÇÃO

Para muitos moradores, as pedras são recordações de uma época. Não é difícil arrancar elogios dos mosaicos portugueses, até mesmo porque o estilo, além da beleza, padroniza as calçadas. Mas também são enfáticos ao dizer que, mesmo na época, a obrigatoriedade de padronização não deveria ter sido imposta, principalmente pelos custos.

O engenheiro mecânico Robson Tordin Madsen veio para Campinas na década de 90 e disse que logo percebeu as andorinhas. "Me lembro de algumas normas para a construção de calçadas que seguiam determinados desenhos. Eu acho legal essas coisas tradicionais. Andorinha é o símbolo de Campinas. Hoje está difícil de fazer porque o mosaico português é mais caro, outras opções são mais baratas, mas acho bonito", disse.

A lembrança das pedras portuguesas datam da infância da psicóloga Elizabete Cristina Scarton. "Eu vim morar em Campinas com quatro anos e me lembro dos meus pais comentarem que Campinas era a terra das andorinhas. Na época eu me lembro que o prefeito determinou o desenho das andorinhas. Eu acho bonito, acho que tem muito a ver com o conceito histórico", afirmou.

HISTÓRIA

A fama nacional de "Cidade das Andorinhas" começou para valer depois que Rui Barbosa visitou Campinas em 1914 e assistiu aos vôos rasantes das aves no extinto Mercado das Hortaliças, onde hoje é o Largo das Andorinhas, no Centro.

Em uma só tarde, um pesquisador da época chegou a estimar 30 mil andorinhas nos telhados. Membro fundador da Academia Brasileira de Letras, Rui Barbosa escreveu a crônica "As Andorinhas de Campinas", que foi lida no Centro de Ciências, Letras e Artes na ocasião da visita. 


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