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Jonas espera salvação de Doria para abertura de UPA

Símbolo do descaso com os recursos públicos em Campinas, UPA Carlos Lourenço ganha nova chance com possível parceria entre Prefeitura e governo do Estado

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Prédio está pronto e com equipamentos há mais de um ano, mas Prefeitura não tem dinheiro para custeio (Foto: Renan Lopes/ACidade ON) 

Pronto há mais de um ano, com equipamentos instalados e preparado para atender à população, o prédio da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Carlos Lourenço aguarda uma salvação do Estado para bancar o custo de suas operações.

A estrutura inoperante representa um problema da maioria dos municípios, que consegue erguer diversos prédios, mas não possui recursos para colocá-los em funcionamento. Com a Saúde em crise e em constante desabastecimento, essa situação causa revolta entre os moradores e força o governo a buscar alternativas, o que continua a depender de boa vontade política das outras esferas do poder.

O prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), afirmou que busca uma parceria com a gestão de João Doria (PSDB) para ajudar a bancar o custeio da unidade. No passado, chegou-se a cogitar transformar o local num Ambulatório Médico de Especialidades (AME), possibilidade que foi descartada.

"Acontece que o novo governo (do presidente Jair Bolsonaro) reduziu muito os repasses para as UPAs. O município não tem condição de bancar sozinho essa despesas. Desde então, estamos conversamos com o Estado e buscando essa solução. Hoje, nas outras UPAs de Campinas, a cidade banca um terço dessas operações", disse Jonas.

As tratativas para a construção desta UPA começaram ainda durante a gestão do ex-prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT). De lá para cá, o prédio foi construído e equipado ao custo de R$ 4,8 milhões. O local tem capacidade para atender 500 pacientes por dia. Para custear os serviços é preciso desembolsar R$ 1,8 milhão por mês. O governo federal repassa apenas R$ 500 mil.

Estima-se que a abertura da UPA poderia desafogar em até 15% a demanda dos hospitais Mário Gatti e Ouro Verde.  



REVOLTA

O prédio parado e pronto para transformar a vida dos moradores causa revolta em que precisa de atendimento na Saúde. A dona de casa Sônia Aparecida da Mota, de 61 anos, disse que passa semanalmente em frente à UPA para ver se a unidade está aberta.

"Ter a UPA funcionando ajudaria muito por causa dos meus problemas de pressão. Tenho que ir na farmácia e eles não gostam de medir. Eu vim aqui hoje pra ver se estava funcionando, mas tá fechado. Acho que nunca vai abrir isso."

Para o desempregado Felipe Fiorili, de 31 anos, o prédio sem uso é inaceitável. "Eu moro em um condomínio bem ao lado e faz anos que escuto reclamações. Me causa muita revolta tanto investimento parado até hoje. Eu usaria a UPA porque ela fica do lado da minha casa. Seria uma facilidade gigantesca", disse.  



CUSTEIO

A situação da UPA coloca em xeque outras ações do governo Jonas. Desde que a crise política na Saúde assolou a gestão, diversos anúncios para a área já foram feitos, assim como questionamentos sobre a capacidade de custeio do município para outras obras na área.  

O principal esforço da gestão é reestruturar a atenção básica, com novos postos de saúde, ampliação e reformas. Campinas tem hoje 66 unidades. A estimativa é terminar 2022 com 68 unidades e com boa parte da rede operando em prédios novos e mais amplos.

A rede de atenção básica é totalmente custeada pelo município. Segundo o secretário de Saúde, Carmino de Souza, não há risco dos prédios ficarem fechados, como aconteceu na UPA, porque existe a previsão orçamentária para os serviços. Apenas uma das novas unidades ainda não está na lista, a do Sirius, mas de acordo com o secretário, serão feitos ajustes para incluí-la.

"Nós temos a previsão de inauguração de mais dois postos até 2020, do Bassoli e do Sirius. Os custos do Bassoli já foram contabilizados. Do Sirius ainda precisamos incluir. Mas todas as unidades que reformamos ou ampliamos equipes funcionarão em sua totalidade", disse.

Atualmente, cada posto de saúde custa por mês ao município entre R$ 300 mil e R$ 350 mil. "Nós fizemos um estudo de custo e chegamos a esse valor médio, o que inclui salários, infraestrutura e insumos", disse Carmino.

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