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Campinas passa a ter a tarifa de ônibus mais cara do Brasil

O novo valor do transporte coletivo, R$ 4,95, começou a vigorar hoje em Campinas sob protestos de usuários

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Usuários do transporte urbano aguardam por ônibus em ponto de Campinas. Foto: Luciano Claudino/Código 19

Com o aumento da passagem de ônibus urbano de R$ 4,70 para R$ 4,95, a partir de hoje (7), Campinas será a cidade com o transporte público municipal mais caro do Brasil. O valor supera em 0,15 centavos o preço da segunda colocada, Joinville (SC), onde a passagem embarcada (dentro do ônibus) custa hoje R$ 4,80. O valor campineiro é maior também do que em todas as capitais de estado brasileiras. 

A passagem de R$ 4,95 será aplicada para pagamento do tíquete QR Code, feito por aplicativo no celular, com cartão de crédito. O QR Code é usado por passageiros que não têm o cartão do Bilhete Único Comum, já que o sistema não aceita mais dinheiro dentro dos ônibus. Já a passagem do Bilhete Único Comum, será de R$ 4,55.  

O reajuste de 5,31%, superior a inflação do ano passado de 3,75%, é criticado pelos usuários da cidade, que contestam a qualidade do serviço prestado pela Transurc (Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas), eles afirmam que faltam linhas de ônibus, mais veículos, reclamam da espera nos pontos e da falta de informação em relação a itinerários e horários. A Prefeitura justificou no decreto que a passagem "terá um reajuste abaixo do índice inflacionário do período". A Administração considera que a inflação "de janeiro de 2018 a maio de 2019 foi de 6,05%".  

Especialista em transporte público consultado pelo ACidade ON disse que o cálculo da passagem é complexo e que as dificuldades para melhorar o serviço levam usuários a procurarem outros modais de transporte, como os serviços de transporte individual por aplicativos, bicicletas e até os patinetes (leia abaixo).  

De 2015 até hoje, o valor da passagem no município subiu 50%. Os passageiros afirmam, no entanto, que não viram os aumentos consecutivos revertidos em melhorias no serviço prestado. "O preço de hoje é abusivo porque não existe melhora no transporte público em Campinas. A gente sempre enfrenta greve de motoristas, atrasos de ônibus. Conheço gente que não tem condição de procurar emprego por conta do valor da passagem", disse a faxineira Fernanda Cristina Pereira, que utiliza diariamente o transporte público. O autônomo Fredson Cândido da Silva também não concorda com o valor. "São poucos ônibus, eles quebram direto. O valor de R$ 4,95 pesa muito no meu orçamento".   



COMPOSIÇÃO DA PASSAGEM
 
O engenheiro da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp e especialista em transporte público, Diogenes Cortijo Costa, explicou que a composição do valor da passagem é uma somatória de valores que incluem idade da frota, preço dos combustíveis, manutenção dos veículos, além de custos fixos com garagem, fluxo administrativo e com pessoal.

Segundo ele, a tabela pode ser requisitada por qualquer cidadão. Ele acredita que a insatisfação da população com o preço da passagem e com o serviço oferecido tem relação com a falta de linhas e veículos em algumas regiões de Campinas. "Hoje existe uma discrepância entre regiões. Algumas são razoavelmente bem-servidas de transporte, enquanto outras não. Precisa ser feita uma racionalização dessas redes, com acompanhamento direto da demanda de passageiros", disse.  

Costa falou ainda que as três principais queixas da população: falta de qualidade, falta de frequência e valor da tarifa, precisam ser fiscalizadas pelo município, ou o transporte público pode entrar em colapso com a migração de passageiros para outros tipos de transporte. "O que é oferecido não é suficiente para atrair os usuários, que hoje estão preferindo outro tipo de locomoção.   

Aumentou o número de pessoas que vão ao trabalho a pé, de bicicleta ou até de patinete. Isso sem falar no transporte por aplicativo. Se não houver um investimento, os empresários do ramo de transporte público vão perder cada vez mais passageiros".   

A EMDEC
 
Em nota, a Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas) informou que em "um ano e meio sem reajuste na tarifa de ônibus, os preços dos combustíveis aumentaram em 10,09%; e os salários dos motoristas subiram 7,1%", fatores que teriam encarecido o custo do sistema de transporte público.  

Sobre as reclamações de falta de ônibus e linhas da população, a Emdec explicou que "a frota do transporte público e a circulação dos ônibus são dimensionadas a partir da demanda de passageiros e dos interesses de deslocamentos" e que são feitos "estudos técnicos e acompanhamento da operação" para essa definição. Ainda segundo a empresa, os motoristas também passam por treinamento e requalificação constante, em parceira com as empresas concessionárias e os transportadores alternativos (transporte complementar).  

A Emdec informou ainda que o transporte público na cidade passa por melhorias. "Foi incluído no Plano Diretor do Município o conceito de DOTS, que é o desenvolvimento orientado pelo transporte público sustentável. Isto significa que o desenvolvimento da cidade passará por eixos estruturantes, que terão corredores do transporte público", diz a nota. O texto cita ainda a implantação dos corredores do BRT (Bus Rapid Transit, Ônibus de Trânsito Rápido).  

A Administração finaliza ainda os preparativos para o lançamento do edital de licitação para a nova concessão do transporte público. Segundo a Emdec, o atual sistema passará por uma "grande transformação", mas não especificou quais.

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