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Unicamp desenvolve dirigível para monitorar a Amazônia

Equipamento criado em colaboração com outras seis instituições vai coletar dados do ar, solo e vegetação da floresta tropical

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O dirigível desenvolvido com ajuda da Unicamp (Foto: Samuel Bueno/Divulgação) 

Um dirigível não tripulável desenvolvido com a colaboração da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além de outras seis instituições, entra em operação no ano que vem para monitoramento da Amazônia.

O projeto Noamay, que significa cuidar e proteger na língua yanomami, está em reta final de ajustes e testes no momento em que a maior floresta tropical do mundo mais precisa de ajuda: somente em agosto, o número de queimadas na Amazônia triplicaram.

A suspeita do Instituto de Pesquisa Espacial (Inpe) é que os incêndios sejam criminosos, iniciados para limpar árvores que haviam sido derrubadas anteriormente.

Com 10 metros de comprimento e autonomia para 10 horas de voo, a aeronave autônoma tem instrumentos para coletar dados do ar, do solo e da vegetação, além de sinais de rádio emitidos por colares em animais.

VANTAGENS

Uma das vantagens em relação a satélites é que o dirigível voará bem próximo ao solo (de 100 a 500 metros de altitude), uma forma de obter com mais detalhes imagens e informações da mata.

Além disso, seus quatro motores elétricos são mais ágeis e silenciosos, capazes de girar em 360 graus e de descer verticalmente, um avanço na coleta de amostras de água, por exemplo.

O professor da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp Ely Carneiro de Paiva é o pesquisador principal do grupo de trabalho da Unicamp e está há duas décadas no projeto. A universidade foi responsável pelo software de controle e guiamento automático do dirigível.

Paiva começou a pesquisa no Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, também em Campinas, que desenvolveu os componentes eletrônico e de comunicação embarcados.

"É mais um reforço para preservação da Amazônia. Uma ferramenta importante para medir a qualidade de ar, rios, monitorar a flora e a fauna", disse. Ainda segundo Paiva, o fato de a região da floresta ter a menor média de ventos do país é outra vantagem para a dirigibilidade e preservação da aeronave.  

O professor da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp Ely Carneiro de Paiva (Foto: Antônio Scarpinetti/Divulgação)
TESTES

O dirigível já passou pela fase de simuladores de voo, conseguindo subir e descer na vertical e navegar pelos pontos de monitoramento. A próxima etapa será embarcar o sistema eletrônico no dirigível e fazer os primeiros testes na floresta.

Os ensaios preliminares do projeto começam ainda neste ano no Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, na cidade de Tefé, a 500 quilômetros de barco de Manaus.

O sucesso desta fase será fundamental para o início da segunda etapa do projeto, que é fazer um dirigível três vezes maior, de 30 metros, que possa voar durante um dia inteiro. "A Unicamp estará no projeto também do segundo dirigível, pois temos todo o conhecimento para fazer o software de controle automático".

CORTES

A redução de verbas para a pesquisa promovidas pelos governos federal e estadual, no entanto, preocupa a coordenação do Projeto Noamay. "Para continuar, é necessário que o projeto tenha bolsas de doutorado para alunos pesquisadores, que ajudam no desenvolvimento da tecnologia do dirigível", explicou Paiva.

O maior receio é em relação aos recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, que já tiveram cortes. Hoje o CNPq está com R$ 330 milhões represados pelo governo federal, que já haviam sido destinados a pesquisas em todo o país. O Noamay já rendeu duas teses de doutorado pela Unicamp.  

O aluno Henrique Vieira, que defendeu doutorado relativo às pesquisas com o dirigível (Foto: Antônio Scarpinetti/Divulgação)
TRAJETÓRIA

O dirigível é uma evolução do projeto Aurora (sigla em inglês para Dirigível Robótico Autônomo Não Tripulado para Monitoramento Remoto), também criado pelo CTI Renato Archer, em 1997.

Desde então, a maior evolução na aeronave foi a configuração de motores diferente, com quatro propulsores elétricos vetorizáveis (substituindo o par clássico de motor a combustão). Essa mudança aumentou a capacidade de manobras do dirigível, especialmente em baixas velocidades.

A transformação foi importante para o dirigível se capacitar para voos na Floresta Amazônica. Dentro deste projeto temático, o dirigível se enquadra especificamente no grupo de trabalho de plataformas aéreas mais leves que o ar, para sistemas de detecção, comunicação e informação para a Amazônia.

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