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Campinas estimula inclusão de refugiados no mercado de trabalho

Cidade é a segunda do Estado que mais recebe imigrantes desde o terremoto do Haiti, em 2010

| Especial para ACidade ON

Prefeitura realizou oficina para estimular contratação de imigrantes por empresários (Foto: Reprodução) 

Desde o terremoto do Haiti em 2010, o fluxo migratório no Brasil aumentou e Campinas é a segunda cidade do Estado que mais recebe refugiados. São mais de 3.500 sírios, venezuelanos, haitianos, angolanos, entre outros, em busca de oportunidades por aqui e com necessidade de políticas públicas de acolhimento.  

Segundo a Prefeitura, de 2000 a 2016 foram registrados 17 mil imigrantes em Campinas, a maior parte já integrada ao contexto socioeconômico da cidade. Adaptados à rotina do município, eles estão trabalhando nos restaurantes, comércios da região central, bares de Barão Geraldo e nas universidades, tornando a cidade mais diversa e plural.  

Mas grande parte dos imigrantes recém chegados, fugindo de guerras ou de situações econômicas miseráveis em seus países de origem, estão à procura de emprego e carentes de assistência social. Uma das frentes de trabalho da Administração Municipal é mobilizar empresários para a contratação de mão de obra estrangeira, ressaltando os benefícios de empregar imigrantes em seus negócios. 

"A palestra informa os direitos dos imigrantes refugiados e tira todas as dúvidas de comerciantes e empresários para eles contratá-los em suas empresas", explicou a secretária de Assistência Social, Eliane Jocilaine Pereira. A palestra é uma iniciativa da Organização Internacional para as Migrações (OIM), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). 

NOVO COMEÇO 

As barreiras para recolocação no mercado de trabalho brasileiro são diversas, e a língua é uma delas. O venezuelano Dannis Castañeda está em Campinas há um ano e já arranha o português. Ele disse gostar da cidade, mas ainda sente resistência de empresas na contratação de estrangeiros. "Sinceramente, eu acho que o governo brasileiro está fazendo o seu melhor trabalho perto de outros países vizinhos que são hostis, como o Peru e a Colômbia. O que precisa fazer mesmo é acabar com os preconceito de empregadores". 

Ex-dono de uma pequena fábrica de picolés, Castañeda resolveu deixar Caracas quando ficou sem insumos para a produção. Ele chegou ao Brasil por Roraima em fevereiro de 2018 com a esposa e quatro filhos, com a ajuda de sua igreja. Segundo ele, o período no Norte foi o mais difícil. "Era muita gente, muita gente mesmo chegando. Tinha o mutirão de autoridades locais, de militares, mas ainda assim ficamos perdidos, sem saber direito o que fazer".  

Ele conta ainda que conseguir trabalho foi fundamental para se reerguer. "Estou empregado com garçom em um bar do Cambuí, é como se fosse uma família. Eles me deram oportunidade e eu faço o meu melhor".  


ABERTURA 

O empresário João Marques, de Indaiatuba, criou em 2011 o Programa de Apoio e Recolocação de Refugiados (Paar) e desde então conseguiu o maior banco de dados de imigrantes em situação vulnerabilidade do país. Militante da causa, Marques explica que, apesar do senso comum achar o contrário, o Brasil ainda é um país fechado a estrangeiros.  

"Eu falo isso por conta dos números. Hoje o país tem pouco mais de 1 milhão de estrangeiros, o mesmo patamar de 1920. Não há políticas públicas para atrair e aproveitar o melhor que essa população tem a nos dar", contou. Para o empresário, o fato de o Brasil nunca ter passado por uma guerra é um dos motivos para o governo brasileiro não priorizar políticas humanitárias a estrangeiros.  

O Paar atua na sensibilização de empresários para contratação de mão de obra estrangeira. "Muitas vezes me perguntas, mas por que ajudar refugiados e não brasileiros? Primeiros que essas pessoas não são refugiadas, elas estão. Elas não escolhem, elas fogem para não morrer. Mas se a questão humanitária não é suficiente, tem a econômica. Dos 100 maiores milionários brasileiros, 12 são estrangeiros refugiados. Eles geram riquezas para o país". 

Refugiados, imigrantes

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