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Escritor derruba mitos sobre a escravidão em Campinas

Laurentino Gomes diz que cidade não foi a última do país a abolir a prática e tampouco era destino para o castigo de escravos de outras regiões

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Laurentino foi entrevistado pela equipe do ACidade ON na última terça-feira em Campinas. Foto: Renan Lopes/ACidade ON Campinas

O jornalista e escritor Laurentino Gomes lançou na última semana, em Campinas, o livro "Escravidão: do primeiro leilão de cativos em Portugal até a morte de Zumbi dos Palmares". Gomes vendeu mais de 2,5 milhões de exemplares com a trilogia "1808", "1822" e "1889", sobre a chegada da família real ao Brasil, a Independência e a Proclamação da República.

Agora, resolveu se debruçar sobre a escravidão - que considera o fato histórico mais relevante do Brasil - em uma nova trilogia. Os dois outros livros da série serão lançados em 2020 e 2021. 

Em entrevista exclusiva ao ACidade ON, Laurentino Gomes falou sobre dois "mitos" que cercam a história da escravidão na cidade: o de que Campinas seria o último município brasileiro a de fato abolir a escravidão, e o de que escravos eram enviados aos fazendeiros da cidade como forma de castigo.

"Não houve nada disso", disse Gomes. Segundo ele, os barões do café, de fato, foram bastante resistentes em aceitar a abolição da escravatura, mas não há nenhum indicativo de que Campinas tenha "esticado" mais o período que outras cidades.  



MIGRAÇÃO

Sobre o suposto envio de escravos para Campinas como forma de castigo, Gomes vê duas explicações para explicar o que considera um "mito". "Na segunda metade do século 19 a cultura da cana estava em crise e o café estava muito forte. Então muitos escravos vieram do Nordeste para São Paulo. Foram pelo menos 700 mil em cem anos. E muitos vieram para Campinas, que era um centro importante da cultura cafeeira", disse.

Outro fator explica a má fama da cidade junto aos escravos: a visibilidade para os maus tratos sofridos pelos cativos com a campanha abolicionista. "A partir da segunda metade do século 19 a campanha abolicionista foi muito forte. Os abolicionistas faziam comícios, artigos em jornais, denúncias no Parlamento, para mostrar os maus tratos sofridos pelos escravos. A escravidão em Campinas estava mais exposta à curiosidade pública do que no engenho lá no interior de Pernambuco", afirmou.

"Mas isso não significa que a escravidão aqui era mais violenta ou cruel. Na verdade, a escravidão tradicional dos séculos 17 e 18 foi tão ou mais cruel que na região cafeeira. Depois de 1850, quando o tráfico de escravos foi proibido, os fazendeiros passaram a fazer manuais de como tratar seus escravos, porque precisavam mantê-los em melhores condições", continuou Gomes.

ASSISTA A ENTREVISTA COMPLETA COM O ESCRITOR
 



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