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Em alta, grafite é alternativa contra o cinza urbano

Anuência - e até incentivo - do poder público e de empresas espalha a arte do grafite pelas ruas de Campinas

| Especial para ACidade ON

Projeto Pilastrart leva o grafite para pilastras de viadutos na cidade (Foto: Luciano Claudino/Código 19)

Basta andar pelas principais ruas e avenidas de Campinas para constatar que o grafite deixou de ser uma arte marginal para ganhar local de destaque, e admiração, na cidade. Os murais coloridos feitos por diversos artistas da região dão alegria e vida à atmosfera urbana, tomando conta conta do cinza e das pichações que até pouco tempo predominavam na paisagem.

Com a permissão e até apoio do poder público e empresas, os grafiteiros têm grandes paredes, pilastras, marquises e viadutos para expor as suas obras. As galerias públicas são, inclusive, uma forma de conseguirem outros trabalhos particulares.

Grafiteiro há 18 anos, Israel Maia explica que a ascensão dessa arte é cíclica, e que a cidade vive novamente um época de valorização do grafite. "Há uns 15 anos, também tivemos um movimento muito grande, depois decaiu novamente. Agora, faz uns três anos, a nova geração de grafiteiros está de novo colorindo as ruas", disse.

Maia atribui a nova onda à facilidade e qualidade de materiais no mercado e às redes sociais. "A oportunidade de divulgar seu trabalho no Instagram ou Facebook com certeza é incentivo a mais, principalmente para os artistas mais novos".

ABERTURA

Maia acredita também que o diálogo com o poder público foi essencial para o ressurgimento do grafite em Campinas. "Hoje, com certeza existe uma abertura maior com a Secretaria de Cultura. Mas nem todos os artistas sabem exatamente como conseguir autorizações. Poderia ter uma divulgação maior", falou.

O artista explicou que a Secretaria de Cultura autoriza o grafite desde que não atrapalhe a comunicação do trânsito, e em pontos que não sejam tombados pelo Condepacc (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas).

Um dos exemplos da parceria com a Prefeitura é o Projeto Pilastrart, em que os grafiteiros têm autorização para fazer intervenções artísticas em pilastras de pontos movimentados desde 2017. Há murais em locais como Avenida Heitor Penteado, Praça Arautos da Paz e no viaduto da Avenida Aquidabã. O projeto existe desde 2018.  



OCUPAÇÃO

José Flavio Audi começou a grafitar nas ruas em 2008 e explicou que ocupar o ambiente urbano com desenhos faz parte da cultura e da filosofia da arte. Para ele, a sociedade está mais aberta ao movimento.

"Hoje, com certeza Campinas tem bem mais grafites que há 10 anos. É a evolução natural da arte. A cidade cresce e os artistas crescem com ela, utilizando as ruas para se expressarem. É muito mais legal viver em um local de muita arte do que desprovido dela".

ENCOMENDAS

Audi admitiu que expor as suas obras nas vias de Campinas também é uma forma de conseguir trabalhos em lojas, fábricas e até em casas, por encomenda. "Com certeza é uma forma de divulgação. Tanto do meu trabalho como artista plástico, quanto de tatuador. Mas eu faço principalmente porque eu gosto muito de estar na rua".

PÚBLICO

Quem passa em frente aos murais todos os dias diz preferir o colorido dos artistas ao cinza ou às pichações nos muros. É o caso do estudante Guilherme Ribeiro, de 21 anos. "A arte valoriza um espaço vazio e os equipamentos públicos. E cria uma identidade para o local, inibe o vandalismo", disse.  

Natany Monteiro, 20 anos, também estudante, caminha diariamente pelas pilastras grafitadas em frente ao Terminal Rodoviário de Campinas. "Deixa tudo mais alegre, colorido. Eu adoro esses da Rodoviária e os murais da Avenida Aquidabã. Por mim teria na cidade toda."  



ESTILOS

O grafite contemporâneo surgiu em 1970, em Nova York, junto com o movimento hip-hop, principalmente entre as comunidades latinas, jamaicanas e afro-americanas. Hoje o conceito abrange diversos estilos. Confira os principais deles:

Trown Up: Geralmente são usadas poucas cores, mas com bastante contraste. Não há cortes no fundo e as letras desenhadas têm formato arredondado, o que torna sua escrita mais rápida.

3D: Esse tipo de desenho forma uma imagem que dá a impressão de volume e realismo. É o estilo mais difícil entre todos, pois exige uma compreensão de perspectiva, luz e sombra e profundidade, aplicadas à técnica com spray.

Freestyle: O estilo livre inclui todas as criações do grafite, misturando letras, desenhos e tags (assinaturas). Spray, latex, canetão, colagem de stickers, são algumas das formas e materiais usados nessa categoria.

Wild Style: É o estilo de letras trançadas, com muitas cores, de difícil leitura.

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