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Ceasa abandona projeto e gera prejuízo a estudantes

Visita de estudantes dos ensinos infantil, fundamental e superior não ocorre desde 2018

| Especial para ACidade ON

A Prefeitura de Campinas, que administra a Ceasa, justificou que as visitas estão suspensas no local por causa de obras no espaço. (Foto: ACidade ON Campinas)

Um dos locais favoritos de Campinas para visitas de escolas do Ensino Infantil, Fundamental e até para alunos de universidades, a Ceasa (Centrais de Abastecimento de Campinas) não recebe mais excursões desde junho de 2018.

O mercado de frutas, legumes, verduras e de flores era utilizado para professores falarem sobre alimentação saudável, biologia, ecologia e desperdício, e recebia em média 1,4 mil alunos por ano.

Universidades como a Unicamp, PUC-Campinas, Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), USP e Metrocamp também promoviam visitas ao local para falar de agricultura e pós-colheita.

A Prefeitura de Campinas, que administra a Ceasa, informou que as visitas estão suspensas por causa de obras no espaço, mas o ACidade ON esteve no local e não verificou trabalhos no circuito onde ocorria o percurso. Uma pequena obra está sendo feita a pelo menos 300 metros, afastada das bancas de frutas e legumes.

Uma das turmas que deixou de frequentar o mercado foi a de Pós-colheita e Fruticultura da Esalq de Piracicaba. O professor do curso, Angelo Pedro Jacomina, explicou que visitava a Ceasa com seus alunos há 20 anos para explicar a dinâmica da comercialização de produtos, além de problemas e soluções para a etapa de transporte. "Agora eu sou obrigado a levar no Ceasa de Piracicaba, que tem uma uma estrutura muito menor. Não é a mesma coisa. Ficou essa lacuna para o curso".

Jacomina falou ainda que, no ano passado, a administração da Ceasa informou que a suspensão seria temporária e que eles estavam reestruturando o programa.  

"Mas já se passou um ano e meio. O senhor Francisco, que era responsável pela excursão, nos recebia sempre com muito zelo, explicava tudo com detalhes. É um serviço que faz muita falta para o universo acadêmico".  



DEMISSÃO

O funcionário citado pelo professor é Francisco Homero Marcondes, demitido no meio do ano passado. Ele trabalhava no Ceasa desde 1979 e era responsável pelo tour entre os permissionários e pela organização da agenda de visitas.

"Me demitiram sem muitas explicações e disseram que iam reestruturar essa área. Para mim foi muito difícil, porque era algo que eu adorava fazer e que sabia que tinha um valor educacional enorme para crianças e universitários", disse. Segundo ele, entre janeiro de 2016 e junho de 2018, 3.520 alunos passaram no espaço.

FESTA

Um dos gerentes de uma permissionária, que recebia crianças com sucos e pedaços de frutas, disse que as excursões eram bem vistas pelos comerciantes. "Era bacana, ver aqueles pequeninhos em fila, com os olhos curiosos. Para nós não era incômodo nenhum. Ninguém sabe ao certo porque cortaram as visitas, mas todos sentem falta", disse o funcionário, que preferiu não se identificar.

OUTRO LADO

Em nota, o diretor-presidente da Ceasa, Wander Villalba, informou que "as visitas monitoradas foram suspensas no início de 2019 para adequação de toda estrutura interna da Ceasa".

De acordo com Villalba, há obras "no Píer, nova portaria, caixaria, entre outras", que apresentariam "riscos para as pessoas que circulam pelo Mercado, sobretudo crianças". O ACidade ON foi até o local mas não identificou as obras citadas.

A Ceasa não comentou a demissão do servidor responsável pelas visitas.

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