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Moradores de Barão lutam pela criação do Parque Rio das Pedras

Grupo recolhe assinaturas para que Prefeitura transforme área em parque público a fim de evitar avanço da especulação imobiliária

| Especial para ACidade ON

Imagem mostra lagoa na Rio das Pedras e "divisa" com área urbana (Foto: Divulgação)

Um grupo de moradores do distrito de Barão Geraldo, em Campinas, já reuniu 24 mil assinaturas em uma petição a favor da criação de um parque municipal na Fazenda Rio das Pedras. A área verde particular de 465 hectares às margens da Estrada da Rhodia abriga uma área de preservação ambiental, um casarão, uma tulha e um conjunto de casas de colonos, todos tombados pelo Condepacc (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas), além do maior lago da cidade.

O grupo também reivindica que a Prefeitura não torne urbana a área onde a fazenda está. Hoje, o espaço é uma "Macrozona de Desenvolvimento Ordenado", classificação atribuída para caracterizar locais com uso tanto rural como urbano.

Os moradores temem que no futuro a fazenda possa ser loteada a empreendimentos imobiliários, colocando em risco a flora e os animais que habitam a área. A Prefeitura informou que no momento não tem estudos para transformar a área em um parque público e a empresa agrícola Adalpra, proprietária da terra, comunicou que não há negociações para desapropriação.

Um dos organizadores do movimento, Manuel Rosa Bueno, disse que a causa existe desde 2011 e tem o apoio dos moradores do distrito, além de pessoas de outras regiões da cidade. "Queremos salvar essa área transformando-a em um parque e assim evitar que ela seja totalmente tomada e destruída pela exploração imobiliária". Para Bueno, a decisão da Prefeitura de tornar a área da fazenda em Macrozona de Desenvolvimento é perigosa.

"Com essa nova classificação, com uma canetada do Executivo, a fazenda pode se tornar uma área urbana. Hoje não há nenhuma justificativa social para essa área se tornar urbana, só iria aumentar a população de Barão. Essa região precisa ser preservada". Uma estimativa feita pelo grupo apontou que se a área for incluída no perímetro urbano, em alguns anos o distrito, que hoje tem 65 mil habitantes, pode chegar a 100 mil.

Uma das proposta dos moradores para desapropriar a região é que uma parte menor, de 20% da fazenda e que não tem valor ambiental, seja transformada em urbana. Com isso, segundo eles, a terra teria uma grande valorização imobiliária para os donos. A outra porção poderia ser doada à Prefeitura, como compensação ao impacto que a cidade sofrerá.  



CORREDOR ECOLÓGICO

Outra justificativa para o projeto, segundo integrantes do movimento, é garantir que o Corredor Ecológico das Onças não seja ameaçado. Isso ajudaria a circulação e sobrevivência de animais ameaçados de extinção, como a onça-parda, o gato-do-mato-pequeno e o cachorro-do-mato, entre outros. O Parque Rio das Pedras liga as Áreas de Relevante Interesse Ecológico da Mata Santa Genebra e do Matão, que fica em Cosmópolis.

QUALIDADE DE VIDA

A financista Alessandra Borges, também moradora de Barão, afirmou que o parque proporcionaria mais qualidade de vida ao distrito. "O local, além do valor ambiental, tem um valor histórico muito grande. E Barão Geraldo hoje não tem um parque público. A população ganharia bastante".

O jornalista Jary Almeida Pádua explicou ainda que um loteamento no espaço tornaria impermeável uma grande área de drenagem de chuva e alimentação de nascentes. "A Fazenda Rio das Pedras chega a ter sete nascentes importantes para para os nossos mananciais. A primeira coisa que irá acontecer se a área for urbanizada é a extinção dessas nascentes", explicou.

PREFEITURA

Em nota a Prefeitura informou que "embora a Fazenda Rio das Pedras seja um local com características paisagísticas e ambientais importantes, no momento não há estudos no sentido de transformar a área em um parque público". Segundo a Administração, o novo parque teria um custo de manutenção alto, além dos valores das desapropriações necessárias.

Em relação ao zoneamento, a Prefeitura informou que a "Macrozona de Desenvolvimento Ordenado tem como objetivo melhorar o acesso às áreas produtivas e o escoamento da produção, proteger o meio ambiente, o patrimônio e propiciar a regularização fundiária e fomentar o desenvolvimento social e econômico" e que "são observadas as vocações de cada território, visando atividades propícias para o local".

"Para que haja expansão nesse perímetro é preciso pagamento de Outorga Onerosa de Alteração de Uso (OOAU), estudos de viabilidade e Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV)", conclui a nota.

A empresa Adalpra, proprietária das terras, informou apenas que não há negociação em para desapropriação do local.

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