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Projeto estimula uso de plantas e ervas para cura de doenças

O Farmácia Viva, no entanto, não produz medicamentos fitoterápicos como o programa Botica da Família, suspenso há dois anos pela Prefeitura

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Horta em UBS em Campinas. (Foto: ACidade ON Campinas)

Isabel das Dores de Jesus da Silva, de 82 anos, diz nunca ter tomado um remédio na vida. Quando tem alguma dor de cabeça, estômago ou está se sentindo mal, recorre ao seu gabinete de ervas para aliviar os sintomas.

Moradora do Jardim Boa Esperança, em Campinas, ela frequenta a UBS (Unidade Básica de Saúde) para cuidar da horta de plantas medicinais do local e ensinar os pacientes a usá-las.

Dona Isabel, como é chamada, é uma das multiplicadoras do programa "Farmácia Viva" em Campinas, um projeto feito em parceria com o Ministério da Saúde, Secretaria de Agricultura e Abastecimento, Unicamp e Prefeitura.  

Criado para resgatar os saberes tradicionais e populares no uso de plantas naturais no tratamento de doenças, que diminuiu muito com o crescimento da indústria farmacêutica e da medicalização, a ação começou em 18 UBSs na cidade, mas já está em implantação em outras 21.

O Farmácia Viva, no entanto, não produz medicamentos fitoterápicos como o programa "Botica da Família", suspenso há dois anos pela Prefeitura e sem previsão de retorno. Com as plantas cultivadas nas próprias unidades, profissionais da saúde ensinam pacientes a fazerem chás, cataplasmas ou xaropes.

As espécies plantadas nas UBSs foram testadas previamente pela Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável do Estado e têm eficácia comprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).   



HORTO  

As plantas matrizes que vão para as UBSs saem do horto da secretaria, no prédio da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável, no Jardim Guanabara, em Campinas. Uma das responsáveis pelo cultivo orgânico e pelos testes é a engenheira agrônoma Maria Cláudia Silva Garcia Blanco.  

"Em março de 2018, começamos as coletas para análises de solo nas unidades de Saúde. Também fizemos as capacitações sobre compostagem e cultivo de plantas medicinais para os profissionais da Saúde, para garantir o uso da erva correta e indicada por estudos científicos", explicou.

Hoje, o projeto dá prioridade a 20 plantas medicinais, cultivadas de forma orgânica, sem agrotóxicos ou insumos industrializados. Babosa, guaco, malvarisco, boldo, açafrão-da-terra, capim-limão, carqueja, alecrim, erva baleeira e hortelã são algumas das ervas encontradas no horto e nas UBSs, e a demanda é tão grande que muitas vezes profissionais precisam reduzir a distribuição para preservar a horta.   

Equipe de funcionários e pacientes que utilizam horta em UBS em Campinas. (Foto: ACidade ON Campinas)

SAÚDE E ECOLOGIA
 
A farmacêutica Érica Mayumi Tanaka, coordenadora do "Farmácia Viva" na Prefeitura de Campinas, explicou que o projeto é uma forma abrangente de reconstruir o conhecimento tradicional das plantas. "Hoje essa sabedoria está mais restrita as pessoas mais velhas. Mas estamos percebendo que as pessoas estão redescobrindo essa medicina mais natural. A procura está muito maior. Eles perceberam que fazer tratamentos menos agressivos, com menos toxicidade, tem um benefício muito maior".  

As unidades de Saúde têm uma cartilha que ensina como preparar as plantas e para quais enfermidades elas podem ser utilizadas. O projeto campineiro recebeu um prêmio de "menção honrosa" na 16ª Mostra de Experiências Exitosas dos Municípios Paulistas, no ano passado.  

MULTIPLICADORES
 
Atuante na UBS Boa Esperança, Dona Isabel, além de cuidar da horta, faz água aromatizada e até escalda pés para os pacientes do SUS que estão esperando consultas. A voluntária também é a primeira a ser procurada pelos moradores para ensinar receitas de chás e xaropes. "Já curei uma amiga com queimaduras de terceiro grau só com babosa. Também ajudei uma menina que estava aqui com uma crise de bronquite asmática. Fiz um banho de ervas que a médica me disse que foi o que a ajudou a chegar viva até o Hospital da PUC".

Veja a lista de UBSs com hortas do Farmácia Viva:  

Distrito Sudoeste: Campos Elíseos Tancredo Neves, DIC I, DIC III, Vila União, Santo Antônio e Vista Alegre;
Distrito Noroeste: Ipaussurama;
Distrito Sul: Campo Belo, Santa Odila, Carvalho de Moura e Jardim Fernanda
Distrito Leste: Joaquim Egídio, São Quirino, Boa Esperança, 31 de Março;
Distrito Norte: San Martin, Jardim Aurélia e Rosália

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