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Rede de solidariedade se forma em meio à pandemia

Uma imensa rede de solidariedade vem se formando com pessoas comuns, que oferecem o que podem, de graça, sem esperar nada em troca

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Jovens criam corrente de solidariedade em Campinas. (Foto: Denny Cesare/Código 19)

O isolamento domiciliar gerado com grande parte da população de Campinas em quarentena é necessário para combater o avanço do coronavírus na cidade, mas um grupo cada vez maior de pessoas está disposto a ir às ruas para ajudar um dos grupos mais vulneráveis ao novos vírus: os idosos.  

Uma imensa rede de solidariedade vem se formando com pessoas comuns, que oferecem o que podem, de graça, sem esperar nada em troca. A rede é formada em prédios, condomínios e bairros para amparar as pessoas com mais de 60 anos a comprar alimentos, remédios ou até levar o lixo para fora de casa.

Os idosos estão entre os grupos mais vulneráveis à doença e têm a maior taxa de mortalidade, que chega a 15%, enquanto a média para todas as idades é de cerca de 3,74%. Por isso, uma rede de apoio de pessoas mais jovens e sem doenças crônicas se esforça para poupá-los. Ainda mais que Campinas já somou nove casos confirmados da doença e investiga outros 253 casos suspeitos.  

Em um prédio no Cambuí, diversos moradores aderiram ao movimento. Eles deixaram recados no grupo do Facebook do condomínio em que se dispuseram a fazer compras para os mais velhos do edifício. Uma delas é a engenheira civil Rosana Mendonça, de 42 anos. Ela, que tem avós e pais idosos morando longe, decidiu fazer pelos outros o que gostaria que fizessem por seus parentes.  

"A situação que estamos vivendo é preocupante. Não é brincadeira. Meus pais têm tudo a favor para ter complicações com o vírus: diabetes, problema de coração, hipertensão. Isso me deixa preocupada e fico imaginando idosos aqui na mesma situação. Por isso decidi ajudar", explicou.  



Ainda segundo Rosana, a iniciativa não atrapalha a sua rotina. "E eu estou bem, com a saúde boa. Tomo todas as precauções".  A social media Bruna Guedes, de 36 anos, foi a pioneira no prédio com a iniciativa. Ela disse que observa diariamente os idosos e que, quase sempre, eles só saem do apartamento para comprar algo.  

"E 90% desses idosos moram sozinhos, não tem quem faça por eles. Por isso fiz o anúncio, para oferecer acolhimento mesmo. A ideia é também que eles reflitam e percebam que se tem até gente oferecendo ajuda, é porque a doença é séria".  

Em home office, Igor Henrique Soares de Oliveira, de 27 anos, também é um voluntário do grupo. Como Rosana, ele disse que pensou em suas próprias avós quando mandou o recado. "Uma mora em Assis Chateaubriand e outra em Curitiba. Assim como elas, outros aqui precisam de ajuda também. Por isso eu posso descer lixo, passear com o animal, fazer mercado, ir na farmácia. Qualquer coisa que eu puder ajudar".  

SOS
 
No Bosque dos Jequitibás, os voluntários de um prédio também se ofereceram a levar os mais velhos a hospitais em caso de algum sintoma mais sério. "Deixei todos os meus contatos e de outros moradores no mural do prédio para que eles possam nos chamar a qualquer hora. Os sintomas evoluem rápido e agora está difícil até de conseguir um Uber", explicou a publicitária Luana Costa, de 30 anos, que também está trabalhando de casa.

Luana disse que qualquer medida que evite idosos saírem na rua é válida, e espera que o pico de transmissão da doença passe logo. "Mas até lá, vamos ter que aprender a ressignificar as relações e olhar para o outro com mais atenção". 
 
No Campos Elíseos a ação do funcionário público Rodrigo Oliveira é outro exemplo de solidariedade em meio à pandemia. Rodrigo se ofereceu para ajudar com as compras nos supermercados para pessoas no grupo de risco, sem cobrar nada.  

Ele publicou nas redes sociais o anúncio, em que se disponibiliza para fazer compras de supermercado ou farmácia para as pessoas da região do bairro onde mora.  Rodrigo está trabalhando em home office no regime de plantão, e diz ter se inspirado em uma publicação semelhante de uma pessoa de outro estado, e decidiu por aderir.  

"É um momento crítico, sabemos como está a situação lá fora e não quero que isso aconteça aqui. Espero que as pessoas que precisem fiquem em casa, e quem puder se solidarize para ajudar nesse momento. Agora não é hora de pensar em dinheiro, prejuízo, mas na saúde das pessoas", comentou Rodrigo, que diz ter tido um retorno muito bom da postagem.  

"Muitas pessoas acharam a atitude bacana, e acho que é uma semente que a gente planta. Até agora duas pessoas de bairros próximos entraram em contato comigo perguntando se era verdade e se eu poderia, e eu falei que sim. Nos dois casos são pessoas idosas, que moram sozinhas e a gente imagina como deve estar sendo difícil".

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