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Escola volta a ser foco de discursos conservadores na Câmara

Com a decisão do prefeito Jonas Donizette (PSB) de ingressar no programa de Escola Cívico-militar, o debate esquentou novamente na Casa

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Assunto voltou na última semana. Foto: Câmara de Campinas/Divulgação

É público e notório que após a eleição de Jair Bolsonaro, a bancada conservadora de Campinas ficou mais à vontade para defender as pautas que são estimuladas pelo governo federal, sempre polêmicas e com o intuito de abastecer um nicho eleitoral específico.

Mas antes mesmo do processo eleitoral do ano passado, alguns parlamentares de Campinas já se destacavam em meio a esses discursos e levantavam a bandeira que tinham um único foco: as escolas.

Com a decisão do prefeito Jonas Donizette (PSB) de ingressar no programa de Escola Cívico-militar, o debate esquentou novamente na Casa.  

Mas essas discussões já permeiam os discursos na Câmara há anos. Campos Filho (DEM) parlamentar ligado à igreja, decidiu apostar suas fichas políticas na batalha para vetar o debate de gêneros na escola. A discussão começou em 2015. Ele chegou a protocolar um projeto que gerou muito embate. Ganhou apoiadores, mas também enfrentou a oposição.  

O parlamentar defendeu até o fim o veto a qualquer política que discuta a questão LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) nas escolas municipais, mesmo a cidade sendo pioneira e referência em políticas públicas e ter inaugurado o primeiro centro de referência LGBT.  

No ano seguinte, foi a vez de Jorge Schneider (PTB), defender a volta da disciplina Educação Moral e Cívica nas escolas municipais. Segundo ele, a intenção era despertar a consciência das crianças e jovens. Na sessão da última quarta-feira (9), após o início dos debates sobre as escolas cívico-militares, o petebista voltou a defender sua bandeira.  

"Se os jovens não respeitam as famílias, a escola, a culpa é dos governantes. Hoje, um pai não consegue corrigir um filho. Nós progredimos? No meu tempo não era assim. Devagarzinho nós estamos conseguindo. Os progressistas dizem que eu quero a volta da ditadura. Ninguém é obrigado a estudar na escola. Quero que volte o civismo", disse.  

Outro que engrossa o coro é o vereador Edison Ribeiro (PSL). "Professora e professor são segundos pais, eles estão lá para ensinar e não para dar educação, porque educação é de berço, educação vem de casa. Tenho saudade da minha época, de chegar na escola e cantar o hino, orava o pai nosso, respeitava os professores", disse.  

Na oposição, a crítica dos parlamentares está no fato do sistema de ensino ser precário, dos professores ganharem baixos salários e das unidades terem estruturas ruins para o ensino dos alunos.  

ESCOLAS
 
O modelo aceito por Jonas funciona da seguinte forma: os professores e demais profissionais da educação são responsáveis pela área didático-pedagógica. Já as forças de segurança pública atuam na gestão administrativa e formação disciplinar dos alunos. O objetivo, segundo o MEC é a "melhoria do ambiente escolar".  

O governo quer que 216 escolas adotem o modelo de gestão cívico-militar até 2023. Serão gastos R$ 54 milhões só no próximo ano. Cada escola receberá R$ 1 milhão para adequações de infraestrutura.

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