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PMB esvazia em Campinas e segue sem representar as mulheres

Único vereador do partido em Campinas, Aurélio Claudio deixa legenda e volta para o PDT

| Especial para ACidade ON

O vereador Aurélio Claudio (Foto: Divulgação)

De saída do PMB (Partido da Mulher Brasileira), com as malas prontas para o PDT, sua antiga casa, o vereador de Campinas, Aurélio Claudio, diz que cumpriu sua missão na legenda, que era de fortalecer a participação das mulheres na política e a encorpar a sigla. Aurélio deixa o PMB com 400 filiados e 80% dos quadros formados por lideranças femininas, mas com pouca expressão para se garantir na eleição municipal com o fim das coligações.

Sua atuação no Legislativo nos últimos anos, no entanto, não foi direcionada às mulheres. O parlamentar diz que trabalhou por elas em comissões, mas tem apenas um projeto de lei registrado no sistema da Casa, que trata de abrigos temporários para mulheres ou famílias em risco.

Aurélio decidiu mudar para o PMB em 2016, um dia antes de terminar o prazo para as filiações. Naquela época, declarou que a missão da sigla era importante para o país e que o principal objetivo seria incentivar a participação feminina na política. Hoje, ele mantém esse discurso, mas afirma que a falta de estrutura da sigla e que o apoio da executiva nacional dificultou o crescimento do PMB em todo o país.

"No PMB, eu fui no último dia, não tive tempo de organizar o partido para aquela eleição. Depois, eu senti um certo amadorismo na nacional, tanto que eles perderam uma grande quantidade de federais. Eu senti que o partido precisava de profissionalismo. Na campanha seguinte, que poderia eleger federais, o PMB provou que as ações que eles fizeram não deram certo. Não tive outra opção a não ser mudar", afirmou Aurélio.

O PMB foi fundado em 2015. De lá para cá, o partido não conseguiu se consolidar no Brasil com um número expressivo de representantes e tem em seus quadros mais homens que mulheres. Em 2018, foram 226 candidatos homens contra 163 mulheres para os cargos de deputados federais e estaduais e para o Senado.

ENFRAQUECIDO

A cláusula de desempenho estabelecida em 2015 determina que um partido tenha que eleger nove deputados federais em pelo menos um terço dos 26 estados e no Distrito Federal ou ter 1,5% dos votos válidos para conseguir participar do Fundo Partidário. Os partidos considerados pequenos, como o PMB, sem a possibilidade de se coligar na proporcional, tendem a não conseguir sobreviver na próxima eleição.

Na última eleição, em 2018, o PMB não elegeu nenhum deputado e perdeu o direito ao fundo. O fim das coligações proporcionais também afetará o partido nesta eleição, assim como todas as outras legendas pequenas.

"A proposta do PMB era muito interessante, eu continuo achando que ajudaria na moralização. Aqui em Campinas, dos filiados, a grande maioria é mulheres. Não fechei grandes lideranças, não trouxe lideranças fortes. Faltou apoio da nacional", disse Aurélio. Um dos nomes que o vereador gostaria de ter levado para o PMB era o da Delegada Teresinha. Hoje, ela se coloca como pré-candidata a prefeita pelo PTB.

O vereador afirma que nos últimos anos trabalhou pelas mulheres, mas a sua atuação ficou mais concentrada nas funções do partido. "Nós participamos de vários de propostas, vários projetos, que vão nesse sentido, de proteção das mulheres, ações através das comissões. A minha missão como presidente do PMB era organizar o partido e colocar uma mulher na presidência, mas hoje, quem comanda a sigla é o diretório estadual". O presidente do PMB no Estado de São Paulo é Jaime Fusco - outro homem.

PROTAGONISMO

Desde que o Caso Sanasa derrubou o governo do ex-prefeito Hélio de Oliveira Santos, o PDT luta para se manter vivo em Campinas, após uma debandada de filiados e de se ver sem representantes na Câmara. O partido, nos tempos áureos, figurou a posição de maior bancada e tinha o controle da Casa. Hélio deixou o PDT. Hoje, o partido está nas mãos de Francisco Soares de Souza, o Chico Frentista, que busca resgatar o protagonismo da sigla e construir uma nova bancada na Câmara.

A assinatura de Aurélio deve ocorrer nos próximos dias. O grupo quer a presença do líder nacional, Carlos Lupi. "Volto agora para o PDT com essa missão de trazer mais lideranças, mais vereadores e ajudar o Chico a fortalecer o PDT. Temos hoje nomes muito importantes no cenário nacional e isso nos ajuda a crescer em Campinas", disse o parlamentar.

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