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Grupo acusa empresa de golpe após voos cancelados em Viracopos

Passageiros adquiriram passagens a preços baixos para período em que empresa não vai mais operar voos em Campinas; entenda o caso

| ACidadeON Campinas

Aeronave da Aigle Azur (Foto: Divulgação) 

Um grupo de pelo menos 200 passageiros acusa a companhia aérea Aigle Azur de golpe após o cancelamento de voos operados pela empresa entre o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, e Paris/Orly.

A rota é operada desde julho do ano por meio de um acordo de codeshare com a Azul. Os passageiros podem comprar passagens por meio das duas empresas, mas é a Aigle Azur que mantém a estrutura - aeronaves e tripulação - dos voos.

Passando por dificuldades financeiras, a Aigle Azur anunciou o fim das operações na rota a partir do fim de setembro.

Passageiros que compraram bilhetes a partir desta data receberam mensagens da empresa pelo celular informando o cancelamento dos voos e instruções para o reembolso, que, segundo o comunicado, seria realizado em até 30 dias.

O grupo de passageiros reclama, no entanto, que a empresa não está cumprindo o que determina a legislação brasileira. "Eles deveriam fazer não só o reembolso, mas garantir a realocação em voos em outras datas ou mesmo de outras companhias", reclama o empresário Rafael Pizzoni, 33 anos.

Ele diz que adquiriu duas passagens de volta da França para Campinas para o dia 3 de janeiro de 2020 por R$ 2,5 mil. "Peguei uma promoção. Agora, se tento comprar a mesma rota em outra companhia, só encontro por mais de R$ 5 mil", afirmou.

Pizzoni está em um grupo de WhatsApp com mais de 200 pessoas de todo o país que estão com o mesmo problema. Para ele, a empresa vendeu passagens baratas para tentar aumentar a receita já sabendo que não operaria os voos. "É um golpe", afirmou.

Outra "vítima", Luana Costa, reclama da dificuldade em entrar em contato com a empresa. "Não tem escritório no Brasil, nada. A gente manda e-mail no endereço que aparece no site e ninguém responde".

Segundo eles, passageiros que compraram os bilhetes pela Azul também estão sendo ignorados pela empresa brasileira. "Eles dizem que não tem mais parceria e que não é um problema deles", disse Luana.

O QUE DIZ A ANAC

Em nota, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) informou que sua resolução nº 400 obriga as as companhias aéreas a fornecer o reembolso integral do valor pago pela passagem; reacomodação em outros voos da própria companhia ou de outra empresa que ofereça serviço equivalente para o mesmo destino, na primeira oportunidade; execução do serviço por outra modalidade de transporte e reacomodação em voo da própria empresa aérea em outra data que seja da conveniência do passageiro.

A Anac também informou que, no caso de codeshare, a empresa que vendeu a passagem também deve ser responsabilizada. "Tendo em vista que as duas empresas efetuaram a venda do bilhete, embora o serviço (voo) fosse prestado apenas pela Aigle."

"Se as tentativas de solução do problema pela empresa não apresentarem resultado, o usuário poderá registrar sua reclamação por meio do site www.consumidor.gov.br. Pela ferramenta o consumidor pode se comunicar diretamente com as empresas, que têm o compromisso de receber, analisar e responder as reclamações em até 10 dias. As manifestações apresentadas nessa plataforma são monitoradas pela Agência, que acompanha a qualidade das soluções apresentadas", encerra a nota.

O QUE DIZ A AZUL

Em nota, a Azul informou que interrompeu o acordo de codeshare com a Aigle Azur nos voos entre Campinas e Paris e, neste momento, não deve assumir a rota. "A companhia já vem realizando a reacomodação dos Clientes que compraram os bilhetes com a Azul para voar na rota operada pela Aigle", disse.

O QUE DIZ A AIGLE AZUR

A reportagem do ACidade ON tentou contato com um representante da empresa no Brasil, mas ninguém foi localizado. Um e-mail foi enviado à sede da companhia, na França, mas não houve retorno até a publicação do texto.


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