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Economia

Investidores de Campinas tentam se blindar na crise do coronavírus

Especialista recomenda calma e frieza diante de oscilação financeira causada principalmente pela pandemia de coronavírus

| ACidadeON Campinas

 

Raphael Pace, de 32 anos, mantém o sangue frio com seus investimentos. (Foto: Miguel Von Zubem/Especial para ACidade ON)

Se investir na Bolsa de Valores era a nova onda entre jovens profissionais de Campinas no ano passado, hoje a situação é diferente: o pânico tomou conta do mercado e apenas na manhã de ontem (12) o Ibovespa, principal índice de bolsa de valores do Brasil, despencou 15% e o dólar passou dos R$ 5. A crise mundial, provocada principalmente pela pandemia do coronavírus gerou uma reviravolta no mercado, e assustou os pequenos investidores que colocaram economias apostando no momento bom das ações. As perdas no ano estão perto de 40%: isso quer dizer que, em média, se alguém tinha R$ 100 em ações em janeiro, hoje tem R$ 61.  

Mas apesar do temor, o empresário e investidor de Campinas Raphael Pace, 32 anos, mantém o sangue frio com seus investimentos. Pace ainda vê as constantes quedas do Ibovespa como uma oportunidade. "Perdi dinheiro, mas a minha esperança é que volte ao normal. Se você tira agora, está declarando prejuízo, mas se deixa lá e tem a maturidade e frieza de não ficar abrindo o aplicativo para ver, pode passar por essa e ganhar mais para a frente".  

Segundo o especialista em finanças e professor da Unicamp Rodrigo Lanna, o perfil apresentado por Pace é comum entre os pequenos e novos investidores brasileiros.   
 
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"As pessoas mais jovens são consequentemente novas no mercado de ações, e muitas provavelmente enfrentaram pela primeira vez um baque caótico", explica o professor. "Na medida em que somos mais novos, estamos menos avessos a risco, pode existir um pensamento de dobrar a aposta. De um lado, pela inexperiência, a pessoa pode entrar no efeito manada, que é copiar a ação do vizinho, mas por outro, entre os mais antenados, pode haver uma oportunidade".  

Segundo Lanna, educação financeira é a chave para que os investidores deixem de agir pelo emocional e passem a olhar com mais racionalidade para a questão. "Tem que segurar a respiração e permanecer, porque em algum momento isso vai se reverter. Investimento em bolsa não é de curto prazo e tem que ser um dinheiro pautado em um colchão de reserva. Seu investimento é algo que vai além do seu colchão, é de médio e longo prazo", acentua.  

TRANQUILIDADE
 
A atitude de tranquilidade foi tomada pela veterinária e também investidora Luiza Artacho, 28 anos, de Campinas. Segundo ela, o auxílio de um fundo de investimentos foi primordial para não se assustar com a derrocada da bolsa nos últimos dias. "Quando soube das notícias mais recentes, entrei em contato com meu consultor financeiro e foi ele que me orientou a não fazer nenhum movimento. Tenho outra quantia em renda fixa e isso me trouxe calma sobre tudo o que está acontecendo", relata.  

Segundo Pace, estudar e se manter atualizado tem ajudado. "Fiz cursos para entender um pouco mais do assunto e também escuto podcasts, com pessoas que ensinam sobre isso", conta o empresário, que segue a mesma recomendação dada pelo especialista ouvido pela reportagem do A Cidade ON. "Temos bons materiais na internet e cursos que a própria bolsa disponibiliza, então dá para se atualizar e aprender. Só não podemos achar que existe fórmula pronta que vai te deixar rico do dia para a noite".  

DESFAVORÁVEL
 
O professor Rodrigo Lanna explicou que a onda de constantes quedas na bolsa, associadas a picos elevados de cotação do dólar, estão associados a diferentes acontecimentos mundiais e nacionais, pautados principalmente pelo surto do coronavírus e o anúncio de aumento na produção de petróleo na Arábia Saudita, que causou queda nos preços da commodity no mercado mundial.  

"Tudo se aprofundou no Brasil porque temos muitos investidores estrangeiros. Eles estão em um mercado considerado de risco mais elevado que aquele de origem deles. Quando estouram essas crises mundiais, eles tiram o dinheiro e voltam para seu porto seguro".  

Além disso, segundo o especialista, a atual conjuntura político-econômica do país pode ter potencializado as oscilações. "Diante de uma situação em que o governo tem apresentado dificuldade no relacionamento com o Legislativo e as reformas estão patinando, o mercado vê um quadro que não está a contento. Pode ser que os agentes tenham se aproveitado deste momento para corrigir expectativas".
 


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