O setor de supermercados começou 2025 com o maior número de vagas abertas dos últimos anos. Segundo a APAS (Associação Paulista de Supermercados), o varejo supermercadista emprega cerca de 700 mil funcionários no estado de São Paulo e, atualmente, soma aproximadamente 34.574 mil vagas abertas.
Campinas se destaca no ranking das oportunidades, ficando atrás apenas da capital paulista. A cidade tem 5.643 mil vagas em supermercados, enquanto São Paulo registra 8.762 mil. Juntas, as duas regiões concentram 40% das vagas disponíveis no estado. Apesar do grande volume de oportunidades,a dificuldade para preencher os postos de trabalho é um entrave para o setor.
Dificuldades na contratação impactam expansão do setor de supermercados
Campinas abriga 14% dos 24 mil supermercados paulistas e enfrenta um desafio comum entre as redes do setor: vagas que ficam abertas por muito tempo, impactando o planejamento e freando investimentos.
O presidente da Associação Paulista de Supermercados, Erlon Ortega, explica que essa escassez de profissionais pode interferir diretamente nos planos de crescimento das redes.
“Muitas vezes, (a falta de mão de obra) atrasa a expansão de algumas redes pela falta de funcionários”
afirma.
Horário de trabalho é desafio para retenção de funcionários
A dificuldade não está apenas na contratação, mas também na retenção dos profissionais. Marcus Vinicius, gerente de um supermercado em Campinas, conta que a principal questão é a jornada de trabalho, principalmente no turno da tarde e da noite.
“A nossa maior dificuldade em reter pessoas é a questão do horário. A maior parte dos funcionários trabalha no turno da tarde, no fechamento, que vai até 22h30. Muitos acabam saindo e buscam algo fora desse horário. Hoje, essa é a nossa maior dificuldade”
explica.
Para Erlon Ortega, a solução está na flexibilização das relações de trabalho, principalmente para atrair jovens para o setor.
“O jovem não quer o velho formato de trabalho. Ele quer mais liberdade. Quer trabalhar cedo e não à tarde, ou o contrário. Quer estudar pela manhã e trabalhar à tarde. Às vezes, quer trabalhar no fim de semana; outras, não. Ele não quer 30 dias de férias ou quer mais. Precisamos modernizar nosso formato de trabalho para atrair esse jovem e minimizar essa falta de profissionais”
ressalta.
Setores mais afetados pela falta de profissionais
Historicamente, as funções de açougueiro, operador de frios, padeiro e confeiteiro são as que apresentam maior dificuldade para contratação devido à exigência de capacitação técnica. Entretanto, a escassez de mão de obra se expandiu para cargos como operador de caixa, repositor e empacotador. Veja as principais vagas abertas no estado:
- Operador de caixa: 7.225 vagas (21% do total)
- Repositor: 5.909 vagas (17%)
- Açougueiro: 4.314 vagas (13%)
- Operador de frios e laticínios: 3.866 vagas (11%)
- Empacotador: 2.778 vagas (8%)
Flexibilização e treinamento interno como estratégias
Para driblar a falta de profissionais, algumas redes de Campinas apostam em contratação intermitente e escalas diferenciadas, como explica Vanessa de Carvalho, gerente de gestão de uma rede na cidade.
“Temos profissionais que vêm sob demanda para cobrir finais de semana ou escalas noturnas. Também programamos o formato de 12×36, onde o funcionário trabalha 12 horas e folga por 36. Assim, conseguimos oferecer escalas mais interessantes, garantindo folgas aos sábados ou domingos toda semana”
detalha.
Outra aposta das redes é o treinamento no próprio ambiente de trabalho.
“Um açougueiro experiente tem um roteiro de treinamento e acompanha os novos profissionais, ensinando passo a passo a profissão. Assim que o colaborador adquire as habilidades necessárias, ele é promovido, já passando para uma nova faixa salarial”
explica Vanessa.
Lucas Macario, hoje líder de açougue, é um exemplo de ascensão profissional dentro do supermercado.
“Gosto muito de aprender. Cada evolução que eu tenho me motiva. Comecei na mesa praticando cortes, depois fui para o atendimento e, com o tempo, aprendi a lidar com clientes. Agora estou na liderança do setor. Mas não paro por aqui. Quero aprender sobre gestão e subir mais dentro da empresa”
afirma Lucas.
*Com informações de Victor Hugo Bittencourt/EPTV Campinas
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