O Ceprocamp (Centro de Educação Profissional de Campinas) abre no próximo dia 19 de janeiro as inscrições para 20 cursos profissionalizantes gratuitos, ampliando as oportunidades de qualificação para moradores da cidade.
Cursos gratuitos e rede de unidades
O Ceprocamp é uma escola pública municipal profissionalizante que oferece cursos técnicos e de capacitação gratuitos. Em 2025, foram disponibilizados 43 cursos, incluindo formações técnicas em enfermagem, informática e meio ambiente, além de capacitações como manicure, mecânico, marketing digital, entre outras.
A unidade central, localizada na Estação Cultura, no centro da cidade, é a Prefeito Antônio da Costa Santos. A instituição também conta com quatro unidades descentralizadas.
Matrícula em mais de um curso
Os alunos podem se matricular em mais de um curso ao mesmo tempo, inclusive aqueles que possuem alguma deficiência. No segundo semestre de 2025, o Ceprocamp registrou 79 inscrições de estudantes com laudo específico de necessidade especial, reforçando o alcance da política de inclusão.
Uma das alunas é Natiele Ribeiro, que tem deficiência auditiva e escolheu cursar Administração e Informática, na unidade do Satélite Íris.
“Conheci o Ceprocamp por conta da minha irmã, que já havia estudado lá. Quando soube que tinha um serviço de acessibilidade para ajudar os alunos, me interessei em participar porque estava cansada do que fazia e queria aprender coisas novas, ter empregos diferentes”,
diz
Durante as aulas, Natiele é acompanhada pelas intérpretes Dayane Ferreira e Raelly Rossi, que fazem a mediação do conteúdo. Segundo elas, a acessibilidade efetiva é essencial para que o aluno surdo acompanhe as aulas no mesmo nível dos demais, respeitando sua língua, a Libras (Língua Brasileira de Sinais).
Tecnologia a serviço da inclusão
Em 2025, o Ceprocamp passou a contar com equipamentos voltados à inclusão de pessoas com deficiência visual, como um recurso que permite a leitura dos conteúdos em Sistema Braille e um leitor de mesa, que amplia textos impressos e facilita a leitura de estudantes com baixa visão.
A professora de Educação Especial do Ceprocamp, Ingred Tanihara, explica:
“São recursos de tecnologia assistiva, usados para que os alunos com deficiência visual consigam acompanhar o curso e aprender da mesma maneira de um aluno que não tem deficiência.”
Segundo ela, tecnologia assistiva é um conjunto de recursos, equipamentos, serviços e estratégias que promovem funcionalidade, autonomia e qualidade de vida de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
Luta surda e inclusão
A intérprete Raelly Rossi, que também é deficiente auditiva, destaca a importância do serviço de acessibilidade:
“Eu sou surda parcial, minha audição não é 100% e isso faz de mim também parte da luta surda. Não tive esse apoio na minha época, e hoje vejo a diferença que faz um intérprete. Eu também sou professora de libras e, quando a gente se põe no lugar do aluno, além de ajudar, a gente acaba aprendendo junto com ele. Isso não tem preço”.
Conforme esclarece Ingred Tanihara, a “luta surda” é o movimento social e cultural da comunidade surda por dignidade, reconhecimento de identidade, direitos linguísticos, com a Libras como primeira língua, e direitos educacionais, defendendo a inclusão real por meio de políticas públicas e da valorização da cultura surda como parte fundamental do acesso a oportunidades iguais.
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