O calendário de feriados nacionais de 2026 pode provocar uma perda de até R$ 500 milhões em faturamento bruto para o varejo de Campinas, segundo estimativa do Sindivarejista Campinas, com base em estudo estadual da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo). O impacto está relacionado ao alto número de datas com possibilidade de emenda com fins de semana — ao todo, são 11 oportunidades, considerando também os pontos facultativos de Carnaval e Corpus Christi.
Campinas ainda soma ao calendário nacional dois feriados municipais: o Dia do Evangélico, aprovado pela Câmara Municipal recentemente e celebrado em 12 de agosto (quarta-feira), e a Festa da Padroeira, Nossa Senhora da Conceição, em 8 de dezembro (terça-feira), ampliando as oportunidades de descanso, lazer e turismo ao longo do ano.
A análise indica que o principal motivo para esse recuo é a diminuição na circulação de consumidores durante os dias úteis afetados pelas pausas no calendário. O fenômeno atinge com maior intensidade os segmentos voltados ao consumo imediato, como farmácias, postos de combustíveis, supermercados e lojas de vestuário ou mobiliário (entenda abaixo).
De acordo com o economista Jaime Vasconcelos, autor da análise, os feriados prolongados tendem a reduzir de forma significativa o movimento no comércio da cidade.
“Essas datas provocam uma queda expressiva no fluxo de consumidores, especialmente porque parte da população reduz a circulação urbana ou deixa a cidade para atividades de lazer e turismo em outras regiões”,
afirmou Vasconcelos.
Menos circulação, menos vendas
A redução do fluxo impacta diretamente as vendas, sobretudo em segmentos que dependem da circulação diária de pessoas e do consumo não planejado. Entre os setores mais afetados estão postos de combustíveis, lojas de vestuário, calçados, supermercados e farmácias.
“Mesmo atividades consideradas essenciais sofrem impacto agregado relevante, principalmente em um cenário econômico já marcado por juros elevados, consumo mais cauteloso e orçamento familiar pressionado”,
explica o economista.
Campinas sente mais os efeitos
Por concentrar o maior e mais diversificado polo comercial da região, Campinas acaba absorvendo de forma mais intensa os efeitos do calendário de feriados. Diferentemente de cidades com forte vocação turística, o município não consegue compensar as perdas com aumento no fluxo de visitantes.
“Campinas não se beneficia, na mesma proporção, do turismo de lazer durante feriados prolongados, o que limita a capacidade de compensação dessas perdas no comércio local”,
afirmou o especialista.
Impacto no estado é maior ainda
Já o comércio do Estado de São Paulo deixará de faturar R$ 17 bilhões em razão dos feriados e das chamadas “pontes” em 2026. O maior número de pausas em dias comerciais em relação a 2025 provocará um resultado 13,9% maior — o equivalente a R$ 2,1 bilhões a mais em perdas. No ano anterior, foram 9 feriados em dias úteis e 5 pontes, enquanto em 2026 serão, respectivamente, 12 e 4.
A FecomercioSP projeta que o faturamento do Varejo no ano passado fique na casa dos R$ 1,5 trilhão. Se isso se confirmar, o montante de perdas estimado com os feriados representaria 1,1% da receita anual, revelando um impacto relativamente pequeno, apesar de não desprezível, para o setor.
Comércio retrai, mas Turismo ganha fôlego
Se, por um lado, o comerciante pode encontrar mais dificuldades para vender produtos nos feriados, por outro, o Turismo tende a se beneficiar da data. Isso acontece porque municípios com vocação turística tendem a observar um aumento no fluxo de pessoas.
Além disso, as famílias costumam gastar mais com as atividades dos Serviços, como transporte, bares e restaurantes.
Planejamento será decisivo para o varejo
Diante desse cenário, a presidente da entidade, Sanae Murayama Saito, avalia que o planejamento empresarial em 2026 será ainda mais estratégico para garantir a sustentabilidade dos negócios. A maior concentração de feriados e emendas pode gerar descontinuidade no fluxo de consumidores, redução pontual de vendas e aumento de custos operacionais.
“As empresas precisarão adotar uma postura mais ativa e antecipatória para lidar com um ano que já se desenha desafiador para o varejo”,
avaliou.
Entre as principais estratégias recomendadas estão o aprimoramento da gestão de estoques, com planejamento mais preciso das compras e adequação dos volumes à demanda real, além da revisão das escalas de trabalho e dos modelos de funcionamento das lojas.
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