Quem come carne bovina certamente sentiu o aumento do preço do produto nos últimos meses. Nesta semana, o preço da arroba do boi chegou a R$ 344,00 e é o mais caro desde 2022, quando foi vendida a R$ 347,00. Os dados são do levantamento da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/ Universidade de São Paulo), publicado este mês.
Segundo Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Cepea-USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o clima seco dos últimos meses foi um dos principais fatores para a alta do preço.
“Observamos que, este ano, além do tradicional movimento de produção, tivemos uma seca muito mais densa. A falta de chuva somado com as queimadas impactou negativamente em termos de oferta. Então faltou gado para o abate nesse período, principalmente entre agosto e outubro”,
explica.
Com o preço da carne mais caro, os consumidores estão buscando alternativas e mudando o cardápio para economizar.
“Estou comprando moela porque não tem condição de ficar comprando carne boa”,
diz Dejanira Maria Ribeiro da Silva.
“Estou consumindo mais frango, legumes e verduras”,
conta Maria Braga.
Exportações contribuem para alta dos preços
As exportações, que são realizadas especialmente para a China, principal mercado comprador, também contribuem para o aumento do preço da carne, segundo Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Cepea-USP.
Em outubro as exportações somaram US$ 1,36 bi e, no acumulado do ano, o aumento na quantidade exportada foi de 30%.
Impacto também na indústria
Com as negociações para o exterior e as mudanças climáticas interferindo na criação dos animais e na produção, a indústria, que é uma fase intermediária em todo o processo, também sentiu a alta no preço da carne, não só o consumidor; conforme explica José Paulo Cândido Júnior, diretor comercial de frigorífico.
“Em virtude de todos os problemas climáticos, houve uma retração na oferta do boi para o frigorífico. Nós trabalhamos o abate com menos 50% e isso refletiu na oferta de produto para o consumidor final. Então, na realidade, houve equilíbrio entre a oferta e a demanda, mas com o preço reajustado”,
afirma.
Preço deve continuar alto
Para o fim de ano, a previsão não é animadora, pois, de acordo com Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Cepea-USP, o preço da carne deve continuar alto.
“Temos um cenário realmente de muito equilíbrio no mercado, que não deve favorecer preços ao consumidor e deve favorecer preço ao pecuarista”,
comenta.
Com informações de Guilherme Leoni/EPTV
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