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#EuFui: Tarde de guerra e a confirmação do esperado

Torcedor analisa partida que definiu o rebaixamento da Macaca para a Série B

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Invasão do gramado no Moisés Lucarelli (Foto: Denny Cesare/Código 19)

Alexandre Aranha (*)

O Majestoso era um barril de pólvora prestes a explodir. A tensão pré-jogo da morte começou no sábado com a vitória do Sport sobre o Fluminense, resultado que jogou mais pressão para o jogo da Ponte com o Vitória. Acordei no domingo já com o coração batendo mais rápido, ansioso e nervoso. No fundo eu sabia que seria difícil escapar do rebaixamento, mas o coração fala mais alto que a razão e às 15h já estava em frente ao estádio para receber o time. Festa tão bonita quanto a que fizemos na final do Paulista contra o Corinthians. Um clima muito bom, de união e esperança, mas que enganava.

Era o jogo da nossa vida e mais uma vez a torcida compareceu em peso. Ingressos esgotados e promessa de um jogão. Até foi assim, resolvemos o jogo em poucos minutos e a expectativa de dias melhores para a Macaca estava perto, era só controlar o jogo. Até o zagueiro Rodrigo entrar em cena. A alegria deu espaço para o desespero (pasmem, a Ponte vencia por 2 x 0, oras! Quem deveria estar desesperado eram os rubro-negros!), a tensão tomou conta de cada torcedor. Quem acompanha o time sabe o que aquela expulsão ia gerar lá na frente. Time só se defendia, torcida aflita, adversário querendo jogo e um jogador a menos. O rastro de pólvora tinha sido acesso e as chamas chegavam perto do barril. 

Aos 36 minutos do segundo tempo tudo foi para os ares. Explodiu! A virada dos baianos acabou com qualquer fio de esperança do pontepretano. Aquela torcida que merecia um alento, mais uma vez estava de frente com o fracasso. Mais um no ano. Balde de água fria na emoção e a Série B batendo na porta. A alegria deu lugar ao desespero, não só pelo resultado, mas pelas cenas de guerra. Muita gente correndo sem direção, crianças chorando e tiros de borracha para todo lado. Eu mesmo me coloquei à frente de uma menina que estava aos prantos com medo e tentei acalma-la. A sensação de impotência era enorme, já que nos dois portões de saída do estádio havia muita confusão e o cheiro de gás chegava cada vez mais rápido. 

Após a confusão envolvendo polícia e alguns torcedores é que a ficha caiu, que a tristeza bateu. A situação era difícil, o adversário também queria o resultado e fizemos a nossa parte na arquibancada. A revolta com os jogadores é grande, pois quando mais precisamos, eles não estavam dando o sangue pelo clube, salvo raras exceções.

Ano que vem a Ponte vai pegar um bom, e merecido, gancho por causa das invasões de campo, os jogadores provavelmente serão diferentes, mas o torcedor vai estar sempre lá. As especulações sobre o amanhã são grandes, mas uma coisa eu tenho certeza: o pontepretano não vai abandonar o time e não vamos nos esconder. Hoje é dia de vestir a camisa, juntar os cacos e pensar nos erros cometidos nessa temporada.

(*) Alexandre Aranha é pontepretano e estudante de jornalismo

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