Uma pesquisa realizada por médicos e nutricionistas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e da USP (Universidade de São Paulo) apontou que faltam evidências científicas que justifiquem a recomendação de suplementação com ômega-3 como suplemento para adultos ou idosos saudáveis. O complemento ajuda no aumento de força, massa e melhora da função muscular.
Divulgada na revista científica Advances in Nutrition, o trabalho analisou 4.403 pesquisas sobre o tema. Através de métodos estatísticos, os pesquisadores cruzaram os resultados desses estudos, para alcançar uma estimativa mais precisa do efeito geral do ômega-3 na suplementação alimentar
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A metodologia permite identificar padrões e tendências, fornecendo resumos confiáveis e abrangentes de evidências científicas, que possam embasar recomendações médicas. Contudo, entre os estudos analisados, apenas 14 estudos obedeciam aos critérios de qualidade pré-definidos pelos pesquisadores.
De acordo com os responsáveis pelo trabalho, a literatura científica que aborda a suplementação de ômega-3 para adultos e idosos é muito heterogênea. Isso significa que existem pesquisas que mostram benefícios e outras não.
Heloisa Santo André, doutoranda da FCA (Faculdade de Ciências Aplicadas) da Unicamp e principal autora do trabalho, explica que é preciso tomar cuidado com falsas promessas e que a ingestão de suplementos alimentares para a melhora no desempenho físico não tem poder mágicos. Pelo contrário, seus efeitos são mínimos se comparados a hábitos alimentares saudáveis.
“Todos nós queremos facilitadores, mas nenhum suplemento alimentar é milagroso. É sempre importante avaliar a real necessidade do uso, e a dosagem também é ponto de atenção. Um nutricionista deve ser sempre consultado. É fundamental procurar por marcas conceituadas e com boas certificações, que garantam produtos que atendam a determinados padrões de qualidade”, afirmou Heloisa.
Os pesquisadores ainda informaram que há investigações, principalmente na área de nutrição esportiva, que apresentam equívocos e sequer seguem os pré-requisitos básicos para pesquisas em saúde, o que pode resultar em erros clínicos.
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