O maestro Carlos Prazeres pediu desligamento da Orquestra Sinfônica de Campinas. O anúncio foi feito na manhã desta sexta-feira (12), durante um ensaio no Teatro do Centro de Convivência Cultural.
À frente da Sinfônica desde 10 de maio de 2022, ele deixa o posto por motivos pessoais e familiares, mas continua com a Orquestra até fevereiro de 2026, quando realiza seu concerto de despedida.
Prazeres explicou que a decisão tem relação direta com a necessidade de estar mais presente com a família, especialmente para acompanhar a saúde da mãe.
“Essa decisão foi tomada pensando que neste momento eu preciso garantir um tempo de presença com minha família. Preciso acompanhar mais de perto a condição de saúde da minha mãe. Eu vivo uma rotina com bastante viagens e isso estava influenciando neste momento em que preciso me dedicar mais à minha família. Foram três anos lindos com a Orquestra Sinfônica de Campinas. Aqui fiz amigos. É muito gratificante saber que saio com esse vínculo de amizade e de portas abertas. Eu quero voltar mais vezes para reger concertos. Vocês me convidam?”, disse.
Reconhecimento
A secretária de Cultura e Turismo de Campinas, Alexandra Caprioli, agradeceu a dedicação do maestro e destacou sua contribuição para aproximar a Sinfônica do público.

O prefeito Dário Saadi também reconheceu o impacto do trabalho do maestro.
“A atuação dele elevou o nível artístico de Campinas e deixou uma contribuição valiosa para a cultura campineira. Desejo sucesso nos caminhos que seguirá”, disse.
Últimos compromissos do maestro
Antes da despedida, Prazeres segue à frente da Sinfônica. O próximo compromisso é neste sábado (13), no concerto “Natal dos Sinos”, às 19h, no Teatro de Arena Teresa Aguiar, no Centro de Convivência Cultural. A apresentação é gratuita.
Após o evento, a Orquestra entra em recesso e retorna em fevereiro de 2026, com a programação voltada aos alunos da rede municipal de educação.
Trajetória do maestro
Graduado em oboé pela Unirio, Carlos Prazeres construiu carreira em importantes palcos do Brasil e do exterior. Já regeu conjuntos como:
- Orchestre National des Pays de la Loire (França)
- Sinfônica de Roma (Itália)
- Orquestra da Arena de Verona
- Sinfônica Siciliana
- Orquestra Petrobras Sinfônica, onde foi assistente de Isaac Karabtchevsky por oito anos
Em Campinas, consolidou uma marca de aproximação da música clássica com o público, ampliando o diálogo da Orquestra com a cidade e fortalecendo seu papel cultural.
Como será escolhido o novo maestro?
Com a saída anunciada, a prefeitura agora vai começar o procedimento previsto no regimento para a escolha do próximo regente titular. A Associação dos Músicos inicia uma escuta interna para indicar nomes que atendam ao perfil artístico desejado.
A partir disso, será formada uma lista tríplice, que será enviada ao prefeito. O novo maestro será escolhido em conjunto entre o chefe do Executivo e a secretaria de Cultura e Turismo.
Para ocupar o cargo, o candidato deve ter:
- formação superior em Música (Regência, Composição, Instrumento ou áreas correlatas);
- experiência mínima de três anos à frente de orquestras profissionais nos últimos dez anos;
- idade mínima de 28 anos.
Além da partitura
Da partitura ao espetáculo, a rotina de um maestro vai muito além dos gestos firmes diante da orquestra. Carlos Prazeres comanda a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas e, além de maestro, também atua como regente titular e diretor artístico da Orquestra Sinfônica da Bahia.
Prazeres é reconhecido nacionalmente e recebeu o título de cidadão baiano honorário em 2015 e de cidadão soteropolitano em 2021.
A relação de Prazeres com a música começou cedo, mas a decisão de se tornar maestro foi amadurecendo com o tempo. No dia em que foi celebrado o Dia do Maestro, em uma conversa rápida com o acidade on Campinas, o maestro da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas contou um pouco sobre sua trajetória e rotina.

O maestro destacou que sempre teve vontade de construir sua própria interpretação das obras que ouvia desde a infância. Segundo ele, essa autonomia artística foi decisiva, mas o que realmente o motivou foi a possibilidade de colocar em prática projetos voltados à acessibilidade musical.
Anos de dedicação
Se engana quem pensa que é fácil se tornar um maestro, pois a formação exige anos de dedicação. O processo inclui estudo instrumental sólido, teoria, história da música, prática de regência e experiência nos palcos.
Em média, são necessários mais de dez anos para atingir o nível de excelência na carreira. De acordo com Prazeres, a vivência prática, especialmente com orquestras, é apontada como um dos maiores desafios, já que ter acesso a esses grupos para treinar é um privilégio restrito.
Como se tornar um maestro?
O percurso costuma começar com o estudo de um instrumento e seguir com graduação em música. A especialização em regência pode ser feita em universidades ou em cursos externos, como no caso de Prazeres.
Experiências como trabalhar como assistente de maestros, participar de festivais e masterclasses com orquestras renomadas são fundamentais para a formação.
“A vivência prática, convivendo com músicos e diferentes repertórios, faz toda a diferença”,
conta.
Rotina de um maestro
O trabalho de um maestro vai muito além do palco. Antes da apresentação, há um intenso estudo das partituras, planejamento de ensaios e diálogos constantes com solistas e equipe técnica. Os ensaios funcionam como um laboratório, onde são ajustadas dinâmicas, tempos e cores sonoras.
Além da parte técnica, há ainda o desafio psicológico. “A parte psicológica também é fundamental! No fim, o maestro acaba sendo um gestor de almas”, finaliza o maestro.


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