O jornalista, escritor e sociólogo Chico Felitti esteve em Campinas no último final de semana. Criador de grandes podcasts investigativos, como “A Mulher da Casa Abandonada” e “A Coach”, ele participou da abertura do evento Casa Aberta no Senac Campinas, que aconteceu no sábado (19).
O acidade on conversou com o podcaster, que revelou suas principais inspirações para contar histórias, referências profissionais e o que tem na sua playlist de podcasts.
Ímã para histórias extraordinárias
“Eu acho que eu sou apaixonado e tenho um ímã na minha mente para histórias extraordinárias”, é assim que Chico Felitti se define na hora escolher as narrativas que originam seus grandes projetos. O jornalista hoje é conhecido por contar desde histórias de personagens que podem passar despercebidos no nosso dia a dia até de pessoas que viralizaram como memes na internet.
Ele conta que, com o tempo, foi aprendendo que “existe um livro ou um podcast dentro de cada pessoa”. “É só você saber olhar direito, fazer as perguntas certas, que todo mundo tem uma história extraordinária e isso acabou virando minha carreira, assim, de achar histórias extraordinárias onde geralmente elas passam batidas e ficar andando na rua que nem um maluco, porque minha vida é isso”, brinca.
Mas nem toda tentativa de contar uma história acaba sendo bem sucedida. Segundo ele, a imensa maioria das investigações que começa, cerca de 95%, não dão em nada, por vários fatores. E isso não diz nada a respeito dos personagens que Chico escolhe para suas narrativas.
Como todo jornalista, o podcaster depende que o personagem aceite vir a público e contar sua história para o mundo, algo que pode, muitas vezes, ser pensado e repensado pela pessoa em questão. “Não que a pessoa não tenha uma história interessante, ela tem, mas, por exemplo, a pessoa volta atrás e não quer mais contar a própria história, eu respeito”, explica.
Há também as vezes em que a história não é exatamente aquilo que ele esperava. “Algumas vezes aconteceu positivamente, tipo A Mulher da Casa Abandonada, não era a história que eu achei que eu fosse contar, virou outra história, mas isso foi incorporado no podcast e deu um salto ali na história que foi positivo”.

O que tem na playlist de podcast do Chico Felitti?
Pedimos para Chico elencar um top 3 podcasts que ele costuma ouvir no seu ‘tocador de áudio’, e a resposta misturou tanto mesacasts descontraídos quanto produtos de jornalismo investigativo. Veja o que tem na playlist de podcasts do Chico Felitti:
- “Me Conte Uma Fofoca”, de Duda Dello Russo e Thiago Theodoro;
- “A Grande Provocadora”, narrado pelo ator português José Mata;
- “Operação Prato”, do jornalista Ivan Mizanzuk.
Ele ainda cita como outros vícios “É Nóia Minha?”, de Camila Fremder, e “Não Inviabilize”, de Déia Freitas. “Eu sou viciado real, assim, não é nem por obrigação, mas antes de fazer eu já consumia muito e continuo consumindo ainda mais”, afirma.
Referências e o futuro do jornalismo
Apesar de hoje estar imerso no mundo de podcasts, Chico Felitti começou a ganhar destaque com narrativas escritas. Primeiro, veio a reportagem sobre o “Fofão da Augusta”, publicada em 2017 no falecido BuzzFeed Brasil. Mais tarde, a história deu origem ao livro “Ricardo e Vânia”, de 2019, que rendeu ao jornalista uma indicação para o Prêmio Jabuti. Entre seus outros lançamentos literários estão “A casa: A história da seita de João de Deus” e “Elke: Mulher Maravilha”.
A ‘virada de chave’ para investir em um novo formato veio a partir do podcast norte-americano “Serial”, que foi um marco das narrativas true crime. “Eu enlouqueci, comecei a tentar fazer em casa, ficavam horrorosos, os primeiros são impublicáveis, até que saiu o ‘Além do Meme’, que era mais ou menos bem feito, e o público só cresceu”, conta o jornalista.
Ele ainda destaca o poder dessa mídia que cresce e ganha cada vez mais força, podendo alcançar públicos distantes em um país com dimensões continentais como o Brasil.
“É muito fácil porque tá na mão, é internet e é de graça. Então, eu sou muito entusiasta. Assim, eu fico muito feliz, eu amo livro, quero voltar a escrever livro, mas acho que por hora eu vou focar um pouco em podcast porque é democrático, é de graça e está na mão de todo mundo. Então, eu sou muito entusiasta. Não sei se é o futuro, mas no momento tá legal, no momento tá crescendo e tá dando certo”, afirma.
Ao ser questionado sobre referências no meio jornalístico, Chico não pensou duas vezes antes de citar o nome de Daniela Arbex, conhecida principalmente por trabalhos como os livros “Todo dia a mesma noite” e “Holocausto Brasileiro”.
“Para mim, é o norte da minha bússola, é uma repórter extraordinária, é um ser humano ainda melhor. Eu já admirava muito quando eu não a conhecia, agora que eu a conheço e a gente tem alguma proximidade, eu não consigo falar com ela. É como se fosse um eclipse, eu não consigo fingir costume quando eu converso com ela. Acho a maior repórter que a gente tem no Brasil, em qualquer gênero”, finaliza.
Casa Aberta do Senac
O evento Casa Aberta Senac aconteceu nas 63 unidades do Estado de São Paulo no último sábado (19), com uma programação que envolveu estudantes de todos os níveis de ensino ofertados pela instituição. Na grade de atividades da unidade de Campinas, houve degustação de Coquetéis de Café Sem Álcool, ofertas de atendimentos na área do Bem-Estar com aplicação de Reiki, meditação com aromaterapia, palestras sobre diversos temas e mais.
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