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Corrupção no Ouro Verde: Jonas é investigado pela Procuradoria da Justiça

A operação ocorreu no final do mês passado e prendeu seis pessoas

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Divulgação
Prefeito de Campinas é citado por empresário em negociação

O relatório do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público (MP), que investiga o desvio de R$ 4 milhões do Hospital Ouro Verde, em Campinas, tem uma citação específica que chama a atenção. O nome do prefeito Jonas Donizette (PSB) é citado por um empresário numa suposta negociação para beneficiar a organização social Vitale, que administrava o hospital.

Ao todo o relatório do Gaeco tem 934 páginas e, na noite de quinta-feira (7), a Justiça autorizou a quebra de sigilo do processo de investigação do MP.

VEJA FOTOS DA OPERAÇÃO OURO VERDE

A operação ocorreu no final do mês passado e prendeu seis pessoas. As gravações, autorizadas pela Justiça, apontam que a Vitale era uma empresa de fachada, e comprova que foram feitos pagamentos de propina para o funcionário da Prefeitura Anésio Corat Júnior, ex-diretor do Departamento de Prestação de Contas da Administração Municipal. Ele estava com R$ 1,2 milhão em sua casa e foi exonerado do cargo no dia seguinte.

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Durante a operação, a polícia apreendeu também documentos na casa de outro servidor público, Ramon Luciano da Silva, e na casa de Gustavo Khattar de Godoy. Gustavo é médico e dono da empresa GK de Godoy Radiologia, criada em 2010, que prestava serviços ao Hospital Ouro Verde, por meio de contrato com a Vitale. E é justamente por causa dele que o nome do prefeito de Campinas aparece no inquérito do Ministério Público.

Em agosto deste ano, Ronaldo Foloni, diretor geral da Vitale, recebeu uma ligação de Gustavo, que na sequência passou o telefone ao pai, o empresário do ramo de comunicação Sylvino de Godoy Neto. 

A Ronaldo, Sylvino relata duas conversas que teria tido com o secretário de Assuntos Jurídicos, Silvio Bernardin, e com prefeito de Campinas, Jonas Donizette, para pressionar a aprovação de um adiantamento ao contrato da Vitale para o pagamento de dívidas com fornecedores.

Segundo Sylvino, Jonas teria dito que "têm recursos que estão entrando e que até o final de novembro deve estar com uma situação melhor de caixa".

Na conversa com o secretário, Sylvino teria feito, inclusive, uma "boa pressão", considerando que "editorialmente isso vai pesar muito contra o Jonas" e advertiu o prefeito que vai ter que "noticiar, lógico, um colapso deste tamanho". Sylvino é diretor presidente do Grupo RAC, que publica o jornal Correio Popular. 

No relatório do Ministério Público há também uma outra conversa entre o próprio Ronaldo Foloni, diretor geral da Vitale, e Tata Bertoncello, presidente da empresa, em que ele relata uma outra conversa com Gustavo.

O médico teria dito que a Vitale só foi contratada pela Prefeitura de Campinas “graças à intervenção de Sylvino junto ao prefeito Jonas Donizette, em troca de cessar as matérias negativas que eram realizadas pelo jornal contra a SPDM”, empresa que antecedeu a Vitale na administração do Ouro Verde e que o próprio prefeito garantiu que a nova organização social iria contratar os serviços da empresa de Gustavo de Godoy.

A citação específica ao prefeito Jonas Donizette foi encaminhada pelo Ministério Público de Campinas à Procuradoria Geral de Justiça, já que ele tem foro privilegiado. A Procuradoria já comunicou o Tribunal de Justiça, que por sua vez autorizou o início da investigação do prefeito, que agora corre em sigilo.

Pelo relatório do MP também está claro como o esquema funcionava. A Prefeitura repassava o dinheiro para o Hospital Ouro Verde, administrado pela Vitale. Segundo os promotores, um grupo criminoso desviava dinheiro por meio de consultorias que nunca aconteciam, pagas pela organização social com dinheiro público.

"FECHAR O AMBULATÓRIO"

Em outra conversa destacada pelo MP, o alto escalão da Vitale planejava paralisar alguns setores do Hospital Ouro Verde, com o intuito de pressionar a Prefeitura a aumentar o repasse de verba pública: “tem que chutar o pau da barraca, fechar o ambulatório, alguma coisa tem que fazer, eles não tem nem aí.” – diz a gravação.

Com base na documentação apreendida pelo Gaeco na semana passada, na operação que aconteceu, além de Campinas em outras sete cidades, os promotores vão continuar a investigação, centralizada no MP daqui - apenas a citação relativa ao prefeito foi para a capital.

Cumprem prisão preventiva (sem prazo para acabar) Ronaldo Pasquarelli, Paulo Roberto Segatelli Câmara, Daniel Augusto Gonsáles Câmara, Aparecida de Fátima Bertoncello, Ronaldo Foloni e Fernando Vitor Torres Nogueira Franco.

OUTRO LADO

Em nota, o prefeito de Campinas, Jonas Donizette, afirma que repudia qualquer forma de uso indevido de seu nome por quem quer que seja. Como se tornou público nos últimos meses, o prefeito garante que vem enfrentando a Vitale de forma direta, defendendo os interesses da população.

Ele afirmou que nenhum dos vários pedidos de aditivos feitos pela Vitale foi atendido e este enfrentamento culminou com a intervenção no Hospital Ouro Verde e a demissão dos servidores públicos acusados.

Para Jonas, os diálogos divulgados mostram claramente a dificuldade da Vitale em ter acesso ao prefeito e a contrariedade por não ter os seus pleitos atendidos, tanto que chegaram a recorrer à via judicial. Isso, afirma Jonas, reforça a lisura de comportamento por parte do prefeito em confronto com interesses escusos.

O advogado Ralph Tórtima Filho declarou que seus clientes, o empresário Sylvino de Godoy Neto e o filho, Gustavo de Godoy, só conheceram a Vitale depois da organização social ter sido contratada pela Prefeitura de Campinas e que, logo, não poderiam ter participado de qualquer intermediação. O advogado acrescentou que Sylvino apenas externou à prefeitura sua preocupação com a crise no Hospital Ouro Verde. Ralph afirma ainda que, como vários médicos do hospital, Gustavo também estava sem receber havia meses e reforça que ele não participou de qualquer ato ilegal.

Os advogados de Ronaldo Foloni, de Aparecida Bertoncello, de Fernando Vitor e da empresa Vitale seguem negando qualquer participação nas irregularidades.

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