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Jonas vê aceitação da população e "vitória" sobre denúncias

Em entrevista ao ACidade ON, prefeito de Campinas diz que Caso Ouro Verde é "matéria vencida" e que o mesmo vai acontecer com condenação do TJ-SP

| Especial para ACidade ON

O prefeito Jonas Donizette (PSB) (Foto: EPTV) 

Após ser condenado por improbidade administrativa em segunda instância, pouco depois de conseguir se livrar de uma cassação na Câmara nas denúncias do Caso Ouro Verde, o prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), disse ao ACidade ON nesta segunda-feira (10), com exclusividade, que obteve uma grande vitória no Legislativo, que as denúncias contra ele na Saúde para a população são "matéria vencida" e que o mesmo deve ocorrer agora com a decisão do TJ sobre os comissionados contratados para atender interesses pessoais.

Jonas teve seu afastamento determinado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, mas permanece no cargo até o julgamento final da ação.

Em relação à condenação, Jonas disse que cumpriu a lei, que tem recebido muita solidariedade de outros prefeitos e defendeu mudanças nas regras. Sugeriu que o mesmo critério aplicado ao número de vereadores nas cidades seja feito em cargos de comissão. "Você não tem um número determinado de vereadores de acordo com a população de cada cidade? Acredito que se o mesmo ocorrer na questão dos comissionados nós solucionamos o problema", disse.

Jonas nega irregularidades nas contratações ou o favorecimento político e diz que os critérios técnicos são subjetivos. "Eu fui condenado por uma lei criada pela Prefeitura. Infelizmente algumas questões são deturpadas. Muitas cidades passam pelo mesmo problema. A questão de quadros técnicos é subjetiva. Não me furto a corrigir se tiver alguma falha, mas falar em demitir todos esses funcionários? A Administração ficaria paralisada. Na minha gestão, o concurso público foi valorizado. Fizemos mais de 18 e com 3 mil contratações", disse.

A Justiça considerou que o prefeito de Campinas cometeu improbidade ao fazer contratações de comissionados com interesses políticos. A Justiça também determinou a demissão dos comissionados, a suspensão dos direitos políticos de Jonas por cinco anos, além do pagamento de multa civil de 30 vezes o valor da remuneração recebido pelo prefeito.

IMAGEM

Sobre a sua imagem diante de condenações e escândalos de corrupção que o cercam neste segundo mandato, o prefeito se defende e diz que a Saúde avançou, houve melhorias na Educação, e que a população já superou o Caso Ouro Verde.

"A questão do impeachment eu acho que foi uma vitória política. Eu enfrentei o problema e fui inocentado. Passei por isso e hoje, para a população, é uma matéria vencida. Nos últimos anos tivemos avanços importantes. A cobertura vacinal, por exemplo, é modelo. Reduzimos a mortalidade infantil, estamos construindo diversas unidades de Saúde e, diferentemente de outras cidades, teremos entregas de obras importantes nos próximos meses", disse.

Além da condenação pelo TJ, Jonas também é alvo de uma investigação na Procuradoria de Justiça sobre o Caso Ouro Verde. Ele também foi denunciado pelo Ministério Público Federal por supostos desvios no dinheiro da merenda na cidade.  

Rodrigo Garcia (DEM), vice-governador, e Jonas Donizette (Foto: Divulgação/Prefeitura de Campinas)
DEM?

Jonas reconheceu que enfrenta divergências internas no PSB em relação a alguns temas, como a reforma da Previdência, mas afirmou que não tem tratado de troca de partidos com os dirigentes do DEM, entre eles, Rodrigo Garcia, vice-governador e secretário de João Doria, conforme noticiou o ACidade ON no último sábado.

Nesta segunda, o pessebista disse que sua agenda continua administrativa e que tratará de questões político-eleitorais apenas no ano que vem.

Na última semana, políticos próximos ao prefeito disseram que ele estava em negociação para trocar o PSB pelo DEM. A relação com o presidente da legenda em São Paulo, Marcio França, estaria desgastada por causa da proximidade do peessebista com Doria. França analisa entrar na disputa pela prefeitura de São Paulo no ano que vem.

"Acho que temos que avaliar com cautela essa candidatura, até pelo capital político. Eu já conversei abertamente com o Marcio sobre isso. Eu acho que talvez não seja o ideal neste momento, mas vou respeitar se essa for a decisão dele", disse o prefeito.

Sobre Garcia, o chefe do Executivo disse que conversou com o braço-direito de Doria, mas que se limitou a tratar da agenda do Executivo. "Estou tão focado no governo e este ano minhas ações serão administrativas. Não cogitei a troca de legenda, até mesmo porque não vou disputar a eleição. Estou muito tranquilo", afirmou.

PREVIDÊNCIA

Jonas também mencionou sua discordância em relação ao posicionamento do PSB sobre a Reforma da Previdência. O partido é contra o projeto do presidente Jair Bolsonaro (PSL), mas o prefeito de Campinas defende as mudanças. "Nós tivemos recentemente a carta assinada pelos governadores que pedem a inclusão dos estados e municípios na reforma", afirmou.

O governo Jonas já tentou emplacar mudanças na Previdência antes mesmo de Bolsonaro ser eleito, mas devido a polêmicas, retirou o projeto da Câmara e, desde então, aguarda os desdobramentos do assunto em Brasília para que possa seguir a mesma linha na cidade. O Executivo alega déficit nas contas do Instituto de Previdência de Campinas (Camprev).

PROXIMIDADE

Jonas afirmou que suas relações com o governo de São Paulo são boas e que pediu, inclusive, para que a bancada do partido na Assembleia Legislativa fosse favorável aos projetos de Doria, entre eles o que extinguiu empresas públicas como a Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo Codasp (Codasp) e a Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa).

Doria também quer privatizar o Instituto de Botânica e já teve o projeto aprovado pelos parlamentares para entregar à iniciativa privada o Complexo Esportivo do Ibirapuera. "Ele tem feito um movimento para enxugar a máquina e dar mais eficiência as processos públicos, o que eu acho correto. Estive com o governador e ele me pediu para estar mais próximo", disse o prefeito.

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